ISSN 2674-8053

Rússia

Crise Migratória na Europa em 2015 e a relação com os refugiados da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022
Europa, Rússia, Ucrânia

Crise Migratória na Europa em 2015 e a relação com os refugiados da guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022

Artigo elaborado por Maíra Figueredo Gomes e Marina Wohlers Ariboni Desde o início da invasão russa à Ucrânia, que ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2022, é estimado pelo ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) que 3,5 milhões de pessoas migraram de seu país de origem para outros países da Europa. Dentre eles, mais de 2 milhões de pessoas teriam se deslocado para a Polônia, especificamente. A crise migratória decorrente da guerra está cada dia maior, e de acordo com a agência de migração da ONU, quase 6,5 milhões de pessoas foram deslocadas para outras regiões da Ucrânia. Ylva Johansson, chefe de migração da União Europeia afirmou que o bloco econômico está preparado de inúmeras formas para receber os refugiados, visto que aprenderam a lidar com esse assunto durante a crise migra...
Finlândia se prepara perante à ameaça de uma possível invasão russa
Europa, Finlândia, Rússia

Finlândia se prepara perante à ameaça de uma possível invasão russa

Artigo elaborado por Karen Andersson e Laura Rossi Os avanços da nação russa desde o dia 24 de fevereiro deste ano contra o território e povo ucraniano abalaram o planeta e principalmente os países próximos ao conflito. Desde o início da invasão, países vizinhos à Ucrânia como Polônia, Eslováquia e Romênia têm recebido um fortíssimo fluxo de refugiados e prestado ajuda humanitária. No entanto, é mais ao norte entre os países escandinavos onde vêm se consolidando ainda mais intensas preocupações a respeito das intenções futuras de Vladimir Putin após o mesmo ter feito inúmeras ameaças à Suécia e Finlândia e ter se mostrado intransigente perante às exigências das grandes potências e organizações internacionais. Os países nórdicos temem que possa vir a acontecer com eles o mesmo que v...
As sanções na guerra Rússia-Ucrânia: por que o Brasil precisa assumir sua função no mundo?
Américas, Brasil, Europa, Rússia, Ucrânia

As sanções na guerra Rússia-Ucrânia: por que o Brasil precisa assumir sua função no mundo?

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem apresentado uma duração muito superior ao que os analistas previam pouco logo em seu início. Naquele momento havia o entendimento de que seria uma guerra rápida, de forma que o foco ficou mais sobre suas consequências imediatas posteriores. O que se vê atualmente é uma guerra sem fim claro, tanto em termos de prazo quanto de consequências. Neste cenário começam a se desenhar as consequências mais profundas do conflito sobre o restante do mundo. Dentre as várias consequências longas dessa guerra está o impacto sobre a produção agrícola mundial, o que afeta particularmente o Brasil. Além da inflação que se intensificou no país por conta do aumento do preço do petróleo e o impacto em cascata que gera em nossa economia, outra coisa tem acendido a...
A falência do sistema internacional de segurança e o conflito Rússia-Ucrânia
Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Pacto de Varsóvia, Rússia, Ucrânia

A falência do sistema internacional de segurança e o conflito Rússia-Ucrânia

Hoje, dia 24 de março de 2022 faz um mês que se iniciou o conflito entre Rússia e Ucrânia. Ainda com um final incerto – tanto em termos do conflito em si, quanto das consequências futuras – o que se pode perceber é que o sistema internacional não está sabendo lidar com essa questão. Ambos os lados apresentam bons argumentos para defender seus casos. A Rússia se mostra preocupada com o avanço da OTAN pressionando seu espaço, a Ucrânia defende sua independência e o direito a se filiar ao que quiser, inclusive à OTAN e à União Europeia. Ambos os argumentos são válidos, mas dificilmente se conversam, até porque estão fundamentados em diferentes bases. O pensamento russo está na geopolítica, o ucraniano no direito. O problema, aqui, é que historicamente geopolítica e direito estiveram e...
O tal do poder (IV): A democracia, a Rússia, a Ucrânia e a “China de que lado está?”
Ásia, China, Europa, Rússia, Ucrânia

O tal do poder (IV): A democracia, a Rússia, a Ucrânia e a “China de que lado está?”

Presidentes da China (Xi Jinping) e Rússia (Putin) Escolhi o título desta postagem replicando o do artigo de Thomas Friedman, colunista do The New York Times, que o Estadão publicou no dia 08/03. Nele, Friedman assinala que “... a cada dia que passa, a guerra na Ucrânia se torna não apenas uma tragédia cada vez maior para o povo ucraniano, mas também uma ameaça maior para o futuro da Europa e do mundo como um todo. Existe apenas um país que pode ser capaz de impedir a guerra agora – e não são os Estados Unidos”...Continuando, ele pondera que “...se a China anunciasse que, em vez permanecer neutra, está se juntando ao boicote econômico à Rússia – ou até mesmo apenas condenando com firmeza sua invasão não provocada contra a Ucrânia e exigindo que os russos se retirassem do país – isso po...
O tal do poder (II): os Estados nacionais, a Paz de Westphalia e a globalização
Europa, ONU, Organizações Internacionais, Rússia, Ucrânia

