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O papel do Brasil na agenda verde global, potenciais e desafios

O Brasil, com sua vasta biodiversidade e recursos naturais, desempenha um papel crucial na agenda verde global. Como o país que abriga a maior parte da Amazônia, considerada o “pulmão do mundo”, o Brasil possui uma responsabilidade significativa na mitigação das mudanças climáticas e na conservação da biodiversidade. Os potenciais e desafios enfrentados pelo país nessa agenda são vastos e complexos.

O principal potencial do Brasil na agenda verde reside em sua riqueza natural. A Amazônia, que cobre aproximadamente 60% do território brasileiro, é fundamental para a regulação do clima global, pois absorve enormes quantidades de dióxido de carbono. Além disso, o país é um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, destacando-se na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Este recurso renovável tem o potencial de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa quando comparado aos combustíveis fósseis.

Outro ponto forte do Brasil é a matriz energética predominantemente renovável. Cerca de 83% da eletricidade gerada no país provém de fontes renováveis, como hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares. Esta infraestrutura coloca o Brasil em uma posição vantajosa para liderar a transição energética global, promovendo práticas sustentáveis e tecnologias limpas.

Entretanto, os desafios são numerosos e complexos. O desmatamento na Amazônia é uma das questões mais urgentes. Apesar das políticas de conservação, a área continua a sofrer com a extração ilegal de madeira, queimadas e conversão de floresta para pastagem e agricultura. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amazônia atingiu um pico alarmante em 2020, com uma perda de mais de 11 mil quilômetros quadrados de floresta . Essa destruição não apenas libera grandes quantidades de CO2, mas também ameaça a biodiversidade e as comunidades indígenas que dependem da floresta.

Além disso, o desenvolvimento econômico frequentemente entra em conflito com as metas ambientais. Projetos de infraestrutura, como estradas e barragens, são essenciais para o crescimento econômico, mas podem causar impactos ambientais significativos. A gestão sustentável desses projetos é fundamental para equilibrar o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. Políticas públicas robustas e enforcement eficaz são necessários para garantir que o progresso econômico não comprometa os recursos naturais do país.

A pressão internacional também desempenha um papel importante. O Brasil é frequentemente alvo de críticas de países e organizações não governamentais (ONGs) devido às suas políticas ambientais e ao manejo da Amazônia. Essa pressão pode ser uma força motriz para a implementação de políticas mais verdes, mas também pode gerar tensões diplomáticas. Um exemplo recente é a pressão para que o Brasil reduza suas taxas de desmatamento e adote práticas agrícolas mais sustentáveis, como parte de compromissos internacionais como o Acordo de Paris.

A sociedade civil brasileira tem mostrado um crescente engajamento na agenda verde. Movimentos ambientalistas, ONGs e iniciativas comunitárias estão na linha de frente da conservação e da promoção da sustentabilidade. A educação ambiental e a conscientização pública são essenciais para mobilizar a população em prol de uma agenda verde mais robusta.

Por outro lado, a participação do setor privado é vital. Empresas estão cada vez mais cientes de suas responsabilidades ambientais e estão adotando práticas sustentáveis em suas operações. O investimento em tecnologia verde e a adesão a princípios de ESG (ambiental, social e governança) estão se tornando cada vez mais comuns no cenário empresarial brasileiro.

O Brasil tem um papel vital na agenda verde global devido à sua biodiversidade, capacidade de produção de energia renovável e recursos naturais únicos. No entanto, enfrenta desafios significativos, como o desmatamento e a necessidade de equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Com políticas públicas eficazes, pressão internacional, engajamento da sociedade civil e participação do setor privado, o Brasil pode liderar a transição para um futuro mais sustentável, contribuindo de maneira significativa para a mitigação das mudanças climáticas e a conservação da biodiversidade global.

Rodrigo Cintra
Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X

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