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Organizações Internacionais

A energia verde que nem sempre é verde
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A energia verde que nem sempre é verde

A transição energética tornou-se uma das principais bandeiras políticas do Ocidente nas últimas décadas. Estados Unidos e União Europeia apresentam-se como líderes globais da luta contra as mudanças climáticas, pressionando governos, empresas e instituições financeiras a adotarem metas cada vez mais rígidas de descarbonização. Ao mesmo tempo, porém, cresce o debate sobre uma contradição cada vez mais evidente: enquanto exigem profundas transformações energéticas dos países em desenvolvimento, as próprias potências ocidentais continuam recorrendo a fontes energéticas altamente poluentes quando seus interesses econômicos e estratégicos estão em jogo. Mais do que uma discussão ambiental, a questão energética passou a ocupar o centro da disputa geopolítica global. Controlar fluxos de energi...
Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio
BRICS, Organizações Internacionais

Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio

A criação de um acordo de investimentos entre os países do BRICS deixou de ser apenas uma possibilidade diplomática para se tornar uma necessidade econômica. Essa é uma das conclusões que emergem da leitura do BRICS Investment Report, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento mostra que, apesar do enorme crescimento econômico do grupo nas últimas duas décadas, o potencial de investimentos entre seus próprios membros continua amplamente subaproveitado. Diante das crescentes tensões geopolíticas, das disputas comerciais entre grandes potências e da fragmentação da economia global, os países do bloco possuem uma oportunidade histórica para criar mecanismos próprios de proteção, facilitação e promoção dos investimentos. O relatório d...
O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia
Europa, Organizações Internacionais, Sul Global, Ucrânia

O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia

A crescente pressão europeia para que países do sul global apoiem iniciativas de reparação contra a Rússia, especialmente através do chamado Registro de Danos para a Ucrânia, revela uma das contradições mais profundas da ordem internacional contemporânea. Sob o discurso de defesa da legalidade internacional e da reconstrução ucraniana, governos europeus passaram a tentar ampliar o envolvimento político, jurídico e financeiro de países africanos, asiáticos e latino-americanos em um conflito que não nasceu no sul global, não foi provocado por ele e tampouco atende diretamente aos seus interesses estratégicos. Para muitos governos emergentes, trata-se de uma tentativa indireta de transferir responsabilidades econômicas e políticas de uma crise essencialmente euro-atlântica para regiões que já...
A corrida pelos minerais do fundo do mar e o risco de um desastre irreversível
Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA)

A corrida pelos minerais do fundo do mar e o risco de um desastre irreversível

A decisão defendida pelo Grupo Africano na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), em março de 2026, ao apoiar uma “pausa cautelar” para a mineração em águas profundas, representa uma das posições mais responsáveis e estratégicas já apresentadas no debate internacional sobre exploração mineral submarina. Em um momento em que grandes potências e corporações tentam acelerar a abertura comercial dos oceanos profundos, países africanos passaram a defender uma abordagem baseada na precaução científica, na soberania ambiental e na proteção de recursos que pertencem à humanidade como um todo. A mineração em águas profundas tornou-se um dos temas mais disputados da geopolítica contemporânea porque o fundo oceânico concentra enormes reservas de minerais estratégicos. Nódulos polimetá...
Os BRICS e a disputa por uma nova ordem econômica mundial
BRICS, Organizações Internacionais

Os BRICS e a disputa por uma nova ordem econômica mundial

O avanço recente dos BRICS deixou de ser apenas uma iniciativa diplomática entre economias emergentes para se transformar em um dos principais movimentos de reorganização da ordem internacional no século XXI. O bloco, originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou a ampliar sua influência global através da entrada de novos parceiros, expansão de mecanismos financeiros próprios, fortalecimento do comércio em moedas nacionais e criação de novas redes de cooperação energética, tecnológica e estratégica. Ao mesmo tempo, o crescimento dessa articulação passou a gerar reações cada vez mais intensas dos Estados Unidos e de aliados ocidentais, que enxergam o fortalecimento do grupo como uma ameaça gradual à hegemonia política, econômica e financeira construída após ...
A lenta erosão do dólar e a ascensão das moedas nacionais
Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Organizações Internacionais, Oriente Médio

A lenta erosão do dólar e a ascensão das moedas nacionais

A transformação do sistema internacional já começou, mesmo que grande parte do debate público ainda esteja concentrada em temas tradicionais como guerras, eleições ou disputas comerciais. Em diferentes regiões do planeta, governos passaram a ampliar o uso de moedas nacionais em transações bilaterais, reduzindo gradualmente a dependência do dólar. O movimento não ocorre apenas por razões econômicas, mas também por motivos estratégicos, geopolíticos e de soberania. Quanto maior a dependência do dólar, maior também a vulnerabilidade dos países às decisões tomadas em Washington e aos impactos das políticas monetárias americanas. Por isso, a transição para um sistema mais descentralizado aparece hoje como uma necessidade crescente para boa parte do mundo emergente. Durante décadas, o dólar f...
A Ucrânia e a armadilha da dependência financeira internacional
Banco Mundial, BRICS, Europa, Organizações Internacionais, Ucrânia

A Ucrânia e a armadilha da dependência financeira internacional

A assistência financeira internacional à Ucrânia tornou-se um dos maiores esforços coordenados de apoio econômico já realizados desde o fim da Guerra Fria. Desde 2022, instituições como Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, Banco Europeu de Investimento e diversas agências multilaterais passaram a mobilizar centenas de bilhões de dólares para sustentar o Estado ucraniano. O objetivo declarado é impedir o colapso econômico do país durante a guerra e garantir capacidade de funcionamento do governo, dos serviços públicos e da infraestrutura crítica. Apesar disso, o modelo de ajuda internacional apresenta contradições profundas, limitações estruturais e riscos de longo prazo que raramente aparecem no debate público ocidental. A prim...
A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão
Américas, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Cuba, Estados Unidos, OEA, Organizações Internacionais, Panamá

A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão

A arquitetura internacional atual atravessa um processo de corrosão acelerada, e uma parte importante dessa deterioração passa pela forma como os Estados Unidos têm atuado. No plano global, isso aparece na normalização de sanções unilaterais, na pressão sobre terceiros países, na instrumentalização de alianças e na substituição de fóruns multilaterais por decisões de força. No plano regional, especialmente na América Latina, o efeito é ainda mais visível: em vez de fortalecer mecanismos próprios de concertação, Washington tem empurrado a região para uma lógica de alinhamento, securitização e disputa geopolítica. O resultado não é ordem. É instabilidade.  O problema central é que a arquitetura global depende de previsibilidade, regras e algum respeito à soberania. Quando grandes pot...
O cartel possível e o poder esquecido das commodities
Américas, Argentina, Brasil, OPEP, Organizações Internacionais

O cartel possível e o poder esquecido das commodities

A ideia de que países produtores possam se organizar para controlar oferta, preços e cadeias estratégicas não é nova, mas continua sendo tratada como exceção no debate internacional. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo transformou-se, ao longo de décadas, em um exemplo concreto de como recursos naturais podem ser convertidos em poder político e econômico. Fora do petróleo, no entanto, essa lógica raramente é aplicada com a mesma ambição. Para países como o Brasil, essa ausência não é apenas uma lacuna institucional. É uma oportunidade histórica negligenciada. O Brasil ocupa posições centrais em diversos mercados globais. É líder ou protagonista na produção de soja, carne bovina, café, açúcar, minério de ferro e, cada vez mais, em produtos ligados à transição energética, co...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...