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Organizações Internacionais

A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão
Américas, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Cuba, Estados Unidos, OEA, Organizações Internacionais, Panamá

A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão

A arquitetura internacional atual atravessa um processo de corrosão acelerada, e uma parte importante dessa deterioração passa pela forma como os Estados Unidos têm atuado. No plano global, isso aparece na normalização de sanções unilaterais, na pressão sobre terceiros países, na instrumentalização de alianças e na substituição de fóruns multilaterais por decisões de força. No plano regional, especialmente na América Latina, o efeito é ainda mais visível: em vez de fortalecer mecanismos próprios de concertação, Washington tem empurrado a região para uma lógica de alinhamento, securitização e disputa geopolítica. O resultado não é ordem. É instabilidade.  O problema central é que a arquitetura global depende de previsibilidade, regras e algum respeito à soberania. Quando grandes pot...
O cartel possível e o poder esquecido das commodities
Américas, Argentina, Brasil, OPEP, Organizações Internacionais

O cartel possível e o poder esquecido das commodities

A ideia de que países produtores possam se organizar para controlar oferta, preços e cadeias estratégicas não é nova, mas continua sendo tratada como exceção no debate internacional. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo transformou-se, ao longo de décadas, em um exemplo concreto de como recursos naturais podem ser convertidos em poder político e econômico. Fora do petróleo, no entanto, essa lógica raramente é aplicada com a mesma ambição. Para países como o Brasil, essa ausência não é apenas uma lacuna institucional. É uma oportunidade histórica negligenciada. O Brasil ocupa posições centrais em diversos mercados globais. É líder ou protagonista na produção de soja, carne bovina, café, açúcar, minério de ferro e, cada vez mais, em produtos ligados à transição energética, co...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...
A nova fronteira invisível da desigualdade digital
Américas, Ásia, Brasil, Chile, China, Índia, México, Organizações Internacionais, Sul Global

A nova fronteira invisível da desigualdade digital

A crescente pressão de países desenvolvidos para regulamentar a inteligência artificial tem sido apresentada como um esforço necessário para garantir segurança, ética e transparência no uso dessas tecnologias. No entanto, por trás desse discurso normativo, emerge uma dinâmica mais profunda e menos debatida: a utilização da regulação como instrumento de poder, capaz de reorganizar hierarquias globais e consolidar uma nova forma de dependência tecnológica. Para o Sul Global, esse movimento pode representar não apenas exclusão digital, mas a consolidação de uma espécie de colonização digital moderna. A lógica é sutil, mas eficaz. Ao estabelecer padrões técnicos, requisitos de governança e critérios de certificação altamente complexos, os países mais avançados em tecnologia criam barreiras ...
Américas, Estados Unidos, ONU, Organizações Internacionais

A erosão silenciosa da ordem internacional

A crescente interferência de Estados sobre outros sem respaldo claro no ordenamento jurídico internacional tem se consolidado como uma das principais características da atual fase das relações globais, com os Estados Unidos ocupando papel central nesse processo e contribuindo para o enfraquecimento das regras que sustentaram a ordem internacional no pós-Guerra Fria. Esse movimento, marcado por ações unilaterais, sanções extraterritoriais e intervenções indiretas, tem provocado reações em diferentes regiões do mundo e alimentado uma transição rumo a um sistema mais fragmentado e imprevisível. Nas últimas décadas, a arquitetura jurídica internacional foi construída sobre princípios como soberania, não intervenção e resolução multilateral de conflitos. Instituições como as Nações Unidas fo...
O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Sul Global, União Europeia, Venezuela

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global

Nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia passaram a adotar uma estratégia cada vez mais agressiva para restringir o transporte marítimo de petróleo e gás provenientes de países considerados adversários políticos. Por meio de sanções financeiras, limites de preços e restrições a navios, seguros e portos, essas políticas procuram reduzir as receitas energéticas de estados como Rússia, Irã e Venezuela. Embora apresentadas como instrumentos de pressão política ou de defesa da ordem internacional, essas medidas levantam questionamentos importantes sobre sua compatibilidade com o direito internacional e sobre os efeitos que podem gerar na estabilidade econômica e geopolítica global. O comércio marítimo de hidrocarbonetos sempre foi uma das bases da economia mundial moderna. Grande pa...
O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana
África, Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Egito, Etiópia, Europa, Índia, Irã, Nigéria, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana

A aproximação entre China, Rússia, Irã e um conjunto crescente de países da Ásia, África e América Latina não é apenas uma soma de acordos bilaterais dispersos. Ela revela a tentativa de construção de um eixo político e econômico alternativo à ordem internacional liderada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda que esse movimento não se apresente como uma aliança formal nos moldes da Guerra Fria, seus contornos indicam a formação de um campo de cooperação estratégica que desafia, direta ou indiretamente, a hegemonia americana. O símbolo mais visível dessa articulação é a expansão do grupo dos BRICS. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco passou a incorporar novos membros do Oriente Médio e da África, ampliando seu peso e...
Os ODS entre a promessa de progresso e o risco de controle global
ONU, Organizações Internacionais

Os ODS entre a promessa de progresso e o risco de controle global

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas em 2015, representam uma das mais ambiciosas agendas globais já criadas para orientar o desenvolvimento econômico, social e ambiental do planeta. Estruturados em 17 objetivos e dezenas de metas específicas, eles procuram enfrentar problemas históricos como pobreza, desigualdade, degradação ambiental e acesso desigual a serviços básicos. Ao mesmo tempo, porém, os ODS também levantam um debate importante sobre poder, governança global e autonomia nacional. Para alguns analistas, a agenda representa uma tentativa legítima de coordenar esforços globais em torno de desafios comuns. Para outros, ela pode funcionar como um mecanismo indireto de padronização e controle das estratégias de desenvolvim...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
O ataque ao Irã e o temor de mudança de regime no Oriente Médio
África, Américas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Líbia, Organizações Internacionais, Oriente Médio, OTAN, Turquia

O ataque ao Irã e o temor de mudança de regime no Oriente Médio

A história mostra que revoluções e guerras nem sempre produzem apenas confrontos diretos. Muitas vezes produzem algo mais silencioso: medo político. No final do século XVIII, quando a Revolução Francesa derrubou a monarquia e inaugurou um novo tipo de poder baseado na mobilização popular, os reis da Europa perceberam que o perigo não estava apenas em Paris. O verdadeiro risco era que o exemplo francês se espalhasse. Mais de duzentos anos depois, a recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã e a tentativa explícita de enfraquecer ou derrubar o regime de Teerã pode produzir um fenômeno semelhante no Oriente Médio: governantes observando o que aconteceu e temendo ser os próximos. No final de fevereiro (de 2026), uma operação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel ati...