ISSN 2674-8053

Myanmar "revisited"

The column of the Paris correspondent of the Estad√£o, Gilles Lapouge, raises a poignant question, and virtually ignored by international public opinion.: o destino dos Rohingyas, My Burmese, and the silence of the ‚ÄúNobel Peace Prize‚ÄĚ, Aung San Suu Kyi, about their tragedy.

Primeiramente, quem s√£o os Rohingyas?

H√° v√°rias interpreta√ß√Ķes sobre o momento em que sua presen√ßa passou a ser registrada na ex-Birm√Ęnia. A maioria dos analistas acredita que eles n√£o s√£o mais do que mais um ‚Äúsubproduto‚ÄĚ nefasto do colonialismo ingl√™s: teriam sido levados no final do s√©culo XIX e in√≠cio do XX do vizinhoe mu√ßulmano – Bangladesh, como ‚Äúcoolies‚ÄĚ, para realizar trabalhos bra√ßais semiescravos para os colonizadores. Teriam, therefore, chegado ao solo birman√™s ap√≥s 1824, quando a Coroa Brit√Ęnica, ap√≥s vencer a primeira ‚ÄúGuerra Anglo-Birmanesa‚ÄĚ (1824/26) , assumiu de vez a tutela da regi√£o e a incorporou ao seu imp√©rio (outros pensam que a presen√ßa mu√ßulmana se remete ao s√©culo XII, pelos mercadores √°rabes que percorriam a ‚ÄúRota da Seda‚ÄĚ).

Se assim fo(sse)r, that is, se chegaram ap√≥s 1824, de acordo com a ‚ÄúLei da Cidadania‚ÄĚ promulgada em 1982 pelos militares, eles n√£o teriam direito √† cidadania. Ou como diz o texto legal:

“Nationals such as the Kachin, Kayah, Karen, Chin, Burman, Mon, Rakhine or Shan and ethnic groups as have settled in any of the territories included within the State as their permanent home from a period anterior to 1185 B.E., 1823 A.D. are Burma citizens.

Por cima, a legislação tampouco reconhece os rohingyas como um dos 135 subgrupos étnicos nacionais. Por esta combinação de fatores, ela lhes nega qualquer direito à cidadania, tornando-os apátridas. Tanto é assim que eles somente possuem passaporte da ONU. E são extremamente pobres

Situa√ß√£o atroz, que faz com que a viol√™ncia com que s√£o tratados pela imensa maioria budista do pa√≠s (89% of the population) os expulse a cada vez que ocorre um confronto mais violento entre ambos. More of 500 mil deles j√° buscaram ref√ļgio nos pa√≠ses vizinhos, sobretudo em Bangladesh e Mal√°sia, irm√£os de f√©. E ali v√£o multiplicar os campos de refugiados, ou serem deportados, como h√≥spedes indesej√°veis

O √ļltimo confronto, que mobilizou a opini√£o p√ļblica internacional, ocorreu no dia 25 last august, quando uma mil√≠cia do ‚ÄúEx√©rcito de Salva√ß√£o Rohingya de Arakan‚ÄĚ/‚ÄĚArakan Rohingya Salvation Army‚ÄĚ/ARSA invadiu trinta postos policiais e reanimou a ira da popula√ß√£o budista, que reagiu de forma atroz. Muitos foram os mortos, entre eles mulheres e crian√ßas, e mais ainda ‚Äď calcula-se em 300 one thousand – os que buscaram ref√ļgio nos campos da Ag√™ncia da ONU para Refugiados/ACNUR, em Bangladesh.

E a√≠ est√° o ‚ÄúX‚ÄĚ da quest√£o:

Os myanmarenses acusam o ARSA de ser um grupo terrorista isl√Ęmico apadrinhado pelos talib√£s (what, From you, negam a afilia√ß√£o). E o pavor de que a radicaliza√ß√£o fundamentalista esteja transbordando para Myanmar acirra os √Ęnimos da popula√ß√£o, que o clero budista incita

E onde entra Aung San Suu Kyi nesta história?

