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Um dia feliz

Ontem foi um dia feliz para todo o paneta, além de histórico. O encontro entre Kim Jong-un e Moon Jae-in poderá abrir, espera-se, um novo capítulo na história das duas Coreias. Depois de tantas ameaças, e de tantas atitudes belicosas, finalmente surgiu a possibilidade de se encerrar um capítulo rançoso da Guerra Fria, com a concretização de um Acordo de Paz pendente desde 1953.

O senhor Embaixador: o esporte

Já vimos este filme antes: foi uma partida de tênis de mesa que abriu as portas da República Popular da China para os Estados Unidos, nos idos de ’71. Kissinger, no seu livro “On China”/”Sobre a China”, lembrou que num dia de abril de 1971, os jovens atletas americanos que participavam do time de tênis de mesa, se encontraram diante do Chanceler chinês Zhou Enlai, no Grande Palácio do Povo, e escutaram dele a frase: “vocês abriram um novo capítulo nas relações entre os povos chinês e norte-americano”. Foi o começo de tudo…

Estaria a História nos ensinando hoje a mesma lição com as Olimpíadas de Inverno em Pyeongchang, na Coreia do Sul?

Vamos aos fatos: o Presidente Moon Jae-in tem um longo compromisso em favor da reaproximação entre as duas Coreias; desde os tempos em que foi assessor direto do Presidente Roo Moo hyun (2003/8), que apoiava com fervor a reaproximação entre as duas vizinhas, e foi um grande defensor da que foi a tentativa mais arrojada de reconciliação entre as duas nações irmãs: a “Sunshine Policy”. Lançada em 1998, por seu antecessor – e amigo-, o Presidente Kim Dae-jong, juntamente com o líder norte-coreano Kim Jong-il, ela perdurou, aos “trancos e barrancos”, até 2008. Por sua “ousadia”, Kim Dae-jung foi, aliás, recompensado com o Prêmio Nobel da Paz, em 2000.

Os tempos mudaram, e chegamos ao ano de 2006, quando, num belo dia – mais precisamente, à 01h30 da manhã do dia 09 de outubro -, Kim Jong-il autorizou a realização do primeiro teste nuclear norte-coreano. Por quê? Segundo matéria do alemão “Der Spiegel”, naquele momento: “…the logic of the regime in Pyongyang? Only the bomb can protect the country from the Americans, who have never before in history attacked a nuclear power…”

Iniciava-se mais um ciclo de distanciamento entre as Coreias, e a historia continuou de forma ainda mais ameaçadora com o filho e herdeiro político de Kim Jong-il, Kim Jong-un, conforme temos acompanhado quase que quotidianamente pelo noticiário internacional.

Eleito Presidente da Coreia do Sul no ano passado, na esteira do impedimento de sua predecessora, Park Geun-hye, Moon reencontrou a possibilidade de reescrever a história entre as duas irmãs. Entretanto, diante da realidade geopolítica e política vigente na região atualmente, ele se sente compelido, ao que parece, a “acender uma vela para Deus e outra para o Diabo”. Ou seja, ainda que convencido da viabilidade desta reaproximação, ele é refém, mais do que nunca do “guarda-chuva” protetor dos EUA e dos ânimos revoltosos em Washington. Assim, ele não teria, numa primeira leitura, a liberdade de se engajar num processo de conciliação sem as “bênçãos” do protetor.

Será???

Interessa a todos os seus poderosos vizinhos regionais, sobretudo à “madrinha” China uma composição que evite o pior. A Rússia, também, às voltas com a “questão síria”, no seu flanco sul, não teria (?) “fôlego” para lidar simultaneamente com os confrontos a seu leste. Assim, seriam as duas as primeiras a “abençoar” a distensão que se está esboçando na região; os japoneses, também, alvos mais próximos de um exercício – ou mesmo ataque – nuclear. E o mundo, em geral, é claro.

Os norte-coreanos já deram um sinal positivo eloquente: liderará a delegação oficial de Pyongyang ninguém menos que Kim Yo-jong, a irmã preferida – e principal conselheira – de Kim Jong-un. E as equipes dos dois países atuarão juntas! O esperado encontro dela com o Presidente Mon já é considerado histórico pelos analistas. Segundo se soube, ela deverá entregar uma carta de seu irmão ao anfitrião, que segundo alguns, sinalizaria a sua intenção de se reaproximar de seu vizinho. Tratando-se de quem se trata, é sempre necessário muita prudência, é claro. Tudo é possível. Mas também surge espaço para a esperança. Tanto que o governo japonês anunciou que o Primeiro-Ministro Shinzo Abe deverá comparecer à cerimônia de inauguração!!! Sinal dos tempos…

Bendito esporte…

E a pergunta que não quer se calar: e agora, D.T.?

A matéria do “The Guardian” trata de tudo isto:

Por que uma Ucrânia fraca pode ser a causa de uma guerra atômica?

A Coréia do Norte é um regime ditatorial que historicamente tem sustentado sua estrutura doméstica de poder doméstico na militarização. Mais do que o uso das forças armadas para reprimir a população, isso significa que o Estado norte-coreano age a partir de dimensões militares. Geralmente esses Estados têm um baixo nível de desenvolvimento econômico e, por consequência, tende a ter também um baixo nível de desenvolvimento tecnológico.