ISSN 2674-8053

As Coreias se aproximam

A julgar pelos √ļltimos acontecimentos no tortuoso processo de reaproxima√ß√£o das duas Coreias, parece que elas est√£o chegando, finalmente, ao que importa…E sem as “b√™n√ß√£os” de D.T…

Passados os dias do encontro entre Kim Jong-un e Donald Trump num luxuoso resort na costa sul de Cingapura, em junho passado, do qual subsistem, pelo menos at√© agora, apenas um documento generalista (na ocasi√£o, Kim se comprometeu a obter, em termos vagos, “a desnucleariza√ß√£o da pen√≠nsula”) e as suspeitas de que, no fundo, tudo se tratou mais de uma “photo op” para justificar a incapacidade (?) do presidente americano de cumprir suas amea√ßas contra o norte-coreano, parece que, do lado das Coreias, a Hist√≥ria est√° andando… .

Pois √©…Kim Jong-un hospedar√°, a partir de hoje, por tr√™s dias, seu vizinho, Moon Jae-in, em Pyongyang, para uma reuni√£o de c√ļpula com vistas a (enfim ???), tentar encerrar um cap√≠tulo doloroso e inconcluso da Guerra Fria e da “heran√ßa” que compartilham desde o dia 27 de julho de 1953, quando a impossibilidade dos pa√≠ses + ONU envolvldos no conflito acabarem com uma guerra fratricida, desembocou num armist√≠cio, apenas.

A julgar pelas imagens que registraram a chegada do sul-coreano, acompanhado da esposa (o que acrescenta uma mensagem simbólica), o clima não poderia ser melhor. Kim recebeu pessoalmente o seu convidado no Aeroporto Internacional de Pyongyang, onde os dois dirigentes se abraçaram efusivamente. Mais ainda, este é o terceiro encontro entre ambos desde abril deste ano, quando se apertaram as mãos na zona desmilitarizada da fronteira entre os dois países..

A meu ver, ao presidente sul-coreano Moon Jae-in, fiel seguidor da pol√≠tica de acercamento entre as duas irm√£s – a “Sunshine Policy” – de Kim Dae-jung, o presidente sul-coreano que, por seus esfor√ßos recebeu o “Pr√™mio Nobel da Paz”, em 2000, cabe o principal reconhecimento por tudo o que est√° acontecendo. Desde que tomou posse, em maio do ano passado, Moon tem-se empenhado em retomar o di√°logo. For√ßoso √© reconhecer que no af√£ de D.T. de “roubar a cena” no processo de desnucleariza√ß√£o da pen√≠nsula – “American style”-, Moon viu-se relegado ao papel de coadjuvante num processo no qual √©, junto com Kim, o principal interessado, e benefici√°rio…

A Historia se incumbir√° de “colocar os pingos nos is”, assim espero. Mais ainda, a Hist√≥ria tamb√©m reconhecer√° o papel fundamental que a China de Xi Jinping desempenhou em todo o processo.Diferentemente da estrid√™ncia dos americanos, os chineses mantiveram, com grande destreza – e sabedoria- o “low profile” requerido para o bom encaminhamento das negocia√ß√Ķes. Afinal, n√£o podemos esquecer de que foi a Pequim que o mandat√°rio norte-coreano se deslocou antes de iniciar os primeiros movimentos de aproxima√ß√£o.

De de tudo o que aconteceu fica a li√ß√£o: “os c√£es ladram e a caravana passa”, ou seja, o principal de toda esta h(H)ist√≥ria √© que as duas irm√£s est√£o finalmente buscando o entendimento. E assim, “la Nave Va”…

Pergunta que n√£o quer se calar: e se Kim Jong-un (ironia) e Moon Jae-in forem galardoados com o “Pr√™mio Nobel da Paz”???????

Aconselho aos amigos que leiam a matéria abaixo.


Presidente sul-coreano chega √† Coreia do Norte para 3¬™ c√ļpula com Kim Jong-un

L√≠der norte-coreano recebeu Moon Jae-in no Aeroporto Internacional de Pyongyang. O presidente sul-coreano Moon Jae-in acena ao caminhar ao lado do l√≠der norte-coreano Kim Jong-um no aeroporto de Pyongyang AFP O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, chegou a Pyongyang nesta ter√ßa-feira (18) para sua terceira c√ļpula com Kim Jong-un, enquanto tenta reiniciar as negocia√ß√Ķes de desnucleariza√ß√£o entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Centenas de pessoas se alinharam no asfalto do aeroporto internacional de Pyongyang – onde Kim supervisionou o lan√ßamento de m√≠sseis no ano passado enquanto as tens√Ķes aumentavam – exibindo bandeiras norte-coreanas e da pen√≠nsula n√£o dividida. Kim recebeu pessoalmente o seu convidado no Aeroporto Internacional de Pyongyang, onde os dois dirigentes se abra√ßaram ap√≥s Moon descer as escadas do avi√£o. Os dois l√≠deres, acompanhados de suas esposas, riram durante alguns minutos. Moon, cujos pais fugiram do Norte durante a Guerra da Coreia, passar√° tr√™s dias na Coreia do Norte, seguindo assim os passos de seus antecessores Kim Dae-jung, que viajou a Pyongyang no ano 2000, e Roh Moo-hyun, seu mentor e que visitou o vizinho em 2007. Esta visita pouco frequente √© um novo sinal do atual degelo na pen√≠nsula, que j√° permitiu uma primeira c√ļpula intercoreana, no final de abril, na localidade de Panmunjom, situada na Zona Desmilitarizada que separa as duas Coreias. O presidente sul-coreano, que voltou a se reunir com Kim em maio, teve um papel-chave para permitir a c√ļpula hist√≥rica entre o l√≠der norte-coreano e o presidente americano, Donald Trump, em 12 de junho em Singapura. Na ocasi√£o, Kim se comprometeu a obter “a desnucleariza√ß√£o da pen√≠nsula”, uma meta confusa que permite todo tipo de interpreta√ß√£o. De fato, Washington e Pyongyang ainda tratam de chegar a um acordo sobre o significado exato deste compromisso. Moon e Kim, que mostraram uma boa rela√ß√£o pessoal durante seus encontros anteriores, se reunir√£o ao menos duas vezes em Pyongyang. O presidente sul-coreano tentar√° convencer as autoridades do Norte a adotar medidas significativas para o desarmamento.

Originalmente disponível em https://www.noticias.srv.br/2018/09/18/presidente-sul-coreano-chega-a-coreia-do-norte-para-3a-cupula-com-kim-jong-un/

Fausto Godoy
Doutor em Direito Internacional P√ļblico em Paris. Ingressou na carreira diplom√°tica em 1976, serviu nas embaixadas de Bruxelas, Buenos Aires, Nova D√©li, Washington, Pequim, T√≥quio, Islamabade (onde foi Embaixador do Brasil, em 2004). Tamb√©m cumpriu miss√Ķes transit√≥rias no Vietn√£ e Taiwan. Viveu 15 anos na √Āsia, para onde orientou sua carreira por considerar que o continente seria o mais importante do s√©culo 21 ‚Äď previs√£o que, agora, v√™ cada vez mais perto da realidade.