ISSN 2674-8053

O que acontecerá caso a venda de energia nuclear francesa para a Europa seja interrompida?

Electricite de France – Usina Dampierre-en-Burly, França. Foto Reuters

Por Bárbara Daguer e Gabriela Delgado

A França é responsável pela segunda maior produção de energia nuclear do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos (FIEP, 2011). Explicando de maneira simples, energia é originada do núcleo dos átomos, sendo as menores partículas de qualquer matéria. Dependendo do elemento utilizado, a formação ou destruição de uma partícula libera enormes quantidades de energia.

Aproximadamente 70% da base energética deste país localizado na Europa Ocidental é originada pela energia atômica (DW, 2022). Apesar de ser considerada uma energia extremamente limpa, por não liberar CO2 e nenhum lixo tóxico, alguns países europeus estão optando por abandonar a energia nuclear, devido às probabilidades de acidentes. Um país que deixou de usar quase totalmente essa fonte de energia é a Alemanha, existindo apenas 3 reatores no país. Já a Bélgica que iria desativar suas usinas e adiou o feito 2035 (DW, 2022). Entretanto, os países que estão fazendo essa opção são minoria, e países como Bulgária e Espanha almejam expandir suas produções.

A França é a principal exportadora de energia elétrica na Europa, vendendo essa fonte principalmente para a Itália e Reino Unido (DW, 2022). Até 2025, Paris pretendia reduzir em 50% a participação da energia nuclear, porém esse projeto foi adiado em dez anos (DW, 2022). Essa ação afetaria diretamente a Europa, especialmente os países da Europa Central, e consequentemente aumentaria os preços da energia, dizem analistas do Barclays Bank. 

O recente anúncio da Electricité de France (EDF) de que os reatores nucleares da França podem apresentar defeitos é o principal assunto do país sobre a energia atômica. Entre 1978 e 2002 a EDF instalou 58 reatores, o que gerou uma dependência por energia nuclear por parte da França, e isso resultou em uma infraestrutura de energia antiquada, tornando-se necessário programas de modernização (UOL, 2022).

Entretanto, com a Guerra da Ucrânia, a crise energética e a aproximação do inverno, a França mudou seus planos e almeja construir até 14 novos reatores nucleares com objetivo de diminuir as emissões de gases de efeito estufa, com o propósito de conter os instáveis preços da energia do país (CNN, 2022). O investimento mais profundo na energia nuclear significa uma mudança na política de Emmanuel Macron, que havia prometido se afastar da energia nuclear (CNN, 2022).

Portanto, é possível concluir que caso a França, maior exportadora de corrente elétrica

da Europa interrompesse sua distribuição de energia nuclear, diversos países, principalmente os localizados no centro do continente seriam gravemente afetados. Entretanto, a tendência desse tipo de energia é de expansão, principalmente na França, que já demonstra planos de construir diversas usinas em seu território nos próximos anos.

Referências

Sem Autor. Agenda – 10 maiores produtores de energia nuclear do mundo. Rotas Estratégicas – Observatórios – Fiep. Fiepr.org.br. Disponível em: <https://www.fiepr.org.br/observatorios/energia/FreeComponent21893content185813.shtml>. Acesso em: 19 set. 2022.

‌ATAMAN, Joseph. França anuncia planos para construir até 14 reatores nucleares. Cnnbrasil.com.br. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/business/franca-anuncia-planos-para-construir-ate-14-reatores-nucleares/>. Acesso em: 19 set. 2022.

POVO, Gazeta do. A França deve reativar reatores nucleares para garantir energia no inverno. Gazeta do Povo. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/franca-deve-reativar-reatores-nucleares>. Acesso em: 19 set. 2022.

‌RIEGERT, Bernd. Como cada país da UE lida com a energia nuclear. dw.com. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-cada-pa%C3%ADs-da-ue-lida-com-a-energia-nuclear/>. Acesso em: 19 set. 2022.

O que acontecerá caso a venda de energia nuclear francesa para a Europa seja interrompida?

Por Bárbara Daguer e Gabriela Delgado

A França é responsável pela segunda maior produção de energia nuclear do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos (FIEP, 2011). Explicando de maneira simples, energia é originada do núcleo dos átomos, sendo as menores partículas de qualquer matéria. Dependendo do elemento utilizado, a formação ou destruição de uma partícula libera enormes quantidades de energia.

Aproximadamente 70% da base energética deste país localizado na Europa Ocidental é originada pela energia atômica (DW, 2022). Apesar de ser considerada uma energia extremamente limpa, por não liberar CO2 e nenhum lixo tóxico, alguns países europeus estão optando por abandonar a energia nuclear, devido às probabilidades de acidentes. Um país que deixou de usar quase totalmente essa fonte de energia é a Alemanha, existindo apenas 3 reatores no país. Já a Bélgica que iria desativar suas usinas e adiou o feito 2035 (DW, 2022). Entretanto, os países que estão fazendo essa opção são minoria, e países como Bulgária e Espanha almejam expandir suas produções.

A França é a principal exportadora de energia elétrica na Europa, vendendo essa fonte principalmente para a Itália e Reino Unido (DW, 2022). Até 2025, Paris pretendia reduzir em 50% a participação da energia nuclear, porém esse projeto foi adiado em dez anos (DW, 2022). Essa ação afetaria diretamente a Europa, especialmente os países da Europa Central, e consequentemente aumentaria os preços da energia, dizem analistas do Barclays Bank. 

O recente anúncio da Electricité de France (EDF) de que os reatores nucleares da França podem apresentar defeitos é o principal assunto do país sobre a energia atômica. Entre 1978 e 2002 a EDF instalou 58 reatores, o que gerou uma dependência por energia nuclear por parte da França, e isso resultou em uma infraestrutura de energia antiquada, tornando-se necessário programas de modernização (UOL, 2022).

Entretanto, com a Guerra da Ucrânia, a crise energética e a aproximação do inverno, a França mudou seus planos e almeja construir até 14 novos reatores nucleares com objetivo de diminuir as emissões de gases de efeito estufa, com o propósito de conter os instáveis preços da energia do país (CNN, 2022). O investimento mais profundo na energia nuclear significa uma mudança na política de Emmanuel Macron, que havia prometido se afastar da energia nuclear (CNN, 2022).

Portanto, é possível concluir que caso a França, maior exportadora de corrente elétrica

da Europa interrompesse sua distribuição de energia nuclear, diversos países, principalmente os localizados no centro do continente seriam gravemente afetados. Entretanto, a tendência desse tipo de energia é de expansão, principalmente na França, que já demonstra planos de construir diversas usinas em seu território nos próximos anos.

Referências

Sem Autor. Agenda – 10 maiores produtores de energia nuclear do mundo. Rotas Estratégicas – Observatórios – Fiep. Fiepr.org.br. Disponível em: <https://www.fiepr.org.br/observatorios/energia/FreeComponent21893content185813.shtml>. Acesso em: 19 set. 2022.

‌ATAMAN, Joseph. França anuncia planos para construir até 14 reatores nucleares. Cnnbrasil.com.br. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/business/franca-anuncia-planos-para-construir-ate-14-reatores-nucleares/>. Acesso em: 19 set. 2022.

POVO, Gazeta do. A França deve reativar reatores nucleares para garantir energia no inverno. Gazeta do Povo. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/franca-deve-reativar-reatores-nucleares>. Acesso em: 19 set. 2022.

‌RIEGERT, Bernd. Como cada país da UE lida com a energia nuclear. dw.com. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-cada-pa%C3%ADs-da-ue-lida-com-a-energia-nuclear/>. Acesso em: 19 set. 2022.

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