China

Carta aos sinólogos
Ásia, China, Japão

Carta aos sinólogos

Muitos se questionam sobre o que é Sinologia, o que faz um Sinólogo, quem é considerado Sinólogo ou não e qual o propósito dessa carreira. Como nos ensina a própria Sinologia por meio de uma de suas famosas expressões chengyu: Dào Shān Xué Hǎi (道山学海), que numa tradução livre significa: o aprendizado é tão alto como a montanha e tão profundo como o oceano, porém, se fizermos uma análise literal, veremos que Confúcio, a quem foi atribuída essa expressão, associou Dào (道), o caminho ou doutrina à Shān (山) montanha. De forma que podemos depreender que o caminho para o conhecimento é alto como a montanha, que para alcançar o pico é necessário esforço, sendo assim algo cansativo e trabalhoso. E quando falamos de Dào (道) caminho, trazemos à baila, o Taoísmo, o Budismo Chinês e o Confucionism...
A China e o mundo (IV)
Ásia, China

A China e o mundo (IV)

Wang Yi - Ministro de Relações Exteriores da China Esta é a quarta e última da série de postagens que estou fazendo da entrevista que o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado da República Popular da China, Wang Yi, concedeu, no início deste ano, para o canal em inglês do grupo estatal “China Global Television Network”/CGTN, na qual fez uma avaliação da política externa da China ao longo de 2020 e a sua projeção para este ano e o futuro. Como mencionei antes, resolvi transcrever e traduzir a entrevista, apenas, sem qualquer interferência ou consideração de caráter pessoal, uma vez que considero importante conhecer a visão oficial que a Chancelaria chinesa tem do papel que entende ser o da China, e o seu próprio, nas relações internacionais. E assim como nas pos...
A China e o mundo (III)
Ásia, China

A China e o mundo (III)

Wang Yi – Ministro das Relações Exteriores da China RELAÇÕES COM A UNIÃO EUROPEIA, A ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO SUDESTE ASIÁTICO (ASEAN), A ÁFRICA, O ORIENTE MÉDIO E A PENÍNSULA COREANA Esta é a terceira da série de postagens que estou fazendo da entrevista que o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado da República Popular da China, Wang Yi, concedeu, no início deste ano, para o canal em inglês do grupo estatal “China Global Television Network”/CGTN, na qual fez uma avaliação da política externa da China ao longo de 2020 e a sua projeção para este ano e o futuro. Penso que este tema é do maior interesse – e importância – para todos os que se interessam por política externa. Por esta razão, resolvi transcrever e traduzir a entrevista, apenas, sem qualquer interfer...
A China e o mundo (II)
Ásia, China

A China e o mundo (II)

Wang Yi - Ministro de Relações Exteriores da China RELAÇÕES COM A RÚSSIA E O ESTADOS UNIDOS Prosseguindo com a postagem da entrevista, no primeiro dia deste ano, do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado da República Popular da China, Wang Yi, para o canal em inglês do grupo estatal “China Global Television Network”/CGTN, em que fez uma avaliação da política externa do país ao longo de 2020 e sua projeção para este ano, e o futuro, repasso agora as observações que fez sobre o relacionamento da China com a Rússia e os Estados Unidos. Como mencionei na postagem anterior – sobre a China e a Covid-19 - decidi transcrever e traduzir, apenas, a conversa, sem qualquer interferência ou consideração de caráter pessoal, uma vez que me pareceu importante conhecer a visão...
A China e o Mundo (I)
Ásia, China

A China e o Mundo (I)

Wang Yi - Ministro das Relações Exteriores da China No primeiro dia deste ano, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Conselheiro de Estado da República Popular da China, Wang Yi, concedeu uma longa entrevista para o canal em inglês do grupo estatal “China Global Television Network”/CGTN, que está sob o controle do Departamento de Publicidade do Partido Comunista da China, na qual fez uma extensa avaliação da política externa do país ao longo de 2020 e sua projeção para este ano, e o futuro. Acredito que este tema é do maior interesse – e importância – para todos os que se interessam por política externa e pela China/Ásia. Por esta razão, resolvi transcrever a conversa. Limitei-me a traduzir, apenas, sem qualquer interferência ou consideração de caráter pessoal, uma vez que é import...
A República Popular da China e o seu 14º Plano Quinquenal
Ásia, China