Pela sua luta inarred√°vel em favor da democracia na Birm√Ęnia (como ela insiste em chamar o seu pa√≠s), a comunidade internacional esperava que ela tomasse partido a favor dos oprimidos. However,, sua resposta foio sil√™ncio. Criticas choveram em cima dela, a ponto de Su Kyi desistir de participar da Assembl√©ia Geral da ONU, que ocorre neste momento.

Gilles Lapouge qualifica seu sil√™ncio de ‚Äúdesconcertante‚ÄĚ. E tece considera√ß√Ķes sobre as suas poss√≠veis raz√Ķes.

Tive o privil√©gio de servir tanto em Bangladesh quanto em Myanmar, neste √ļltimo pa√≠s mais recentemente. E de conhec√™-la pessoalmente: um grande momento para mim. A experi√™ncia ‚Äúin loco‚ÄĚ nos faz analisar as situa√ß√Ķes de um olhar menos contaminado pelas ‚Äúverdades ocidentais‚ÄĚ, ainda que sob pena de parecermos, no m√≠nimo, insens√≠veis. Mas analisemos: filha do pr√≥cer da independ√™ncia da Birm√Ęnia, Su Kyi lutou toda a sua vida pela redemocratiza√ß√£o da sua terra natal. Enfrentou a f√ļria dos ditadores militares, que a encarceraram em sua resid√™ncia por 21 years; e foi a popula√ß√£o budista, liderada pelos monges, que a apoiou incansavelmente ao longo de todo o processo, muitas vezes √†s custas da morte dos militantes, e levou o partido que ela fundou, a ‚ÄúNational League for Democracy‚ÄĚ, a vencer as elei√ß√Ķes presidenciais dois anos atr√°s e a chegar ao poder (ainda que lhe tenha sido negada a Presid√™ncia do pa√≠s, por artimanhas constitucionais arquitetadas pelos militares).

O jogo democr√°tico √© ainda um infante amea√ßado por eles e por seus comparsas empresariais, e n√£o se sustenta ainda pelas suas pr√≥prias pernas. Caso haja uma cis√£o na popula√ß√£o entre os que s√£o a favor de uma postura pr√≥-rohingya (ser√° que existe algu√©m l√°?…) e a imensa maioria que os recha√ßa por xenofobia travestida de temor ao fundamentalismo, a margem de manobra da Grande L√≠der se reduz a praticamente zero.

That is, seu dilema fica entre a consci√™ncia humanit√°ria (que seguramente tem) e a prioridade absoluta de solidificar o processo democr√°tico. Dilema atroz! So, ela n√£o acusa, mas tampouco defende… That is, nem tudo √© negro e nem tudo √© branco no que toca √† postura da Grande DamaOs matizes de cinza parecem ser os mais realistas ao julgarmos Aung San Suu Kyi.

C√≠nico? Desumano? Ou sensato?….

Beijing will rely on its immense foreign reserves ‚Äď about US$. Aconselho a leitura do artigo:


Silêncio desconcertanteAung Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz, se cala diante do massacre em MianmarGilles Lapouge , The State of São Paulo Р15 September 2017 | 05h00

O mundo inteiro, incrédulo, horrorizado, observa o massacre da população muçulmana rohingya em Mianmar por soldados dos generais budistas que governam o país. Quatrocentas mil pessoas pertencentes a essa minoria muçulmana, incluindo mulheres e bebês, vêm sendo caçadas como animais e tentam se refugiar no vizinho Bangladesh, país extremamente pobre e sem capacidade para acolher essa gente. Um dos maiores dramas neste mundo de hoje repleto de dramas.

