Brasil

De Pompeo à ONU, a difícil sustentação da ideia de não-interferência
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De Pompeo à ONU, a difícil sustentação da ideia de não-interferência

Foto William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress O desgaste da visita do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, à Roraima só aumenta. No artigo O Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA vimos as razões eleitoreiras da visita, agora vemos impacto sobre a própria política brasileira. Interessante observar um posicionamento tímido tanto do Ministério de Relações Exteriores quando da presidência do Brasil enquanto há uma grita de parlamentares de destaque. O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia declarou que a visita "não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa". No Senado Federal não foi diferente, a ponto da Comissão de Relações Exteriores ter aprovad...
Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA
Américas, Brasil, Estados Unidos

Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA

Foto: Jason Leysner/AFP Em 18/9/2020 o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, fez uma rápida visita ao Brasil. Dada a importância do cargo era de se esperar uma agenda importante entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Mas a realidade foi bem diferente: o governo brasileiro abriu as portas do território para que o Secretário pudesse fazer campanha política para a re-eleição do atual presidente Donald Trump. A visita se quer ocorreu em Brasília, onde poderíam ser adequadamente implementados todos os protocolos exigidos para um Secretário dos Estados Unidos (equivalente a um ministro, no Brasil). Também não serviu para as trocas de intenções ou mesmo assinaturas de acordos de cooperação. Foi uma visita inusitada à Roraima. Por que? Para compreender melhor a...
Brasil perde espaço para China na América do Sul
Américas, Argentina, Ásia, Brasil, China

Brasil perde espaço para China na América do Sul

Presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Xi JinPing (China) O Brasil é um país com tamanho desproporcional em relação a seus vizinhos, especialmente em termos econômicos. O resultado disto é que o país acaba desempenhando "naturalmente" uma força gravitacional, fazendo com que os demais países sul-americanos acabem tendo suas economias muito dependentes com a economia brasileira. Essa condição não era diferente nem mesmo quando considerávamos a outra grande economia da região: Argentina. Historicamente os argetinos tinham no Brasil o maior destino de suas exportações. Em setembro e outubro de 2019 a China ocupou essa primazia, sendo o principal destino das exportações argentinas. Foi por uma diferença pequena e durou só esses dois meses, o que parecia ser algo transitório. Mas a rea...
Alinhar não é submeter – o estranho caso Brasil/Estados Unidos
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Alinhar não é submeter – o estranho caso Brasil/Estados Unidos

President Donald J. Trump welcomes President Jair Bolsonaro of the Federative Republic of Brazil to the White House Tuesday, March 19, 2019 (Official White House Photo by Tia Dufour) Em diferentes ocasiões podemos ver como lideranças do governo brasileiro afirmam o alinhamento que buscam com os Estados Unidos. Do presidente Bolsonaro e seus filhos ao chanceler Ernesto Araújo, é possível ver declarações de como estamos alinhados e como isso trará benefícios ao país. Interessante notar que não conseguem expor quais benefícios teremos, reduzindo muito do discurso a uma visão ideológica superficial, na qual dizem que é a forma de evitar a esquerda. Muito deste posicionamento é resultante de uma visão mais limitada sobre o sistema internacional, percebendo os Estados dentro de uma dualid...
América Latina e BRICS: para onde o Brasil deve olhar
Américas, Brasil, BRICS, China, Estados Unidos

América Latina e BRICS: para onde o Brasil deve olhar

A política externa brasileira atual tem ocorrido erraticamente. Ainda que se defenda que ela busca novos alinhamentos, a verdade é que não tem uma linha clara, baseada na busca pelos interesses do país. Mas nem tudo é culpa da atual direção que é impressa à política externa, o mundo tem mudado e colocado novos desafios. Há muito a polaridade estruturante da Guerra Fria acabou. Desde então o mundo vem passando por importantes movimentos de reorganização das forças, forçando os Estados a buscarem posicionamentos políticos que lhes ofereçam mais retornos. Nos últimos 10 anos, em particular, essa busca por reordenamento do sistema internacional ficou ainda mais confusa. Hoje o dito sistema multilateral está mostrando limites cada vez maiores, ao mesmo tempo em que vemos algumas potências i...
O problema da política externa brasileira não é a ideologia, mas a ausência de projeto
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O problema da política externa brasileira não é a ideologia, mas a ausência de projeto

