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China

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Rússia

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial

A aproximação entre China e Rússia está deixando de ser apenas uma parceria entre duas grandes potências para se transformar em parte de uma disputa muito maior sobre quem terá poder para definir as regras internacionais nas próximas décadas. Pequim e Moscou defendem abertamente mudanças na governança global, procuram fortalecer organizações como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai e questionam a concentração de poder existente nas instituições criadas sob forte influência dos Estados Unidos e da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, permanecer distante desse movimento seria um erro estratégico, não porque o país deva escolher entre Ocidente e Oriente, mas porque precisa estar presente nos espaços onde as regras do futuro estão sendo discutidas. A formaçã...
O mundo não está desglobalizando está construindo globalizações rivais
Américas, Ásia, China, Japão

O mundo não está desglobalizando está construindo globalizações rivais

Durante os últimos anos, a ideia de desglobalização tornou-se uma das explicações mais utilizadas para compreender a economia mundial. Guerras comerciais, tarifas, sanções, nacionalismo econômico, conflitos militares e a busca por cadeias produtivas mais seguras pareciam indicar que o longo ciclo de integração iniciado nas últimas décadas do século XX estava chegando ao fim. A realidade, porém, está mostrando algo diferente. A globalização não desapareceu. Ela está sendo reorganizada. O comércio internacional continua gigantesco, as cadeias globais de produção permanecem fundamentais e empresas continuam dependendo de fornecedores distribuídos por vários continentes. Em 2025, o comércio mundial alcançou um novo recorde, impulsionado especialmente pela Ásia, pelo comércio Sul-Sul e pelas...
A China descobriu os limites do seu próprio poder
Ásia, China

A China descobriu os limites do seu próprio poder

Durante décadas, a ascensão da China foi apresentada como uma trajetória quase inevitável. O país crescia mais rapidamente do que as principais economias ocidentais, transformava-se na fábrica do mundo, acumulava reservas, modernizava suas Forças Armadas e ampliava sua presença na Ásia, África e América Latina. A pergunta parecia simples: quando a China alcançaria os Estados Unidos e passaria a disputar diretamente a liderança mundial? Essa pergunta continua importante, mas já não é suficiente. A China tornou-se poderosa demais para ser contida facilmente, mas ainda não é poderosa o suficiente para reorganizar o sistema internacional segundo seus interesses. Essa diferença entre possuir poder e conseguir transformá-lo em liderança talvez seja um dos aspectos mais importantes da polít...
A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, França, Índia, Rússia

A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la

A transformação mais importante da política internacional contemporânea talvez não seja a ascensão da China, o enfraquecimento relativo dos Estados Unidos ou o crescimento do chamado Sul Global. É a combinação desses movimentos em um sistema no qual nenhum país consegue estabelecer sozinho as regras, mas tampouco existe um grupo suficientemente coeso para substituí-las. A multipolaridade deixou de ser uma previsão sobre o futuro e passou a fazer parte do presente. O problema é que o mundo aprendeu a distribuir poder antes de aprender a administrá-lo. Durante muito tempo, falar em multipolaridade significava imaginar o surgimento de novos centros de poder capazes de reduzir a predominância norte-americana. Essa transformação aconteceu. China, Índia, Rússia, Brasil, Turquia, Arábia Saudit...
Série IA e China: Depois da inteligência artificial
Ásia, China

Série IA e China: Depois da inteligência artificial

Depois da inteligência artificial Ao longo desta série, a inteligência artificial ocupou o centro da discussão. Partimos da estratégia chinesa de desenvolver modelos abertos, analisamos a transformação da IA em infraestrutura, examinamos a reorganização das cadeias globais de valor e discutimos como empresas e países precisarão adaptar suas instituições para uma economia em que a inteligência se torna progressivamente abundante. Ao final desse percurso, contudo, talvez seja possível reconhecer que a inteligência artificial nunca constituiu o verdadeiro objeto desta reflexão. Ela serviu como ponto de partida para compreender uma transformação muito mais ampla, relacionada à forma como as revoluções tecnológicas reorganizam a economia e redistribuem o poder entre sociedades. Essa persp...
Série IA e China: A vantagem competitiva do século XXI
Ásia, China