O tal do poder (II): os Estados nacionais, a Paz de Westphalia e a globalização

Sala do Conselho de Segurança da ONU (Foto de Mark Garten) Polemizando, ainda, a respeito da tragédia da Ucrânia... Em meados do século XVII, os impérios europeus estavam envolvidos numa disputa religioso-territorial que durava já trinta anos, a qual a História registrou como “a Guerra dos Trinta Anos”(1618-1648), como recordamos. A chamada “Paz de Westphalia” foi contruída em dois tratados assinados em outubro de 1648, nas cidades de Osnabrück e Münster, na Alemanha, encerrando os violentos combates que vitimaram cerca de oito milhões de pessoas. Estes tratados puseram fim à guerra que envolveu, de um lado, os Habsburgos, governantes da Áustria e da Espanha e seus aliados católicos e, de outro, as potências protestantes, a Suécia e certos principados aliados, juntamente com a Fr...
O tal do poder (I): Conselho de Segurança da ONU
Ásia, China, Europa, Índia, ONU, Organizações Internacionais, Rússia, Ucrânia

O tal do poder (I): Conselho de Segurança da ONU

As tropas russas entraram em Kiev, no dia 25/02. Sirenes de ataques aéreos foram ouvidas por toda a cidade e hoje acompanhamos consternados as notícias e as imagens que os meios de comunicação de todo o mundo divulgaram sobre a tragédia que se abateu sobre a Ucrânia. O Conselho de Segurança discutiu na véspera uma resolução condenatória, ainda que ciente de que não poderia implementá-la devido à oposição da Rússia que, como membro permanente do Conselho tem o direito de veto. O capítulo da Carta da ONU considerado, inicialmente, foi o VII - artigos 39 a 51 -, que elenca medidas escalonadas a serem adotadas no caso de ameaça à paz, quebra da paz e atos de agressão. Na redação da proposta original, o CSNU teria “lamentado em termos severos a agressão da Federação Russa como uma viola...
União Econômica Eurasiana e a promoção da paz
Armênia, Ásia, Bielorússia, Cazaquistão, Europa, Quirguistão, Rússia

União Econômica Eurasiana e a promoção da paz

Enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia continua a se desenvolver, sem que tenhamos clareza de quais serão seus resultados concretos, é importante começarmos a olhar para o dia seguinte. A proposta aqui não é olhar para cada um dos países envolvidos em si, mas para a estrutura internacional maior e que poderá moldar o futuro dos envolvidos. Neste sentido é importante olharmos tanto as arquiteturas regionais de segurança e de cooperação econômica.A arquitetura de segurança ainda se mostra muito contaminada pelo desenvolver da guerra. Não será objeto de análise neste artigo, mas é importante começarmos a entender o funcionamento e, sobretudo, a função da OTAN e do Conselho de Segurança da ONU.No que se refere à arquitetura econômica, o destaque vai para a União Econômica Eurasiana (UEE...
China + Rússia + EUA + OTAN (ii): o tiro saiu pela culatra?
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia

China + Rússia + EUA + OTAN (ii): o tiro saiu pela culatra?

Presidentes russo Vladimir Putim e chinês Xi Jinping (Foto kremlin.ru) Vladimir Putin acaba de retornar de Pequim, onde foi hóspede de honra de Xi Jinping na cerimônia de inauguração das Olimpíadas de Inverno que a República Popular anfitriona este ano. Certamente, ela deseja reiterar a imagem positiva que deixou das Olimpíadas de verão de 2008. Na sequência dos acontecimentos na Ucrânia, o encontro entre Putin e Xi teve uma mensagem simbólica de grande amplitude. Não somente foram assinados vários acordos, entre os quais a elevação das exportações de gás da gigante russa Gazprom para a RPC, do montante de 38 para 48 bilhões de metros cúbicos anuais (lembremo-nos de que o tema é o “nó górdio” no envolvimento dos europeus no projeto dos americanos de intensificarem suas ameaças a M...
Rússia, a Ucrânia, os Estados Unidos, a China, a Europa e a Otan
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia, Ucrânia

Rússia, a Ucrânia, os Estados Unidos, a China, a Europa e a Otan

Metendo o bedelho...Nunca pus os pés na Rússia, mas servi em Astana - hoje, Nursultan -, no Cazaquistão, e arrisco esboçar a minha percepção a partir da ótica de um país vizinho.  Para mim, o quadro geopolítico que define a relação entre a Rússia e a Ucrânia se aplica a todo o universo “ex-soviético”, como é o caso do Cazaquistão. São ambos ex-repúblicas da URSS, vizinhos contíguos da Rússia e ex-seguidores da mesma cartilha ideológico/político/econômico marxista que predominou em toda a região até 1991, quando a União Soviética se dissolveu. A experiência independente destes países tem, portanto, apenas 31 anos, ou seja, são Estados “jovens” que anteriormente, como “satélites”, serviam sobretudo como celeiro, no caso do Uzbequistão, e terreno de testes nucleares, como no do C...