Para entender a China de Xi Jinping

Para mim, um dos exemplos mais expressivos disto é a carta que o Rei George III, da Grã-Bretanha, enviou, in 1793, ao Imperador Qianlong, através de seu enviado especial, Lord Macartney,propondo a abertura dos portos chineses ao comércio com os ingleses.

Vamos à História: durante muitos séculos a China manteve-se fechada ao intercâmbio com os outros países. Os aventureirosapelidados pelos chineses dediabos estrangeiros” – que ousavam chegar às suas costas corriam muitas vezes até risco de vida. Não obstante, as chamadaschinoiseries” – porcelanas, sedas, etc. – provenientes doImpério/país do Meio” (tal como se traduzZhongguo”, que é o significado de China em mandarim) – atiçavam a cobiça dos europeus. Várias nações enviaram emissários à corte de Pequim no intento de criar canais de comércio. George III, mais ousado, decidiu enviar um preposto que levava uma carta pessoal para o Imperador Qianglong (1711/1799) propondosafe and sound relations of trade”.

Antes mesmo de atingir os portos chineses, o navio que transportava o emissário foi constrangido a apor no mastro uma bandeira com os dizeresTribute-bearer from England” , que é como os chineses qualificavam os presentes que Macartney levava. Ainda por cima, o protocolo da Cidade Proibida exigia que aqueles que se apresentassem perante o Imperador fizessem okow-tow”, that is, se ajoelhassem três vezes, e tocassem a cabeça no solo, à medida que se aproximassem dodeusencarnado.

Foi aí que a coisa degringolouirritado, Macartney disse que somente cumpriria o protocolo se um alto dignitário da corte fizesse o mesmo diante do retrato de seu rei….Depois de muita negociação, chegou-se a uma forma de compromisso e Qianlong acedeu em receber o emissário.

But, a sua resposta é umaobra-primade desdémJá no seu nício Qianlong afirma…”You, O King, live beyond the confines of many seas, nevertheless, impelled by your humble desire to partake of the benefits of our civilisation, you have dispatched a mission respectfully bearing your memorial”…..e segue: “as to your entreaty to send one of your nationals to be accredited to my Celestial Court and to be in control of your country’s trade with China, this request is contrary to all usage of my dynasty and cannot possibly be entertained….Europe consists of many other nations besides your own: if each and all demanded to be represented at our Court, how could we possibly consent? The thing is utterly impracticable….. Our dynasty’s majestic virtue has penetrated unto every country under Heaven, and Kings of all nations have offered their costly tribute by land and sea. I set no value on objects strange or ingenious, and have no use for your country’s manufactures”.

Ironia,,,Qianlong foi o último grande monarca da dinastia Qing..Invadido pelas potências europeias no século XIX, o Império sofreu as vicissitudes da ganância colonialista que o levou a duas guerras ímpias- as chamadas “”Guerras do Ópio” (1839 e 1856) – contra a Coroa britânica, que buscava equilibrar através da disseminação do vício do ópio contrabandeado da Índia Britânica, a balança de comércio que lhe era extremamente deficitária, com isto tornando a China num país de drogados. O resgate da vergonha doSéculo das Humilhaçõese a busca do elo perdido da História está, em última análise, na raiz psicossocial da revolução comunista, que se metamorfoseou posteriormente nas reformas de Deng Xiiaoping, e, sucessivamente, na RPC doChina Dreamde Xi Jinping

Far fetched”?…então reflitamosQuando nasci, in 1945, do Caribe à Birmânia, o sol não se punha no Império Britânico, hoje, Brexit

Who´s next?

Recomendo vivamente aos amigos que leiam a carta de Qianlong, abaixo. É uma joia

CHINA.USC.EDU

Emperor Qianlong: Letter to George III, 1793 | US-China Institute

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Doctor of Public International Law in Paris. He entered the diplomatic career in 1976, served in Brussels embassies, Buenos Aires, New Delhi, Washington, Beijing, Tokyo, Islamabade (where he was Ambassador of Brazil, in 2004). He also completed transitional missions in Vietnam and Taiwan. Lived 15 years in Asia, where he guided his career, considering that the continent would be the most important of the century 21 - forecast that, now, sees closer and closer to reality.