Série IA e China: A vantagem competitiva do século XXI

Ao longo desta série, procurei desenvolver uma hipótese que, à primeira vista, pode parecer contraintuitiva. A inteligência artificial talvez não represente o principal ativo econômico da próxima década. À medida que modelos cada vez mais sofisticados se tornam amplamente disponíveis, seu acesso tende a deixar de constituir um diferencial competitivo isolado. Como ocorreu anteriormente com a eletricidade, a internet e outras grandes infraestruturas tecnológicas, a vantagem deixará de residir na tecnologia em si e passará a depender da capacidade de utilizá-la de maneira mais eficiente do que os demais. Essa conclusão conduz naturalmente a uma nova pergunta. Se todos poderão acessar sistemas semelhantes de inteligência artificial, o que continuará diferenciando empresas, regiões e países...
Série IA e China: O novo capitalismo da abundância
Ásia, China

Série IA e China: O novo capitalismo da abundância

Existe uma ideia que acompanha o pensamento econômico desde seus primeiros formuladores e que continua orientando grande parte das decisões de empresas e governos. Mercados funcionam porque determinados recursos são escassos. Quanto menor a disponibilidade de um bem desejado, maior tende a ser seu valor econômico. Essa lógica explica a formação dos preços de matérias-primas, o comportamento dos mercados financeiros e, sobretudo, o esforço permanente das empresas para desenvolver tecnologias exclusivas. Inovar sempre significou criar uma nova escassez. Enquanto poucos dominam determinado conhecimento ou tecnologia, é possível obter retornos extraordinários decorrentes dessa vantagem competitiva. A economia digital foi construída, em grande medida, sobre esse mesmo princípio. Empresas com...
Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?
Ásia, China

Série IA e China: Quem controla a inteligência artificial?

Quem controla a inteligência artificial? Ao longo dos últimos anos, a inteligência artificial passou a ocupar posição central nas discussões sobre economia, inovação e segurança internacional. Nesse contexto, tornou-se comum afirmar que o mundo assiste a uma corrida tecnológica entre Estados Unidos e China, na qual vencerá quem desenvolver os modelos mais sofisticados. Embora essa narrativa possua algum fundamento, ela simplifica excessivamente um fenômeno muito mais complexo. A própria pergunta que orienta boa parte desse debate, quem controla a inteligência artificial, talvez esteja formulada de maneira equivocada, pois pressupõe que exista um único centro de poder capaz de dominar essa tecnologia. Na realidade, a inteligência artificial não constitui um setor econômico isolado. El...
Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto
Ásia, China, Temas Globais

Série IA e China: Quando a inteligência artificial deixa de ser produto

No artigo anterior, propus uma hipótese aparentemente paradoxal. Talvez a estratégia chinesa de disponibilizar modelos avançados de inteligência artificial de forma aberta ou a custos extremamente reduzidos não tenha como objetivo principal conquistar usuários. Seu propósito pode ser muito mais ambicioso: transformar a inteligência artificial em uma infraestrutura acessível a todos. Se essa hipótese estiver correta, a consequência mais importante não será tecnológica. Será econômica. Para compreender essa mudança, vale recordar como normalmente percebemos as grandes inovações. Quando surge uma nova tecnologia, nossa atenção costuma concentrar-se sobre o objeto visível. No século XIX, as pessoas acreditavam que a grande inovação era a lâmpada elétrica. Mais tarde, imaginou-se que a inter...
Série IA e China: A abundância como arma geopolítica
Ásia, China

Série IA e China: A abundância como arma geopolítica

Durante muito tempo, a competição em inteligência artificial pareceu seguir um roteiro conhecido. Empresas investiam dezenas de bilhões de dólares para desenvolver modelos cada vez mais sofisticados, protegiam seu código, restringiam o acesso às versões mais avançadas e monetizavam essa vantagem por meio de assinaturas, licenças e contratos corporativos. A lógica era simples. Quem construísse o melhor modelo capturaria a maior parte do mercado. Nos últimos meses, porém, essa narrativa começou a apresentar fissuras. Modelos chineses como DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM passaram a demonstrar desempenho próximo ao dos principais sistemas americanos, mas seguindo uma estratégia radicalmente distinta. Em vez de restringir o acesso, foram disponibilizados de forma aberta ou a custos extremamente r...