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O início do mundo incerto

A ordem multilateral acabou há um tempo, mas ainda vivíamos em sua inércia. Agora estamos vivendo em um mundo em que ela claramente não consegue controlar o comportamento dos atores internacionais, mas estes ainda não sabem quais são os limites de uma atuação unilateral. Historicamente momentos como estes foram bem tumultuados e geraram guerras intensas. O diálogo unilateral parece ser o caminho que temos para evitar isso tudo.

Bravo mundo idoso

Um dos temas que tem-nos mobilizado ultimamente, aqui no Brasil, até pelas questões complexas vinculadas à previdência social, é a questão do envelhecimento da população. Pois bem, o Japão encontrou uma possível (?) saída: a robótica e seus “pimpolhos”, os robôs, que passarão a ocupar o lugar de trabalhadores nas empresas, e até nos lares, suprindo a carência de humanos…
Desumano?…ou uma solução ousada para fazer frente a uma realidade quase inelutável?
Senão analisemos a curva do crescimento da população japonesa neste último século: em 1950, logo após a II Guerra, a parte maior da pirâmide etária se situava na faixa de zero a 20 anos; em 2005 os dois maiores segmentos etários ficavam na faixa de entre 35 e 60 anos; e a projeção para 2055 é que a maioria dos japoneses terá entre 60 e 80 anos! Hoje, 1/4 da população já tem mais de 65 anos. Senão, vejam a matéria do “The Economist”: https://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2014/12/japan-graphics
E a taxa de mortalidade, de 9,8 por 1.000 habitantes, é superior à de natalidade, de 7,7  por mil habitantes. Ou seja, está havendo uma despopulação do país. Nesse quadro complicado, o dilema com que se confronta aquela sociedade mexe com dois assuntos tabus para ela:
– primeiramente, o trabalho das mulheres fora do lar. Se isto se concretizar como norma, por força das circunstâncias, deverá, a meu ver, ocorrer uma mudança profunda no comportamento da população. Quando morava em Tóquio, eu ficava impressionado com o pequeno número de mulheres casadas que atuavam fora de casa. A resposta às minhas indagações era, invariavelmente, que” o lugar da esposa era dentro do lar, cuidando dos filhos”…Eu achava estranho que uma sociedade com padrões tão significativos de desenvolvimento econômico e humano ainda se ativesse a conceitos que até nós, brasileiros, consideramos ultrapassados; e
– em segundo lugar, que em um país com uma taxa de nascimentos tão baixa, com 941 mil nascimentos registrados em 2017, contra 2,7 milhões registrados após a II Guerra (a menor desde 1899, quando teve início o registro desses dados), e com a expectativa de que a população deverá se reduzir ainda mais nas próximas décadas, não se abra para a imigração. Como sabemos, os japoneses são extremamente restritivos quanto a este tema;uma das exceções é justamente a dos “dekasseguis” brasileiros, que, por serem descendentes de japoneses (ou casados com estes), puderam receber vistos de trabalho temporário diferenciado. Ou seja, uma forma de preservar a mesma etnia.
Uma das soluções propostas pelo governo do PM Shinzo Abe é subsidiar de forma agressiva a criação e difusão de empresas e de serviços que utilizam a inteligência artificial. Desta forma, os robôs poderão fazer parte de um “laboratório tecnológico”, segundo o Estadão.
E aí??? Quais  seriam as consequências? Seria este o primeiro sinal de uma “invasão tecnológica” em escala mundial que modificaria o próprio conceito de civilização? Seria o arauto da destruição criativa “schumpeteriana” que nos levaria a um outro formato de sociedade, compartilhando espaços cada vez maiores com a inteligência artificial?  Para que mundo nos dirigimos? Para o bem, ou para o mal (se é que cabe esta dicotomia maniqueísta)?

Donald Trump e Ásia: um fiasco?

Donald Trump acaba de retornar de um périplo de doze dias pela Ásia, onde procurou alicerçar as alianças com alguns líderes de países asiáticos. Escolheu aqueles com os quais as agendas bilaterais tornaram-se mais complexas desde sua posse, começando pelo Japão, continuando pela Coreia do Sul e pela China. Para coroar, participou da Reunião de Cúpula do “Forum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico”/APEC, em Da Nang, no Vietnã.

Shinzo Abe Global?

A política externa japonesa tem sempre se mostrado tímida, e dependente das relações privilegiadas com os norte-americanos. Ainda traumatizada pela derrota da II Guerra Mundial? Intimidada pela animosa vizinhança regional? Insegura a respeito do seu verdadeiro poder (de terceira maior economia do planeta…)?