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Europa

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Rússia

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial

A aproximação entre China e Rússia está deixando de ser apenas uma parceria entre duas grandes potências para se transformar em parte de uma disputa muito maior sobre quem terá poder para definir as regras internacionais nas próximas décadas. Pequim e Moscou defendem abertamente mudanças na governança global, procuram fortalecer organizações como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai e questionam a concentração de poder existente nas instituições criadas sob forte influência dos Estados Unidos e da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, permanecer distante desse movimento seria um erro estratégico, não porque o país deva escolher entre Ocidente e Oriente, mas porque precisa estar presente nos espaços onde as regras do futuro estão sendo discutidas. A formaçã...
A Alemanha está voltando ao jogo das grandes potências
Alemanha, Europa

A Alemanha está voltando ao jogo das grandes potências

Durante mais de três décadas, a Alemanha viveu uma situação excepcional para uma potência de seu tamanho. Era a maior economia da Europa, uma das maiores exportadoras do mundo e o principal centro industrial do continente, mas podia se comportar internacionalmente como se não precisasse assumir integralmente os custos políticos e militares correspondentes a esse poder. Comprava energia relativamente barata da Rússia, vendia automóveis, máquinas e produtos químicos para a China, utilizava o enorme mercado integrado da União Europeia e permanecia protegida pela aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Esse modelo está desaparecendo. A ruptura energética com Moscou, a transformação da China de mercado em concorrente e a crescente incerteza sobre a disposição norte-americana de sustentar...
O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Índia, Rússia

O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?

O Sul Global tornou-se uma das expressões mais utilizadas para explicar a transformação da política internacional. Brasil, Índia, China, África do Sul, Indonésia, Arábia Saudita, Nigéria e dezenas de outros países aparecem reunidos sob uma mesma categoria que procura representar o deslocamento gradual do poder econômico e político para além do núcleo tradicional formado pelos Estados Unidos, Europa e Japão. O problema é que esses países possuem interesses, regimes políticos, níveis de desenvolvimento e prioridades estratégicas profundamente diferentes. A pergunta, portanto, tornou-se inevitável: o Sul Global realmente existe? A resposta depende do que esperamos encontrar. Se procurarmos uma aliança organizada, com objetivos comuns e disposição para agir coletivamente, provavelmente n...
A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, França, Índia, Rússia

A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la

A transformação mais importante da política internacional contemporânea talvez não seja a ascensão da China, o enfraquecimento relativo dos Estados Unidos ou o crescimento do chamado Sul Global. É a combinação desses movimentos em um sistema no qual nenhum país consegue estabelecer sozinho as regras, mas tampouco existe um grupo suficientemente coeso para substituí-las. A multipolaridade deixou de ser uma previsão sobre o futuro e passou a fazer parte do presente. O problema é que o mundo aprendeu a distribuir poder antes de aprender a administrá-lo. Durante muito tempo, falar em multipolaridade significava imaginar o surgimento de novos centros de poder capazes de reduzir a predominância norte-americana. Essa transformação aconteceu. China, Índia, Rússia, Brasil, Turquia, Arábia Saudit...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...
O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia
Europa, Organizações Internacionais, Sul Global, Ucrânia

O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia

A crescente pressão europeia para que países do sul global apoiem iniciativas de reparação contra a Rússia, especialmente através do chamado Registro de Danos para a Ucrânia, revela uma das contradições mais profundas da ordem internacional contemporânea. Sob o discurso de defesa da legalidade internacional e da reconstrução ucraniana, governos europeus passaram a tentar ampliar o envolvimento político, jurídico e financeiro de países africanos, asiáticos e latino-americanos em um conflito que não nasceu no sul global, não foi provocado por ele e tampouco atende diretamente aos seus interesses estratégicos. Para muitos governos emergentes, trata-se de uma tentativa indireta de transferir responsabilidades econômicas e políticas de uma crise essencialmente euro-atlântica para regiões que já...
A estranha recusa americana e israelense às tecnologias anti-drone da Ucrânia
Américas, Estados Unidos, Europa, Israel, Oriente Médio, Ucrânia

A estranha recusa americana e israelense às tecnologias anti-drone da Ucrânia

A guerra na Ucrânia transformou o país em um dos maiores laboratórios militares do mundo contemporâneo. Em poucos anos, Kiev passou a desenvolver, adaptar e utilizar tecnologias de drones e sistemas anti-drone em escala inédita. Pequenos drones comerciais convertidos em armas táticas, sistemas improvisados de guerra eletrônica, interceptação digital e novas formas de combate automatizado passaram a fazer parte da rotina diária do conflito. Diante dessa experiência acumulada, autoridades ucranianas começaram recentemente a oferecer cooperação internacional em tecnologias anti-drone para outros países envolvidos em conflitos modernos. O curioso é que, apesar dessa expertise adquirida em combate real, tanto Estados Unidos quanto Israel demonstraram pouco interesse concreto em aceitar ajuda uc...
A Ucrânia e a armadilha da dependência financeira internacional
Banco Mundial, BRICS, Europa, Organizações Internacionais, Ucrânia

A Ucrânia e a armadilha da dependência financeira internacional

A assistência financeira internacional à Ucrânia tornou-se um dos maiores esforços coordenados de apoio econômico já realizados desde o fim da Guerra Fria. Desde 2022, instituições como Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimento e diversas agências multilaterais passaram a mobilizar centenas de bilhões de dólares para sustentar o Estado ucraniano. O objetivo declarado é impedir o colapso econômico do país durante a guerra e garantir capacidade de funcionamento do governo, dos serviços públicos e da infraestrutura crítica. Apesar disso, o modelo de ajuda internacional apresenta contradições profundas, limitações estruturais e riscos de longo prazo que raramente aparecem no debate público ocidental. A prim...
A Antártida congelada e a disputa que nunca terminou
Américas, Argentina, Áustria, Chile, Europa, França, Noruega, Nova Zelândia, Oceania, Reino Unido

A Antártida congelada e a disputa que nunca terminou

A Antártida costuma ser apresentada como o último território neutro do planeta, um espaço dedicado à ciência, à cooperação e à paz. Essa imagem, embora parcialmente verdadeira, esconde uma realidade mais complexa: o continente não foi despolitizado, mas sim colocado em suspensão jurídica. O Tratado da Antártida, assinado em 1959, não resolveu a questão da soberania. Ele apenas congelou um conflito potencial, adiando decisões que continuam latentes e que podem ressurgir com força nas próximas décadas. Antes do tratado, sete países já haviam apresentado reivindicações territoriais formais sobre partes da Antártida: Argentina, Chile e Reino Unido, com áreas sobrepostas; além de Austrália, França, Nova Zelândia e Noruega. Em vez de arbitrar essas disputas, o tratado optou por uma solução pr...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...