Os impactos da segunda onda do Coronavírus na economia europeia

Autoras Isabela Paez Halak e Natália Yuri Kitayama

Após a estagnação econômica devido à primeira onda do Coronavírus na Europa, a economia europeia retomou seu crescimento lentamente. Entre julho e setembro, o PIB dos países da União Europeia cresceu 12,1%. No entanto, as possíveis restrições com a segunda onda do vírus preveem uma nova recessão.

Segundo uma previsão feita em novembro da Comissão Europeia, o PIB da zona do euro diminuirá em 7,8% este ano e a recuperação em 2021 será lenta, com crescimento de 4,2%, o que demonstra uma diminuição de 1,9% em relação à estimativa de julho.

Esses números são resultados das novas medidas de restrição adotadas pelos europeus. A Alemanha, a maior economia da União Europeia, impôs um lockdown que fechou bares, restaurantes, cinemas, teatros e academias, enquanto a França proibiu o funcionamento dos serviços não essenciais, a não ser por escolas e fábricas. Essas precauções afetam negativamente o comércio em geral. Um exemplo são as lojas, que estarão fechadas durante o fim do ano, período em que mais vendem devido às datas comemorativas. Contudo, as pessoas não deixaram de comprar nessa época, elas estão adquirindo produtos em lojas online. Ou seja, o mercado dos pequenos varejos foi tomado pelas grandes empresas, como a Amazon, que trabalham com e-commerce.

Os mais afetados pela recessão foram os jovens. Isso porque, em geral, essa faixa etária trabalha com vendas, turismo e hospitalidade, setores comprometidos pelas novas restrições. De acordo com o Eurostat, o número de desempregados com menos de 25 anos voltou a crescer em 2020, após anos de diminuição.

                A Comissão Europeia afirmou que as medidas contra a doença impactaram quatro vezes mais a economia que a crise de 2008, mesmo que esses efeitos sejam diferentes para cada país, assim como a recuperação. Com isso, a projeção do executivo europeu aponta que a dívida pública da zona do euro será de 101,7% do PIB, número que permanecerá alto em, pelo menos, dois anos, quando há indícios de que a economia europeia retornará ao normal.

Gráfico da CNBC

Referências Bibliográficas

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