ISSN 2674-8053

Impactos do COVID-19 no Turismo Europeu

Em 2019, o setor de viagem e turismo europeu contribuiu com 2.191 bilh√Ķes de d√≥lares do PIB da Europa, segundo o Statista. Contudo, em 2020, com a eclos√£o da pandemia da COVID-19, o setor foi um dos mais afetados pelas medidas restritivas para a conten√ß√£o do v√≠rus, representando 1.064 bilh√Ķes de d√≥lares do PIB europeu. Ap√≥s aproximadamente um ano e meio, apesar da vig√™ncia do coronav√≠rus, a Europa tenta reabrir suas fronteiras e, consequentemente, estimular o setor com o in√≠cio da vacina√ß√£o. 

Antes da crise de sa√ļde, em 2019, o setor de viagem e turismo representava 10,4% do PIB mundial com crescimento consecutivo no PIB europeu desde 2012, o que tamb√©m refletiu na cria√ß√£o de empregos na Europa. H√° aproximadamente 20 anos, o continente vem sendo o principal destino de viagens internacionais, estat√≠stica que, mesmo se mantendo no topo, continuava em crescimento. A partir disso, em 2019, o n√ļmero de turistas internacionais que chegaram √† Europa foi o maior em rela√ß√£o √†s demais regi√Ķes, representando 745 milh√Ķes de viajantes. (Statista, 2021). Dessa forma, existem pa√≠ses europeus dependentes economicamente do setor, por exemplo, a Cro√°cia e a Gr√©cia, uma vez que este influencia outras √°reas, como hotelaria, transporte, alimenta√ß√£o, cultura, agricultura e ind√ļstria e, consequentemente, a empregabilidade e a arrecada√ß√£o de impostos destas.

Em relação aos 27 países da União Europeia, a Croácia possui a maior média de dias que os turistas ficam hospedados no país e o maior crescimento desse índice. Por isso, é o que mais depende economicamente do setor de viagem e turismo na Europa, mesmo que não seja o país que mais recebe turistas da região, uma vez que essa área representou 18,4% do PIB do país em 2018, assim como Chipre (13,9%), Malta (12,7%) e a Grécia (8,7%). Esses dados demonstram a vulnerabilidade desses países em relação ao turismo, já que este representa grande parte da sua economia.

Esse cen√°rio positivo de crescimento do turismo na Europa foi rapidamente arruinado com a chegada da COVID-19 na regi√£o. Entre o fim de janeiro e o in√≠cio de fevereiro de 2020, ocorreram as primeiras mortes pelo v√≠rus no continente europeu. A partir disso, houve in√≠cio das medidas restritivas para o controle da propaga√ß√£o do coronav√≠rus, como o isolamento social e o fechamento de fronteiras, principalmente em mar√ßo de 2020, o que afetou diretamente o setor de viagens e turismo, sobretudo dos pa√≠ses que possuem sua economia voltada a isso, como a Cro√°cia e o Chipre. J√° a Fran√ßa, por exemplo, apesar de ser o maior destino tur√≠stico internacional, n√£o foi afetada da mesma maneira, uma vez que a sua base econ√īmica √© mais variada que a dos pa√≠ses citados anteriormente, contando com a participa√ß√£o da exporta√ß√£o ligada √† ind√ļstria, tecnologia e agricultura. 

A partir da melhoria da crise de sa√ļde com as medidas para o combate do coronav√≠rus, muitos pa√≠ses europeus flexibilizaram essas restri√ß√Ķes, como o Reino Unido. O Primeiro-Ministro brit√Ęnico, Boris Johnson, afirmou logo em abril de 2020 que o pa√≠s j√° estava superando a crise de COVID-19, acreditando que a pandemia chegava ao fim. No entanto, isso causou o aumento dos cont√°gios pelo v√≠rus e, consequentemente, a segunda onda de infec√ß√£o no continente. Dessa forma, o in√≠cio da recupera√ß√£o do setor de turismo entre julho e agosto de 2020 foi frustrado, devido, principalmente, √† retomada das restri√ß√Ķes quanto √†s viagens entre setembro e outubro do mesmo ano. 