Presidente da República, Jair Bolsonaro durante coletiva com a imprensa com o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Marcos Corrêa/PR. A política externa brasileira sempre foi motivo de orgulho do país, sobretudo em função da internacionalmente reconhecida capacidade de seus diplomatas. Os diplomatas brasileiros conseguiram desempenhar um papel apaziguador em incontáveis momentos. Seja pela criatividade em encontrar novos equilíbrios entre movimentos dissonantes, seja pelo posicionamento ponderado defendido. Esse perfil dos diplomatas não é algo deste ou daquele governo, não é algo da esquerda ou da direita, de uma visão de mundo desenvolvimentista ou liberal. É fruto de vários fatores, como um ministério que se mostrou capaz de forma quadros com competênc...
Ocidente x Oriente x Covid-19 = ???
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Ocidente x Oriente x Covid-19 = ???

" Oh, East is East, and West is West, and never the twain shall meet,Till Earth and Sky stand presently at God's great Judgment Seat;But there is neither East nor West, Border, nor Breed, nor Birth,When two strong men stand face to face, though they come from the ends of the earth! "("The Ballad of East and West", poema de Rudyard Kipling") Este poema que Rudyard Kipling escreveu em 1889, em plena luta da Índia pela independência do Raj Britânico, parece ser mais que nunca atual nestes tempos de covid-19. Esta reflexão me veio à mente quando assisti a vídeo-conferência entre influentes personalidades políticas e acadêmicas brasileiras – o Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Embaixador Sergio Amaral e os professores Sergio Fausto e José Pio Borges - com o cientista político norte-am...
Jair Messias Bolsonaro e o “agent provocateur”
Américas, Brasil

Jair Messias Bolsonaro e o “agent provocateur”

Jair Bolsonaro - Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasi  “Agent provocateur” é o nome que a ciência política dá aquele agitador que infiltrado nas hostes do inimigo, causa prejuízos imensos. Não se sabe de onde ele vem, mas sabe-se que causará acidente mortal para um dos lados. Sim, o presidente já teve um acidente no interior de Minas onde o suspeito é um “agent provocateur”. Quando da Revolução de 64, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica arcaram com o peso todo de suportar a contra revolução vinda de setores da esquerda, inclusive com suas posições armadas e que apelando com violência tentavam desestabilizar os governantes da época -os militares. Assim foi de 64 a 85. Por essa ocasião, Bolsonaro tomou corajosa e constante posição em defesa de seus colegas de farda...
Negócio(s) da China
Américas, Brasil, China

Negócio(s) da China

Reuters/David Becker A recente desistência da Boeing do contrato de parceria firmado com a Embraer em meio a uma das maiores crises do setor aeronáutico destes últimos tempos levantou dúvidas sobre o futuro da empresa brasileira. Esta crise coincide com o momento em que a pandemia da Covid19 assola o planeta e causa um enorme estrago no universo da aviação internacional: as companhias aéreas sofreram uma diminuição de mais de 90% do volume de passageiros e suas frotas foram reduzidas em 60%. Com uma grande capacidade ociosa, essas companhias e, por extensão, os fabricantes de aeronaves, assistem o mercado minguar e têm os seus projetos e compromissos cada vez mais ameaçados. Em meio a este clima de forte tensão, a Embraer foi notificada "monocraticamente" pela Boeing, no dia 25 de a...
Brasil e China: encontros e desencontros
Américas, Brasil, China

Brasil e China: encontros e desencontros

Tenho escutado e lido muitas opiniões disparatadas sobre a China e sobre o nosso relacionamento bilateral. Muitas destas opiniões provêm de pré-conceitos e os consequentes preconceitos daqueles que não tendo convivido e acompanhado o que está ocorrendo na República Popular da China, e em toda a Ásia, percebem esta realidade de forma distorcida, com consequências graves para o nosso relacionamento com o nosso principal parceiro comercial e, mais que tudo, um parceiro estratégico, como confirmamos oficial e diplomaticamente em duas ocasiões: primeiramente em 1993, quando formamos uma “Parceria Estratégica”, e em 2012, quando a elevamos a “Parceria Global”. Para entendermos o que está ocorrendo vamos recorrer às lições que a História nos ensina. Contrariamente ao que pouco se sabe, a ...