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Rússia

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Rússia

O Brasil não pode assistir de fora à construção da nova ordem mundial

A aproximação entre China e Rússia está deixando de ser apenas uma parceria entre duas grandes potências para se transformar em parte de uma disputa muito maior sobre quem terá poder para definir as regras internacionais nas próximas décadas. Pequim e Moscou defendem abertamente mudanças na governança global, procuram fortalecer organizações como o BRICS e a Organização para Cooperação de Xangai e questionam a concentração de poder existente nas instituições criadas sob forte influência dos Estados Unidos e da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Para o Brasil, permanecer distante desse movimento seria um erro estratégico, não porque o país deva escolher entre Ocidente e Oriente, mas porque precisa estar presente nos espaços onde as regras do futuro estão sendo discutidas. A formaçã...
O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Índia, Rússia

O Sul Global existe quando seus interesses são tão diferentes?

O Sul Global tornou-se uma das expressões mais utilizadas para explicar a transformação da política internacional. Brasil, Índia, China, África do Sul, Indonésia, Arábia Saudita, Nigéria e dezenas de outros países aparecem reunidos sob uma mesma categoria que procura representar o deslocamento gradual do poder econômico e político para além do núcleo tradicional formado pelos Estados Unidos, Europa e Japão. O problema é que esses países possuem interesses, regimes políticos, níveis de desenvolvimento e prioridades estratégicas profundamente diferentes. A pergunta, portanto, tornou-se inevitável: o Sul Global realmente existe? A resposta depende do que esperamos encontrar. Se procurarmos uma aliança organizada, com objetivos comuns e disposição para agir coletivamente, provavelmente n...
A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la
Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, França, Índia, Rússia

A multipolaridade chegou mas ninguém sabe como administrá-la

A transformação mais importante da política internacional contemporânea talvez não seja a ascensão da China, o enfraquecimento relativo dos Estados Unidos ou o crescimento do chamado Sul Global. É a combinação desses movimentos em um sistema no qual nenhum país consegue estabelecer sozinho as regras, mas tampouco existe um grupo suficientemente coeso para substituí-las. A multipolaridade deixou de ser uma previsão sobre o futuro e passou a fazer parte do presente. O problema é que o mundo aprendeu a distribuir poder antes de aprender a administrá-lo. Durante muito tempo, falar em multipolaridade significava imaginar o surgimento de novos centros de poder capazes de reduzir a predominância norte-americana. Essa transformação aconteceu. China, Índia, Rússia, Brasil, Turquia, Arábia Saudit...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...
Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder
África, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Irã, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, Venezuela

Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder

A proteção ambiental tornou-se uma das grandes prioridades do século XXI. Mudanças climáticas, degradação de ecossistemas, perda de biodiversidade e poluição global exigem respostas urgentes e coordenadas entre países. Ao mesmo tempo, porém, a crescente centralidade da agenda verde nas políticas internacionais também abriu espaço para um debate cada vez mais sensível: até que ponto medidas ambientais podem se transformar em instrumentos de pressão econômica e geopolítica. Em vários casos recentes, políticas ambientais passaram a ser utilizadas de forma unilateral, criando barreiras comerciais ou restrições econômicas que acabam limitando a atuação de outros países no sistema internacional. A importância da proteção ambiental é difícil de contestar. Fenômenos como o aumento da temperatur...
O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Sul Global, União Europeia, Venezuela

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global

Nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia passaram a adotar uma estratégia cada vez mais agressiva para restringir o transporte marítimo de petróleo e gás provenientes de países considerados adversários políticos. Por meio de sanções financeiras, limites de preços e restrições a navios, seguros e portos, essas políticas procuram reduzir as receitas energéticas de estados como Rússia, Irã e Venezuela. Embora apresentadas como instrumentos de pressão política ou de defesa da ordem internacional, essas medidas levantam questionamentos importantes sobre sua compatibilidade com o direito internacional e sobre os efeitos que podem gerar na estabilidade econômica e geopolítica global. O comércio marítimo de hidrocarbonetos sempre foi uma das bases da economia mundial moderna. Grande pa...
O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana
África, Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Egito, Etiópia, Europa, Índia, Irã, Nigéria, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana

A aproximação entre China, Rússia, Irã e um conjunto crescente de países da Ásia, África e América Latina não é apenas uma soma de acordos bilaterais dispersos. Ela revela a tentativa de construção de um eixo político e econômico alternativo à ordem internacional liderada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda que esse movimento não se apresente como uma aliança formal nos moldes da Guerra Fria, seus contornos indicam a formação de um campo de cooperação estratégica que desafia, direta ou indiretamente, a hegemonia americana. O símbolo mais visível dessa articulação é a expansão do grupo dos BRICS. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco passou a incorporar novos membros do Oriente Médio e da África, ampliando seu peso e...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
Europa e o risco sistêmico da apreensão de ativos russos
Europa, Rússia, Ucrânia

Europa e o risco sistêmico da apreensão de ativos russos

A decisão de países europeus de congelar e, mais recentemente, discutir a apropriação definitiva de ativos russos marca um dos movimentos mais delicados e controversos do sistema internacional desde o fim da Guerra Fria. Sob o argumento de punir Moscou e financiar a reconstrução da Ucrânia, governos europeus passaram a tratar reservas estatais, bens privados e recursos financeiros russos como instrumentos políticos, rompendo com princípios centrais do direito internacional e colocando em risco a estabilidade e a credibilidade do sistema financeiro global. Desde o início da guerra, centenas de bilhões de dólares em reservas do Estado russo, além de ativos de empresas e indivíduos, foram bloqueados em bancos europeus. O congelamento, embora já problemático do ponto de vista jurídico, repr...
Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico
Américas, Ásia, Austrália, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Filipinas, Índia, Japão, Malásia, Oceania, Organizações Internacionais, Rússia, Tailândia, União Europeia

Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico

O redesenho da arquitetura de segurança no Indo-Pacífico, liderado principalmente pelos Estados Unidos e seus aliados, tem colocado potências médias da região diante de uma encruzilhada estratégica. Na medida em que o ambiente geopolítico se polariza entre blocos rivais — de um lado, o Ocidente organizado em alianças flexíveis de “baixa geometria” e, de outro, a contra-arquitetura sino-russa — países como Índia, Indonésia, Vietnã, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas enfrentam uma pressão crescente para se posicionar. O antigo espaço para políticas externas multivetoriais, que equilibravam pragmatismo econômico e autonomia política, vem se estreitando diante da exigência de alinhamentos cada vez mais explícitos. Essas potências médias exercem papel estratégico por diferentes razões: local...