A República Popular da China e o seu 14º Plano Quinquenal

Líderes do Partido Comunista da China em cerimônia de aprovação do Plano Quinquenal Desde que arrebatou o poder na China, em 1949, o Partido Comunista Chinês assumiu o protagonismo no estabelecimento dos fundamentos do comunismo “a la chinesa” e definiu monocraticamente as estratégias de desenvolvimento e reformas através de metas. Paulatinamente, elas modificaram o perfil da República Popular que, de uma economia maoísta centralizada até 1976, encaminhou-se para a “economia socialista de mercado”, que Deng Xiaoping “neologicamente” cunhou para qualificar o processo de reformas e abertura deslanchado a partir de 1979 na busca de romper o isolamento multissecular do país e inseri-lo no mundo do último quartel do século XX. Cabe lembrar que neste processo, já a partir de 1953 passaram...
China e Brasil: o velho e o moço
Américas, Ásia, Brasil, China

China e Brasil: o velho e o moço

Presidente chinês Xi Jinping com o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro em Brasilia, 13 de novembero de 2019. (Xinhua Photo) Seguindo a moda em voga no Brasil atual de discursar utilizando-se de metáforas relacionadas aos aspectos triviais e privados da vida humana, iniciemos por uma metáfora, porém, vamos a enriquecer com alguns conceitos e exemplos do longínquo oriente. É sabido que, em diversas fases da vida, nos deparamos com crises de circunstâncias diversas, umas leves, outras graves. Hoje, com 520 anos de história, o Brasil pode ser considerado uma jovem nação, diante dos 5000 anos que a China possui. Este jovem, tal como qualquer outro, enfrenta crises, só que nesse momento são crises intensas que dependendo de suas escolhas, definirão os rumos e os resultados do futuro. Nessa ...
Os planos chineses para os próximos 5 anos
Ásia, China

Os planos chineses para os próximos 5 anos

Reunião do Partido Comunista Chinês O Partido Comunista Chinês acaba de reunir seu Comitê Central em sessão plenária. Os principais objetivos foram avaliar os resultados alcançados ao término do período abrangido pelo 13º Plano Quinquenal (2016-2020) e discutir as propostas que constarão do 14º plano, para o período de 2021 a 2025, além de metas para um prazo mais longo, até 2035. A análise do que foi divulgado até aqui (comunicado oficial) oferece uma boa pista de como os dirigentes do país asiático planejam suas ações para os próximos anos, além de indicar quais são suas expectativas em relação ao contexto internacional no qual a China estará inserida. Mais do que isso, a leitura atenta das entrelinhas do plano permite uma compreensão ainda melhor acerca do atual momento do regime...
A Ásia de Joe Biden
Américas, Ásia, BRICS, China, Estados Unidos, Índia, Organizações Internacionais, Temas Globais

A Ásia de Joe Biden

Joe Biden (Presidente dos EUA) e Xi Jinping (Presidente da China) em um encontro na China em 2013 - AP Photo Lintao Zhang A Ásia tem sido tradicionalmente um enigma para as administrações americanas, que encontram na região parceiros – ou não – da dimensão de China, Índia, Japão e Coreia do Sul, gigantes econômicos cuja longa história compartilhada revela nuances e apresenta desafios que ultrapassam o ideário simplista do Ocidente “Trump style”. De sua parte, ao longo do século passado, os países asiáticos elegeram a segurança regional como prioridade no relacionamento com os Estados Unidos. Desde o término da II Guerra, os americanos assumiram o compromisso de velar pela manutenção da paz no leste do Pacífico. Este compromisso é antes de Estado que de governo, como comprova o “Taiw...
A respeito da China e o futuro da economia mundial
Ásia, BRICS, China, Organizações Internacionais

A respeito da China e o futuro da economia mundial

O título da matéria de Celso Ming, na edição de hoje do Estadão, é “A China já é a maior economia do mundo”. Nada que os analistas informados – e menos pré-conceituosos – já não tivessem como fato concreto: para eles, não era “se”, mas “quando” isto aconteceria... Na realidade, o cálculo que levou Ming a fazer tal afirmação teve como critério o “Produto Interno Bruto pela Paridade de Poder de Compra” (PPC), ou seja, “o quanto um país pode comprar em bens e serviços com sua moeda”. Este parâmetro já vem sendo utilizado, aliás, pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Mundial e pela própria agência de inteligência americana, a CIA, para medir grandezas relacionadas à renda. Para ele, este referencial reflete melhor a economia real do que dados como “PIB nominal”, que computa a riq...