ISSN 2674-8053

A mudança climática e os financiamentos da UE

Artigo elaborado por Luiza Minuci e Patrizia Setton

Durante a COP26, conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima, que ocorreu em novembro de 2021, no Reino Unido, a União Europeia tomou a decisão de aumentar o financiamento de combate às mudanças climáticas para 168,7 bilhões de euros. Desde setembro, a UE planejava trazer à tona a questão em Glasgow, já que os países ricos, os quais prometeram em 2009 fornecer 100 bilhões de dólares anualmente em função do financiamento climático, até hoje não cumpriram suas promessas.

​Durante uma reunião no dia 15 de setembro deste ano, o bloco europeu apelou aos Estados Unidos, para que juntos se comprometessem a ajudar financeiramente os países mais pobres a lidarem com as questões climáticas. “Mas esperamos que os Estados Unidos e nossos parceiros também deem um passo à frente. Isso é vital, porque fechar a lacuna de financiamento do clima juntos, com EUA e União Europeia, seria um forte sinal para a liderança climática global”, disse Ursula von der Leyen. No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia anunciou que a organização internacional já aumentaria, até 2027, seu financiamento em quatro bilhões de euros voltados aos países vulneráveis para lidar com a crise climática, montante proveniente do orçamento da UE. Com isso, o financiamento europeu chegaria a quase 30 bilhões de dólares.

No mês de outubro, a União Europeia anunciou que pressionaria os países desenvolvidos para além do financiamento, incentivando-os a reduzirem suas emissões de carbono, citando a principal causa da crise climática pela primeira vez em uma reunião da ONU, e a se atentarem aos impactos decorrentes da mudança climática. Neste discurso, países como China, Índia e Estados Unidos se comprometeram com a eliminação dos combustíveis fósseis, embora a promessa tenha sido abalada por um acordo de última hora entre EUA e China, respectivamente o maior produtor e o maior consumidor de combustíveis fósseis. Apesar do acordo, o comprometimento ainda segue, mesmo que tenha passado de “eliminação gradual” para “redução gradual” da emissão de carbono.

​Na COP26, a resposta aos países pobres, os quais são os mais afetados pelas mudanças climáticas, não foi a mais positiva, principalmente em relação ao receio apresentado pelos europeus e americanos sobre o estabelecimento de um mecanismo de financiamento. Diversos países africanos e não desenvolvidos mostraram-se descontentes com a posição, com destaque ao ministro do Meio Ambiente da Somália, o qual fez um pedido especial a essas potências para que “forneçam todo o seu apoio diplomático e financeiro” no apoio à África quanto à adaptação às mudanças. O arquipélago de Tuvalu, que apoiou o somaliano, ressaltou a importância do tema e lembrou a todos que está afundando.

A vulnerabilidade apresentada por estes países causou um impasse nos países ricos, que já se mostram relutantes em dar dinheiro de forma voluntária, um posicionamento majoritariamente americano, mas com apoio da União Europeia. Os europeus e os estadunidenses foram acusados pelos Estados mais pobres de não destinarem os recursos prometidos.

Os financiamentos foram todos apresentados em Glasgow, para que os 198 países signatários do Acordo de Paris, o cumprissem. Nessa discussão, o presidente americano, Joe Biden, trouxe a proposta de um financiamento de 3 bilhões de dólares por parte dos Estados Unidos, enquanto a proposta britânica anunciava 290 milhões de libras esterlinas para lidar com as decorrências das mudanças climáticas. Esses dados explicitam a diferença entre os financiamentos propostos pelas potências americanas e britânicas em relação à proposta europeia, ressaltando que o Reino Unido não faz mais parte do bloco europeu desde 2020.

Como resultado da COP26, foi possível observar uma falta de solidariedade entre os países, principalmente se tratando sobre vidas, porém, resultados foram alcançados. Ainda que houvesse uma oposição à ideia da criação de um fundo para os financiamentos por parte dos Estados Unidos e da UE, o Parlamento Europeu conseguiu um aumento de 850 milhões de euros para combate às mudanças no clima.

Referências bibliográficas:

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BBC NEWS – BRASIL. COP26: países em desenvolvimento acusam nações ricas de cobrar resultados sem entregar dinheiro. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59257035 . Acesso em: 24 nov. 2021.

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ÉPOCA NEGÓCIOS. UE promete mais 4 bilhões de euros para ajudar países pobres a lidar com clima. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2021/09/epoca-negocios-ue-promete-mais-4-bilhoes-de-euros-para-ajudar-paises-pobres-a-lidar-com-clima.html . Acesso em: 24 nov. 2021.

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O Núcleo de Estudos e Negócios Europeus (NENE) está ligado ao Centro Brasileiro de Estudos de Negócios Internacionais & Diplomacia Corporativa (CBENI) da ESPM-SP. Foi criado considerando a necessidade de estimular a comunidade acadêmica brasileira e latino-americana a compreender melhor suas relações com os europeus, buscando compreender e aprofundar a Parceria Estratégica Brasil – União Europeia.

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