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Volta da esquerda ao poder nos países nórdicos

Jonas Gahr Støre, líder do Partido Trabalhista da Noruega – esquerda assume o poder

Por Karen Andersson & Laura Rossi

Em uma nova sintonia política, os 5 países nórdicos (Noruega, Suécia, Finlândia, Islândia e Dinamarca) estão alinhados com a volta da esquerda ao poder após quase 60 anos. No começo do último mês de setembro, a Noruega, até então sendo o único país escandinavo liderado por um governo conservador, elegeu Jonas Gahr Støre, líder do partido trabalhista, para o cargo de primeiro-ministro. Støre direcionou sua campanha e seu discurso às “pessoas comuns”, o que encantou a população. Este encanto pode ser visto nos números, que mostraram um recorde de mais de 1,6 milhão de noruegueses registrando seu voto (não obrigatório no país), representando assim 42,3% do eleitorado. Além disso, devido à pandemia da Covid-19, o povo norueguês vem se posicionando em prol de um Estado mais presente e que promova menor desigualdade no país, refletindo em uma maior participação política por sua parte.

De modo geral, a esquerda reforça a preservação do estado de bem-estar social e engajamento com a agenda climática. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com os dados divulgados em 2020, os países nórdicos se encontram muito bem posicionados no ranking de melhores IDHs do mundo. Além disso, as 5 nações estão também no topo da lista de países com população mais feliz no mundo, no Índice de Felicidade Global da ONU. Portanto, é perceptível que todas essas questões estão interligadas, pois uma vez que há respeito à diversidade e acesso aos direitos básicos (como baixa desigualdade social, segurança, educação e saúde de qualidade), forma-se uma sociedade satisfeita e feliz, o que contribui para o progresso social e o bom posicionamento desses países nos índices de desenvolvimento.

       Segundo pesquisas, um dos principais motivos que explicam a vitória da ala centro-esquerda nas eleições é o tema ambiental. Afinal, após intensas enchentes, alarmantes incêndios e o preocupante aumento de temperatura em toda a Europa, principalmente durante o último verão, a atenção da população europeia, como um todo, nunca esteve tão voltada a essa questão como atualmente. A preocupação foi ampliada com a apresentação do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), levando o secretário geral da ONU, António Guterres, a definir a situação como um “alerta vermelho à humanidade”. No entanto, como de costume, a questão ambiental contrasta fortemente com âmbitos econômicos e financeiros.

Tomando como exemplo o caso da Noruega, a situação não é diferente. O país não só é o maior produtor de petróleo da Europa ocidental, como sua indústria petrolífera também equivale a 14% do PIB nacional, 40% de suas exportações e gera cerca de 160 mil empregos. Por ser essencial à economia norueguesa, o petróleo provoca um embate contraditório na nação quando posto contra questões ambientais, evidenciando um nítido conflito de interesse.

Dessa forma, ainda que a esquerda se encontre no poder em todos os países nórdicos atualmente, isso não significa que a direita esteja, necessariamente, perdendo força. Segundo Jonas Hinnfors, cientista político da Universidade de Gotemburgo, “os últimos resultados eleitorais podem ser atribuídos a divisões na direita e no centro, e não tanto a um suposto revigoramento da esquerda”. O argumento de Hinnfors é sustentado por Yohann Aucante, especialista em temas nórdicos da Universidade de Ciências Sociais de Paris (EHESS), que afirma uma condição de fragilidade da atual conjuntura de “5 por 5” governos de esquerda na região.

Além dos partidos de centro e direita ainda se manterem influentes, muitas das medidas e posicionamentos dos partidos de esquerda nos países escandinavos inclinam-se a um aspecto mais conservador. Isso é retratado, por exemplo, nas rígidas medidas anti-imigração dos 5 países impostas pelos próprios partidos trabalhistas. Com isso, apesar do atual alinhamento político dos países nórdicos, um governo de esquerda não necessariamente implica na adoção de políticas mais progressistas.

REFERÊNCIAS

Paredes, Norberto. “O que significa a volta da esquerda nos 5 países nórdicos”. BBC, 23 de Setembro de 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58662615

“Países mais felizes e infelizes do mundo em 2021”. Idealista news, 02 de Julho de 2021. Disponível em: https://www.idealista.pt/news/financas/economia/2021/07/01/47977-os-paises-mais-felizes-e-infelizes-do-mundo-e-2021-sao

“All five Scandinavian countries now have centre-left govts. But the right hasn’t been reduced to irrelevance”. The Indian express, 21 de Setembro de 2021. Disponível em: https://indianexpress.com/article/opinion/editorials/far-right-centre-left-governments-brexit-us-7523345/

“Mulheres deixam de ser maioria no parlamento islandês após recontagem de votos”. Estado de Minas, 26 de Setembro de 2021. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/09/26/interna_internacional,1309046/mulheres-deixam-de-ser-maioria-no-parlamento-islandes-apos-recontagem-de-vo.shtml

Barreto, Marcelo Menna. “centro-esquerda passa a comandar países nórdicos”. Extra classe, 21 de Setembro de 2021

https://www.extraclasse.org.br/politica/2021/09/centro-esquerda-passa-a-comandar-paises-nordicos/

“Noruega continua apostando no petróleo apesar das advertências”. Estado de Minas, 11 de Junho de 2021. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/06/11/interna_internacional,1275809/noruega-continua-apostando-no-petroleo-apesar-das-advertencias.shtml

Préel, Marc e  Deshayes, Henry Pierre. “Is the Nordic swing to the left nothing but an illusion?”. The local, 15 de Setembro de 2021. Disponível em: https://www.thelocal.se/20210915/analysis-is-the-nordic-swing-to-the-left-nothing-but-an-illusion/ 

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