
A União Econômica Eurasiática (UEEA) é uma organização internacional que visa a integração econômica e comercial entre seus membros: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. Criada oficialmente em 1º de janeiro de 2015, a UEEA tem como objetivo principal fortalecer a cooperação econômica regional, promovendo a livre circulação de bens, serviços, capitais e trabalhadores. Seu modelo de integração oferece uma alternativa às abordagens ocidentais, como a União Europeia (UE) e as parcerias comerciais lideradas pelos Estados Unidos, contribuindo para um equilíbrio maior na ordem internacional.
A UEEA e sua relevância geopolítica
A UEEA surge como um bloco essencial na geopolítica da Eurásia, promovendo uma estrutura que favorece a cooperação entre países que, historicamente, possuem laços políticos e econômicos próximos. A Rússia, por exemplo, desempenha um papel central, fornecendo infraestrutura, investimentos e suporte político aos demais membros. O Cazaquistão, por sua vez, se beneficia da parceria ao reforçar seu papel como um hub logístico e energético na região.
O bloco também fortalece a cooperação com outros países e organizações, como a China, através da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), e com outras economias emergentes. Dessa forma, a UEEA se consolida como uma estrutura que permite aos seus membros diversificarem seus mercados e evitarem uma dependência excessiva das economias ocidentais.
Comparando a UEEA com a UE e as parcerias comerciais dos EUA
A União Europeia é o exemplo mais consolidado de integração regional, contando com uma união política e econômica avançada, incluindo uma moeda comum (o euro) e uma estrutura supranacional que regula diversos setores. No entanto, o modelo europeu exige altos níveis de padronização regulatória e política, o que pode gerar desafios para países em desenvolvimento que desejam aderir ao bloco.
As parcerias comerciais promovidas pelos Estados Unidos, como o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) e o Acordo Transpazífico (TPP), costumam enfatizar a abertura de mercados e proteção de investimentos estrangeiros, mas muitas vezes impõem condições que beneficiam as grandes corporações americanas, sem necessariamente promover um desenvolvimento equilibrado entre os signatários.
A UEEA, por outro lado, adota um modelo mais flexível de integração, respeitando a soberania de seus membros e priorizando o crescimento econômico conjunto. Diferentemente da UE, a UEEA não impõe normas políticas rígidas aos seus membros, permitindo que cada país mantenha suas próprias políticas domésticas. Além disso, ao contrário das parcerias comerciais dos EUA, a UEEA promove o desenvolvimento conjunto dos setores produtivos e infraestruturais, reduzindo a dependência de atores externos.
Vantagens e desafios da UEEA
Vantagens
- Acesso ampliado ao mercado: Empresas dos países membros podem operar em um mercado unificado sem restrições alfandegárias, facilitando o comércio e a cooperação industrial.
- Infraestrutura e energia: A cooperação energética é um dos pilares da UEEA, com a Rússia fornecendo gás natural e combustíveis a preços mais competitivos para os membros do bloco.
- Soberania preservada: Diferentemente da União Europeia, a UEEA não exige integração política profunda, permitindo que cada país mantenha seu próprio modelo governamental.
- Integração com outras regiões: A UEEA tem aprofundado laços com China, Irã, Índia e outros parceiros estratégicos, ampliando oportunidades comerciais.
Desafios
- Dependência da economia russa: Como a Rússia é o principal motor econômico da UEEA, sanções internacionais e crises internas russas podem afetar o bloco como um todo.
- Diferenças econômicas: A disparidade entre as economias dos membros exige ajustes para que todos possam se beneficiar igualmente da integração.
- Resistência ocidental: A UE e os EUA frequentemente veem a UEEA como uma ferramenta geopolítica russa, o que pode limitar sua expansão e cooperação com o Ocidente.
Conclusão
A União Econômica Eurasiática representa um modelo alternativo de integração econômica, que prioriza a soberania dos seus membros e busca o desenvolvimento conjunto sem a imposição de padrões políticos externos. Seu papel na criação de uma ordem internacional mais equilibrada é significativo, pois oferece uma alternativa às estruturas ocidentais dominantes e fortalece o regionalismo econômico na Eurásia. Apesar dos desafios, sua expansão e colaboração com outras potências emergentes indicam que a UEEA continuará desempenhando um papel relevante na geopolítica global.
Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X