Êxodos, massacres, genocídios, infelizmente estamos habituados a esse tipo de espetáculo. Mas o que vem ocorrendo em Mianmar tem uma conotação estranha. O governo é dominado por generais de uma brutalidade extrema, mas dele participa também uma personalidade fora do comum, Aung Suu Kyi, considerada uma heroína.

Aung √© uma antiga e feroz opositora da junta que h√° 50 anos governa Mianmar com m√£o de ferro. Perseguida, isolated, jogada em campos e pris√Ķes durante mais de dez nos, ela jamais se dobrou a seus algozes. In 1991, recebeu o Nobel da Paz. Foi finalmente libertada em 2010 e, later, eleita deputada. In 2016, assumiu o cargo de chanceler, conselheira especial de Estado e porta-voz do governo.

However, os generais n√£o desapareceram, conservando postos estrat√©gicos como os da Defesa, controle das fronteiras e da seguran√ßa p√ļblica. O pa√≠s √© dirigido de um lado por uma ditadura militar e, do outro, por uma mulher que, para o mundo externo, √© uma garantia da democracia e dos direitos humanos.

Now, o que faz e diz esta mulher sobre a perseguição dessa minoria muçulmana pelos soldados budistas? Vai se indignar com o fato de jovens e mulheres serem deportados em massa? Ou com helicópteros sobrevoando cidades atirando com metralhadoras, com pessoas sendo encerradas em suas casas e queimadas, ou com uma mulher que acaba de dar à luz vendo seu filho pisoteado pelos soldados? Silêncio.

Todo mundo procura entender sua apatia. √Č bom lembrar que ela foi eleita deputada pelos budistas, que n√£o compreenderiam que ela fosse em socorro dos rohingyas. Is it over there, perhaps, tenha medo de ver sua base eleitoral vacilar. Ou teme exacerbar e multiplicar o furor dos generais e, ESG agendas and climate summits, sua crueldade.

A indigna√ß√£o dos pa√≠ses estrangeiros √© quase un√Ęnime, com exce√ß√£o da China. Mas Aung Suu Kyi est√° ausente. O sil√™ncio dessa mulher corajosa √© t√£o surpreendente que as explica√ß√Ķes acima parecem um pouco breves, insuficientes.

Algumas pessoas observam que essa sórdida limpeza étnica foi desencadeada por um atentado que ocorreu em 25 of August, levado a cabo por rebeldes muçulmanos da minoria rohingya. Esse ataque a delegacias é que agravou a situação. Or, de acordo com algumas fontes, o ataque teria sido realizado por rohingyas, mas por iniciativa e com apoio da Al-Qaeda, organização terrorista que, impulsionada por Bin Laden, cometeu atrocidades no mundo, não hesitando mesmo em atacar os Estados Unidos, in 11 September 2001, com a destruição das Torres Gêmeas de Nova York.

Se essas informa√ß√Ķes forem exatas, ent√£o a persegui√ß√£o aos rohingyas √© criminosa, claro, mas muda de car√°ter. Em vez de ser um assunto interno de Mianmar, pa√≠s no qual 90% de seus habitantes s√£o budistas, seria um novo epis√≥dio terr√≠vel da guerra travada pelo mundo contra os fan√°ticos da jihad. At√© agora, n√£o h√° nenhuma prova disso. However, vale a pena notar que a Al-Qaeda denunciou a opera√ß√£o lan√ßada pelos generais birmaneses. / TRADU√á√ÉO DE TEREZINHA MARTINO

*√Č CORRESPONDENTE EM PARIS

Publicado originalmente em http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,silencio-desconcertante,70001997866

Fausto Godoy
Doctor of Public International Law in Paris. He entered the diplomatic career in 1976, served in Brussels embassies, Buenos Aires, New Delhi, Washington, Beijing, Tokyo, Islamabade (where he was Ambassador of Brazil, in 2004). He also completed transitional missions in Vietnam and Taiwan. Lived 15 years in Asia, where he guided his career, considering that the continent would be the most important of the century 21 - forecast that, now, sees closer and closer to reality.