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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
Série IA e China: O novo capitalismo da abundância
Ásia, China

Série IA e China: O novo capitalismo da abundância

Existe uma ideia que acompanha o pensamento econômico desde seus primeiros formuladores e que continua orientando grande parte das decisões de empresas e governos. Mercados funcionam porque determinados recursos são escassos. Quanto menor a disponibilidade de um bem desejado, maior tende a ser seu valor econômico. Essa lógica explica a formação dos preços de matérias-primas, o comportamento dos mercados financeiros e, sobretudo, o esforço permanente das empresas para desenvolver tecnologias exclusivas. Inovar sempre significou criar uma nova escassez. Enquanto poucos dominam determinado conhecimento ou tecnologia, é possível obter retornos extraordinários decorrentes dessa vantagem competitiva. A economia digital foi construída, em grande medida, sobre esse mesmo princípio. Empresas com...
Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?
Ásia, China

Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?

Quem controla a inteligência artificial? Ao longo dos últimos anos, a inteligência artificial passou a ocupar posição central nas discussões sobre economia, inovação e segurança internacional. Nesse contexto, tornou-se comum afirmar que o mundo assiste a uma corrida tecnológica entre Estados Unidos e China, na qual vencerá quem desenvolver os modelos mais sofisticados. Embora essa narrativa possua algum fundamento, ela simplifica excessivamente um fenômeno muito mais complexo. A própria pergunta que orienta boa parte desse debate, quem controla a inteligência artificial, talvez esteja formulada de maneira equivocada, pois pressupõe que exista um único centro de poder capaz de dominar essa tecnologia. Na realidade, a inteligência artificial não constitui um setor econômico isolado. El...
Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto
Ásia, China, Temas Globais

Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto

No artigo anterior, propus uma hipótese aparentemente paradoxal. Talvez a estratégia chinesa de disponibilizar modelos avançados de inteligência artificial de forma aberta ou a custos extremamente reduzidos não tenha como objetivo principal conquistar usuários. Seu propósito pode ser muito mais ambicioso: transformar a inteligência artificial em uma infraestrutura acessível a todos. Se essa hipótese estiver correta, a consequência mais importante não será tecnológica. Será econômica. Para compreender essa mudança, vale recordar como normalmente percebemos as grandes inovações. Quando surge uma nova tecnologia, nossa atenção costuma concentrar-se sobre o objeto visível. No século XIX, as pessoas acreditavam que a grande inovação era a lâmpada elétrica. Mais tarde, imaginou-se que a inter...
Série IA e China: A abundância como arma geopolítica
Ásia, China

Série IA e China: A abundância como arma geopolítica

Durante muito tempo, a competição em inteligência artificial pareceu seguir um roteiro conhecido. Empresas investiam dezenas de bilhões de dólares para desenvolver modelos cada vez mais sofisticados, protegiam seu código, restringiam o acesso às versões mais avançadas e monetizavam essa vantagem por meio de assinaturas, licenças e contratos corporativos. A lógica era simples. Quem construísse o melhor modelo capturaria a maior parte do mercado. Nos últimos meses, porém, essa narrativa começou a apresentar fissuras. Modelos chineses como DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM passaram a demonstrar desempenho próximo ao dos principais sistemas americanos, mas seguindo uma estratégia radicalmente distinta. Em vez de restringir o acesso, foram disponibilizados de forma aberta ou a custos extremamente r...
O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras
Américas, Brasil

O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, mas ainda não possui uma estratégia nacional capaz de transformar essa riqueza geológica em poder econômico, tecnológico e geopolítico. Em um mundo que avança rapidamente para a eletrificação da economia, a inteligência artificial, a indústria de defesa de alta tecnologia e a transição energética, a ausência de uma empresa estatal dedicada ao setor pode condenar o país a repetir um velho padrão histórico: exportar matéria-prima barata e importar produtos industrializados de alto valor agregado. As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de comunicação, semicondutores, radares, mísseis e pra...
A energia verde que nem sempre é verde
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A energia verde que nem sempre é verde

A transição energética tornou-se uma das principais bandeiras políticas do Ocidente nas últimas décadas. Estados Unidos e União Europeia apresentam-se como líderes globais da luta contra as mudanças climáticas, pressionando governos, empresas e instituições financeiras a adotarem metas cada vez mais rígidas de descarbonização. Ao mesmo tempo, porém, cresce o debate sobre uma contradição cada vez mais evidente: enquanto exigem profundas transformações energéticas dos países em desenvolvimento, as próprias potências ocidentais continuam recorrendo a fontes energéticas altamente poluentes quando seus interesses econômicos e estratégicos estão em jogo. Mais do que uma discussão ambiental, a questão energética passou a ocupar o centro da disputa geopolítica global. Controlar fluxos de energi...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...
Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio
BRICS, Organizações Internacionais

Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio

A criação de um acordo de investimentos entre os países do BRICS deixou de ser apenas uma possibilidade diplomática para se tornar uma necessidade econômica. Essa é uma das conclusões que emergem da leitura do BRICS Investment Report, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento mostra que, apesar do enorme crescimento econômico do grupo nas últimas duas décadas, o potencial de investimentos entre seus próprios membros continua amplamente subaproveitado. Diante das crescentes tensões geopolíticas, das disputas comerciais entre grandes potências e da fragmentação da economia global, os países do bloco possuem uma oportunidade histórica para criar mecanismos próprios de proteção, facilitação e promoção dos investimentos. O relatório d...
Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira
Américas, Brasil, Estados Unidos

Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira

A história da América Latina nas últimas décadas mostra que a influência dos Estados Unidos continua sendo um dos fatores mais importantes para compreender a dinâmica política, econômica e estratégica da região. Embora a Guerra Fria tenha terminado há mais de trinta anos, Washington permanece como o principal ator externo no continente americano, utilizando instrumentos diplomáticos, econômicos, militares e financeiros para defender seus interesses. Nesse contexto, o Brasil enfrenta um desafio permanente: preservar sua autonomia estratégica sem romper relações com a maior potência do planeta. A influência norte-americana na América Latina não é um fenômeno recente. Desde o século XIX, a chamada Doutrina Monroe estabeleceu a ideia de que o continente americano constituía uma área de inte...
Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria

A disputa entre China e Estados Unidos entrou em uma nova fase e Taiwan passou a ocupar o centro dessa rivalidade. Nos últimos meses, Pequim intensificou exercícios militares ao redor da ilha, ampliou incursões aéreas e reforçou discursos sobre reunificação, enquanto Washington aumentou apoio político, militar e tecnológico aos taiwaneses. O que antes parecia apenas uma questão regional asiática tornou-se um dos pontos mais perigosos da geopolítica mundial, capaz de desencadear uma crise econômica global e até um conflito militar de grandes proporções. O problema de Taiwan possui raízes históricas profundas. Após a vitória comunista na guerra civil chinesa em 1949, o governo nacionalista derrotado fugiu para a ilha e estabeleceu ali a República da China. Desde então, Pequim considera Ta...