Com o fim das restri√ß√Ķes, houve o in√≠cio da terceira onda do v√≠rus no primeiro trimestre de 2021. A partir disso, as medidas retornaram, mas com a ajuda da vacina√ß√£o, a qual come√ßou em dezembro de 2020 na maioria dos pa√≠ses europeus, uma reabertura mais r√°pida tornou-se poss√≠vel. Ap√≥s a abertura, a Comiss√£o da Uni√£o Europeia prop√īs o Certificado Digital COVID da UE, documento que comprova o teste negativo da pessoa, se ela j√° foi vacinada ou se j√° se recuperou da doen√ßa. Com esse documento j√° aprovado pelo Parlamento da Uni√£o Europeia, o cidad√£o europeu poder√°, a partir do dia primeiro de julho de 2021, circular livremente entre os pa√≠ses da UE, medida que possibilitar√° o aumento do turismo entre os pa√≠ses. 

A partir disso e do aumento do percentual de pessoas vacinadas na Europa, muitos pa√≠ses planejam reabrir suas fronteiras para turistas no ver√£o de 2021, ainda que haja restri√ß√Ķes quanto √† nacionalidade do viajante, como a proibi√ß√£o dos brasileiros e indianos na maioria dos pa√≠ses, e quanto ao tipo de vacina aplicada, tendo prefer√™ncia por aquelas aprovadas pela EMA, ag√™ncia m√©dica da UE. Para os pa√≠ses que dependem economicamente do turismo, h√° uma diminui√ß√£o dessas restri√ß√Ķes. Por exemplo, a Cro√°cia aceita turistas de mais pa√≠ses somente com o teste negativo para a COVID, independentemente do status de vacina√ß√£o, at√© brasileiros, indianos e sul-africanos com a condi√ß√£o de que esses permane√ßam em quarentena mesmo que j√° tenham sido vacinados. 

Portanto, a pandemia de COVID-19 impactou fortemente o turismo na Europa, freando seu crescimento. Com as medidas de restri√ß√£o, muitos pa√≠ses europeus que dependem economicamente do turismo foram extremamente prejudicados. No entanto, em 2021 passam a finalmente enxergar perspectivas mais positivas para o futuro. Em rela√ß√£o ao aspecto econ√īmico, a reabertura das fronteiras para turistas internacionais e o aumento da taxa de vacina√ß√£o colaboram para a retomada do setor de viagem e turismo europeu. Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a reabertura √© um bom sinal para o turismo. Contudo, o setor somente iniciar√° a sua recupera√ß√£o ap√≥s o fim da pandemia, podendo levar mais tempo ainda para que ele volte para o patamar de 2019, quando empregava mais de 38 milh√Ķes de europeus, al√©m de impactar em demais setores da economia europeia. Por fim, essa flexibiliza√ß√£o poder√° causar uma nova onda de infec√ß√Ķes pelo v√≠rus, j√° que h√° pa√≠ses europeus com baixa taxa de vacina√ß√£o em rela√ß√£o ao tamanho da sua popula√ß√£o.

Por Isabela Paez Halak e Nat√°lia Yuri Kitayama

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N√ļcleo de Estudos e Neg√≥cios Europeus
O N√ļcleo de Estudos e Neg√≥cios Europeus (NENE) est√° ligado ao Centro Brasileiro de Estudos de Neg√≥cios Internacionais & Diplomacia Corporativa (CBENI) da ESPM-SP. Foi criado considerando a necessidade de estimular a comunidade acad√™mica brasileira e latino-americana a compreender melhor suas rela√ß√Ķes com os europeus, buscando compreender e aprofundar a Parceria Estrat√©gica Brasil ‚Äď Uni√£o Europeia.