ISSN 2674-8053

Segurança Cibernética: do local ao global

Em maio de 2022 ocorreu o seminário “Segurança Cibernética: do local ao global”. Realizado na ESPM, seu principal objetivo foi apresentar ideias sobre a segurança cibernética a partir de diferentes níveis (individual, corporativo, governamental e internacional). Para tanto, contou com profissionais de diferentes campos do saber.

Após o seminário foram levantadas as principais teses que nortearam as discussões, as quais são apresentadas a seguir.

Tese 1: aumento e dispersão das ameaças de ataques cibernéticos

O mundo digital será cada vez mais presente na vida das pessoas, especialmente com o avanço do 5G e da Internet das Coisas. Essa é uma tendência que será cada vez mais intensificada, ainda que em diferentes velocidades mundo afora. Considerando o aumento da dependência das pessoas e dos processos produtivos em relação à tecnologia, haverá um aumento igualmente das ameaças à segurança cibernética.

Ainda que a população em geral seja mais afetada por crimes cibernéticos de baixo impacto (desvios de recursos, roubo, sequestro e criação de identidades falsas), os riscos mais impactantes são aqueles que empresas e governos enfrentarão. A tendência é que grupos organizados e com maior poder para ataques cibernéticos se foquem em empresas e governos dada a magnitude de retorno potencial dos ataques. Para empresas o foco tenderá a ser mais financeiro, enquanto no caso de governos deverá ser mais ligado à busca por informações sigilosas e de segurança.

Tese 2: individualmente os atores terão poucas chances de manter a segurança cibernética

O avanço tecnológico impõe a necessidade contínua de proteção cibernética. Ao mesmo tempo em que tecnologias de proteção são desenvolvidas, há uma contraofensiva tecnológica capaz de encontrar fragilidades e invadir sistemas. Isso faz com que o custo de concepção e implementação de medidas protetivas seja potencialmente crescente. Esse potencial aumento dos custos se dá em função da incerteza de como ocorrerão os ataques, levando à necessidade de estressamento constante dos sistemas.

Especificamente para empresas e governos, ainda que se possa comprar sistemas de proteção cibernética, a crescente sofisticação dos ataques manterá alta a insegurança. Com isso, os custos da proteção se mostrarão cada vez mais relevantes. Fica clara a necessidade de uma atuação mais conjunta e concertada de diferentes atores para manter um nível de segurança cibernética confiável e, ao mesmo tempo, economicamente viável.

Tese 3: a segurança cibernética é fragmentada, exigindo concertação entre os diversos atores

Considerando os diferentes níveis e formatos de ameaça cibernética, bem como os igualmente diferentes níveis de impacto, o avanço da segurança cibernética depende da capacidade de múltiplas iniciativas. Da adoção de protocolos e medidas de segurança, ao combate das ameaças cibernéticas, é fundamental que os atores desenvolvam níveis de cooperação elevados.

Um alto nível de colaboração entre atores privados e governamentais é importante. Para tanto, é preciso que haja a criação de fóruns nos quais essa questão possa ser promovida, buscando-se a criação de mecanismos de consulta e de proposições programáticas e técnicas para o desenvolvimento de políticas de combate aos crimes cibernéticos.

Tese 4: segurança cibernética deve ser tratada como um problema global

Dada a complexidade dos ataques, bem como a capacidade de ataques oriundos de qualquer parte do mundo, a segurança cibernética terá maior chance de sucesso caso efetivamente seja encaminhada como um problema global.

Atualmente o sistema das Nações Unidas se mostra como o mais adequado para o encaminhamento global da segurança cibernética, especialmente diante de sua capacidade de articulação entre os Estados de diferentes temáticas que possam afetar a segurança cibernética.

Medidas já foram discutidas e implementadas por diferentes órgãos da ONU, ainda de uma forma muito fragmentada. Ainda assim, praticamente todas passam pela Assembleia Geral e/ou pelo Conselho de Segurança. Dentre os órgãos mais ativos na discussão sobre segurança cibernética destaca-se Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional.

O fortalecimento do papel dos órgãos da ONU, bem como de grupos de trabalho se mostram como os caminhos mais promissores para uma atuação global concertada e com maiores chances de sucesso.

Participantes: Flavio Azevedo; Jakov Surjan; Jorge Luiz Surian; Leonardo Trevisan e Sandra Puga

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