Stop saying that we are in a new Cold War

Charge postada no Global Village Space

É comum vermos análises falando que estamos entrando numa nova Guerra Fria. Geralmente isso acontece a cada movimento mais incisivo feito pelo governo Chinês. Basicamente a ideia é que os Estados Unidos estariam em um polo de poder e a China viria para ocupar o polo oposto, questionando o poderio norte-americano. Ainda que possa ser verdade a questão das tensões em torno das projeções de poderes, é incorreto dizer que isso é uma Guerra Fria.

O que foi a Guerra Fria? De uma forma mais superficial foi o embate indireto entre Estados Unidos e União Soviética (basicamente sustentado na corrida atômica). Em termos mais estruturais, a grande questão foi a competição entre dois modelos de organização político-econômica auto-excludentes.

Em última instância, o capitalismo precisa ampliar seus mercados e diminuir a relevância do Estado para que a economia possa fluir sem muitas interferências externas à lei da oferta e da procura. No extremo, o que deveria ocorrer é a criação de um mercado global e o potencial desaparecimento do Estado.

No comunismo, in its turn, o processo econômico deve ser planificado e decidido pelo Estado, de forma a evitar o acúmulo de riquezas por apenas uma parcela da sociedade. O Estado comunista é uma etapa necessária para fazer a revolução e, ao final, deveria acabar, passando o controle econômico diretamente para as pessoas.

Em ambos os casos, a previsão de sucesso total significa o desaparecimento do Estado como forma de organização política, formando apenas um grande sistema de alcance global. Essa é a razão de o avanço de uma das partes, durante a Guerra Fria, também era entendido com a perda do outro. A corrida atômica era mais um elemento desta competição, mas logo foi ultrapassada como um instrumento militar (quando a capacidade de destruição acumulada era maior do que aquilo que o próprio planeta poderia aguentar) para se transformar numa forma de demonstração de poderio e, like this, de comprovação sobre o sucesso do modelo proposto.

O que vemos hoje não tem relação com esse conflito. Não resta dúvida de que a China apresenta vetores de poder com projeções globais em diversas áreas, como a militar, a econômica, a política e, cada vez mais, a cultural. But, diferente do que ocorria na Guerra Fria, não há uma competição por modelos auto excludentes. A questão aqui está sobre liderança e, like this, sobre singularidades de um mesmo modelo, mas não sobre o modelo em si. A China não questiona a existência do capitalismo, ao contrário, aprendeu a operar nas regras do capitalismo. Não questiona a existência de democracias como forma de governo, ainda que adote um modelo centralizado e, na concepção ocidental, não democrático.

Depois de décadas tendo nos Estados Unidos o maior defensor e o símbolo mais consolidado de defesa de um modelo, acabamos acreditando que qualquer questionamento a essa liderança ou mesmo simbolismo significa uma ameaça ao modelo. Não percebemos que não se trata de um novo polo de poder com uma proposta alternativa, o que nos levaria a uma nova estrutura bipolar. Mais do que isto, hoje temos um questionamento de ordem sistêmica, estamos vivendo num momento de reestruturação do sistema internacional, com novos fluxos de relações e com a consolidação de outros atores com grande capacidade de influência sobre os fluxos internacionais.

Ao olharmos especificamente a realidade brasileira, compreender o que está acontecendo é ainda mais importante. Não vivemos num momento de nós-contra-eles ou de certo versus errado. Vivemos num momento no qual as dinâmicas internacionais são mais fluidas. Não é o momento de seguirmos alinhamentos automáticos nem ideológicos, mas sim de compreender como podemos atuar num mundo mais dinâmico e com menos certezas do que aquele da Guerra Fria.

A seguir indico a leitura de alguns artigos que fazem a análise defendendo que estamos entrando numa nova Guerra Fria. Para julgamento de cada um.

BBCO mundo está entrando em uma nova Guerra Fria?

El PaísEUA x China: cenários da nova guerra fria

IstoÉ DinheiroA nova Guerra Fria esquenta

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Post-Doctorate in Territorial Competitiveness and Creative Industries, by Dinâmia - Center for the Study of Socioeconomic Change, of the Higher Institute of Labor and Enterprise Sciences (ISCTE, Lisboa, Portugal). PhD in International Relations from the University of Brasília (2007), Master in Political Science from the University of São Paulo (2001) and Bachelor of International Relations from the Pontifical Catholic University of São Paulo (1998). He is currently the Head of International Office of ESPM.