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Ásia

Série IA e China: Depois da inteligência artificial
Ásia, China

Série IA e China: Depois da inteligência artificial

Depois da inteligência artificial Ao longo desta série, a inteligência artificial ocupou o centro da discussão. Partimos da estratégia chinesa de desenvolver modelos abertos, analisamos a transformação da IA em infraestrutura, examinamos a reorganização das cadeias globais de valor e discutimos como empresas e países precisarão adaptar suas instituições para uma economia em que a inteligência se torna progressivamente abundante. Ao final desse percurso, contudo, talvez seja possível reconhecer que a inteligência artificial nunca constituiu o verdadeiro objeto desta reflexão. Ela serviu como ponto de partida para compreender uma transformação muito mais ampla, relacionada à forma como as revoluções tecnológicas reorganizam a economia e redistribuem o poder entre sociedades. Essa persp...
Série IA e China: A vantagem competitiva do século XXI
Ásia, China

Série IA e China: A vantagem competitiva do século XXI

Ao longo desta série, procurei desenvolver uma hipótese que, à primeira vista, pode parecer contraintuitiva. A inteligência artificial talvez não represente o principal ativo econômico da próxima década. À medida que modelos cada vez mais sofisticados se tornam amplamente disponíveis, seu acesso tende a deixar de constituir um diferencial competitivo isolado. Como ocorreu anteriormente com a eletricidade, a internet e outras grandes infraestruturas tecnológicas, a vantagem deixará de residir na tecnologia em si e passará a depender da capacidade de utilizá-la de maneira mais eficiente do que os demais. Essa conclusão conduz naturalmente a uma nova pergunta. Se todos poderão acessar sistemas semelhantes de inteligência artificial, o que continuará diferenciando empresas, regiões e países...
Série IA e China: O novo capitalismo da abundância
Ásia, China

Série IA e China: O novo capitalismo da abundância

Existe uma ideia que acompanha o pensamento econômico desde seus primeiros formuladores e que continua orientando grande parte das decisões de empresas e governos. Mercados funcionam porque determinados recursos são escassos. Quanto menor a disponibilidade de um bem desejado, maior tende a ser seu valor econômico. Essa lógica explica a formação dos preços de matérias-primas, o comportamento dos mercados financeiros e, sobretudo, o esforço permanente das empresas para desenvolver tecnologias exclusivas. Inovar sempre significou criar uma nova escassez. Enquanto poucos dominam determinado conhecimento ou tecnologia, é possível obter retornos extraordinários decorrentes dessa vantagem competitiva. A economia digital foi construída, em grande medida, sobre esse mesmo princípio. Empresas com...
Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?
Ásia, China

Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?

Quem controla a inteligência artificial? Ao longo dos últimos anos, a inteligência artificial passou a ocupar posição central nas discussões sobre economia, inovação e segurança internacional. Nesse contexto, tornou-se comum afirmar que o mundo assiste a uma corrida tecnológica entre Estados Unidos e China, na qual vencerá quem desenvolver os modelos mais sofisticados. Embora essa narrativa possua algum fundamento, ela simplifica excessivamente um fenômeno muito mais complexo. A própria pergunta que orienta boa parte desse debate, quem controla a inteligência artificial, talvez esteja formulada de maneira equivocada, pois pressupõe que exista um único centro de poder capaz de dominar essa tecnologia. Na realidade, a inteligência artificial não constitui um setor econômico isolado. El...
Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto
Ásia, China, Temas Globais

Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto

No artigo anterior, propus uma hipótese aparentemente paradoxal. Talvez a estratégia chinesa de disponibilizar modelos avançados de inteligência artificial de forma aberta ou a custos extremamente reduzidos não tenha como objetivo principal conquistar usuários. Seu propósito pode ser muito mais ambicioso: transformar a inteligência artificial em uma infraestrutura acessível a todos. Se essa hipótese estiver correta, a consequência mais importante não será tecnológica. Será econômica. Para compreender essa mudança, vale recordar como normalmente percebemos as grandes inovações. Quando surge uma nova tecnologia, nossa atenção costuma concentrar-se sobre o objeto visível. No século XIX, as pessoas acreditavam que a grande inovação era a lâmpada elétrica. Mais tarde, imaginou-se que a inter...
Série IA e China: A abundância como arma geopolítica
Ásia, China

Série IA e China: A abundância como arma geopolítica

Durante muito tempo, a competição em inteligência artificial pareceu seguir um roteiro conhecido. Empresas investiam dezenas de bilhões de dólares para desenvolver modelos cada vez mais sofisticados, protegiam seu código, restringiam o acesso às versões mais avançadas e monetizavam essa vantagem por meio de assinaturas, licenças e contratos corporativos. A lógica era simples. Quem construísse o melhor modelo capturaria a maior parte do mercado. Nos últimos meses, porém, essa narrativa começou a apresentar fissuras. Modelos chineses como DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM passaram a demonstrar desempenho próximo ao dos principais sistemas americanos, mas seguindo uma estratégia radicalmente distinta. Em vez de restringir o acesso, foram disponibilizados de forma aberta ou a custos extremamente r...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...
Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria

A disputa entre China e Estados Unidos entrou em uma nova fase e Taiwan passou a ocupar o centro dessa rivalidade. Nos últimos meses, Pequim intensificou exercícios militares ao redor da ilha, ampliou incursões aéreas e reforçou discursos sobre reunificação, enquanto Washington aumentou apoio político, militar e tecnológico aos taiwaneses. O que antes parecia apenas uma questão regional asiática tornou-se um dos pontos mais perigosos da geopolítica mundial, capaz de desencadear uma crise econômica global e até um conflito militar de grandes proporções. O problema de Taiwan possui raízes históricas profundas. Após a vitória comunista na guerra civil chinesa em 1949, o governo nacionalista derrotado fugiu para a ilha e estabeleceu ali a República da China. Desde então, Pequim considera Ta...
A lenta erosão do dólar e a ascensão das moedas nacionais
Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Organizações Internacionais, Oriente Médio

A lenta erosão do dólar e a ascensão das moedas nacionais

A transformação do sistema internacional já começou, mesmo que grande parte do debate público ainda esteja concentrada em temas tradicionais como guerras, eleições ou disputas comerciais. Em diferentes regiões do planeta, governos passaram a ampliar o uso de moedas nacionais em transações bilaterais, reduzindo gradualmente a dependência do dólar. O movimento não ocorre apenas por razões econômicas, mas também por motivos estratégicos, geopolíticos e de soberania. Quanto maior a dependência do dólar, maior também a vulnerabilidade dos países às decisões tomadas em Washington e aos impactos das políticas monetárias americanas. Por isso, a transição para um sistema mais descentralizado aparece hoje como uma necessidade crescente para boa parte do mundo emergente. Durante décadas, o dólar f...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...