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Américas

A CELAC e a difícil construção de uma América Latina independente
Américas, Brasil

A CELAC e a difícil construção de uma América Latina independente

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos nasceu com uma ambição muito maior do que sua capacidade institucional: permitir que América Latina e Caribe construam um espaço próprio de articulação política e consigam relacionar-se com as grandes potências sem que Washington, Pequim ou qualquer outro centro de poder determine antecipadamente os limites dessas relações. Essa função se torna particularmente importante em um momento no qual os Estados Unidos voltam a tratar explicitamente o hemisfério ocidental como área prioritária de sua segurança, enquanto a China amplia comércio, investimentos e presença política em praticamente toda a região. Para o Brasil, a CELAC deveria ser compreendida menos como mais uma organização destinada a produzir declarações diplomáticas e mais como ...
O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Rússia

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial

A aproximação entre China e Rússia está deixando de ser apenas uma parceria entre duas grandes potências para se transformar em parte de uma disputa muito maior sobre quem terá poder para definir as regras internacionais nas próximas décadas. Pequim e Moscou defendem abertamente mudanças na governança global, procuram fortalecer organizações como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai e questionam a concentração de poder existente nas instituições criadas sob forte influência dos Estados Unidos e da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, permanecer distante desse movimento seria um erro estratégico, não porque o país deva escolher entre Ocidente e Oriente, mas porque precisa estar presente nos espaços onde as regras do futuro estão sendo discutidas. A formaçã...
O Brasil entre a autonomia e o alinhamento
Américas, Brasil

O Brasil entre a autonomia e o alinhamento

A eleição presidencial de 2026 coloca diante do Brasil duas concepções distintas de política externa, embora nenhuma delas responda plenamente ao principal desafio que o país enfrentará nos próximos anos: preservar sua autonomia em um sistema internacional cada vez mais marcado pela disputa entre grandes potências. Luiz Inácio Lula da Silva propõe aprofundar uma estratégia baseada na diversificação das relações internacionais, no fortalecimento dos BRICS e do Mercosul e na aproximação com países do chamado Sul Global. Flávio Bolsonaro apresenta uma política que se define como pragmática e orientada para resultados econômicos, mas que atribui importância particular à reconstrução das relações com Estados Unidos, Israel e Argentina e aparece acompanhada, na prática, por uma aproximação polít...
Quando os Estados Unidos deixam de querer o mundo
Américas, Estados Unidos

Quando os Estados Unidos deixam de querer o mundo

Durante boa parte do último século, uma das maiores vantagens dos Estados Unidos não esteve em seu território, em suas reservas naturais ou mesmo em suas empresas. Esteve na capacidade de atrair pessoas. Cientistas europeus, engenheiros indianos, empreendedores chineses, médicos latino-americanos, pesquisadores africanos e estudantes de praticamente todas as regiões do planeta ajudaram a construir universidades, empresas e centros tecnológicos norte-americanos. Agora, o governo de Donald Trump está colocando em questão uma parte desse modelo. A ampliação das restrições, revisões e revogações de vistos pode satisfazer uma parcela importante do eleitorado norte-americano no curto prazo, mas também cria uma contradição estratégica: na tentativa de proteger os Estados Unidos dos estrangeiros, ...
O mundo não está desglobalizando está construindo globalizações rivais
Américas, Ásia, China, Japão

O mundo não está desglobalizando está construindo globalizações rivais

Durante os últimos anos, a ideia de desglobalização tornou-se uma das explicações mais utilizadas para compreender a economia mundial. Guerras comerciais, tarifas, sanções, nacionalismo econômico, conflitos militares e a busca por cadeias produtivas mais seguras pareciam indicar que o longo ciclo de integração iniciado nas últimas décadas do século XX estava chegando ao fim. A realidade, porém, está mostrando algo diferente. A globalização não desapareceu. Ela está sendo reorganizada. O comércio internacional continua gigantesco, as cadeias globais de produção permanecem fundamentais e empresas continuam dependendo de fornecedores distribuídos por vários continentes. Em 2025, o comércio mundial alcançou um novo recorde, impulsionado especialmente pela Ásia, pelo comércio Sul-Sul e pelas...
O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Índia, Rússia

O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?

O Sul Global tornou-se uma das expressões mais utilizadas para explicar a transformação da política internacional. Brasil, Índia, China, África do Sul, Indonésia, Arábia Saudita, Nigéria e dezenas de outros países aparecem reunidos sob uma mesma categoria que procura representar o deslocamento gradual do poder econômico e político para além do núcleo tradicional formado pelos Estados Unidos, Europa e Japão. O problema é que esses países possuem interesses, regimes políticos, níveis de desenvolvimento e prioridades estratégicas profundamente diferentes. A pergunta, portanto, tornou-se inevitável: o Sul Global realmente existe? A resposta depende do que esperamos encontrar. Se procurarmos uma aliança organizada, com objetivos comuns e disposição para agir coletivamente, provavelmente n...
A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, França, Índia, Rússia

A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la

A transformação mais importante da política internacional contemporânea talvez não seja a ascensão da China, o enfraquecimento relativo dos Estados Unidos ou o crescimento do chamado Sul Global. É a combinação desses movimentos em um sistema no qual nenhum país consegue estabelecer sozinho as regras, mas tampouco existe um grupo suficientemente coeso para substituí-las. A multipolaridade deixou de ser uma previsão sobre o futuro e passou a fazer parte do presente. O problema é que o mundo aprendeu a distribuir poder antes de aprender a administrá-lo. Durante muito tempo, falar em multipolaridade significava imaginar o surgimento de novos centros de poder capazes de reduzir a predominância norte-americana. Essa transformação aconteceu. China, Índia, Rússia, Brasil, Turquia, Arábia Saudit...
O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras
Américas, Brasil

O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, mas ainda não possui uma estratégia nacional capaz de transformar essa riqueza geológica em poder econômico, tecnológico e geopolítico. Em um mundo que avança rapidamente para a eletrificação da economia, a inteligência artificial, a indústria de defesa de alta tecnologia e a transição energética, a ausência de uma empresa estatal dedicada ao setor pode condenar o país a repetir um velho padrão histórico: exportar matéria-prima barata e importar produtos industrializados de alto valor agregado. As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de comunicação, semicondutores, radares, mísseis e pra...
A energia verde que nem sempre é verde
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A energia verde que nem sempre é verde

A transição energética tornou-se uma das principais bandeiras políticas do Ocidente nas últimas décadas. Estados Unidos e União Europeia apresentam-se como líderes globais da luta contra as mudanças climáticas, pressionando governos, empresas e instituições financeiras a adotarem metas cada vez mais rígidas de descarbonização. Ao mesmo tempo, porém, cresce o debate sobre uma contradição cada vez mais evidente: enquanto exigem profundas transformações energéticas dos países em desenvolvimento, as próprias potências ocidentais continuam recorrendo a fontes energéticas altamente poluentes quando seus interesses econômicos e estratégicos estão em jogo. Mais do que uma discussão ambiental, a questão energética passou a ocupar o centro da disputa geopolítica global. Controlar fluxos de energi...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...