ISSN 2674-8053

Andando em Círculos – COP 26 e a União Europeia

Artigo elaborado por Priscila Cesarino Taddone e Pedro Gerhardt Corrêa

Entre os dias primeiro e 12 de novembro de 2021, o mundo todo presenciou a ocorrência da COP 26, este ano, sediada em Glasgow, na Escócia. Estes encontros ocorrem periodicamente, desde 1995. Sua primeira edição aconteceu na Alemanha, na cidade de Berlim, a fim de firmar acordos de redução de gases de efeito estufa. Posteriormente, outra reunião notável foi a COP 3, em Kyoto, no Japão. Esta edição firmou o protocolo de de Kyoto, responsável por definir as metas de redução de GEE que cada país signatário deveria cumprir.

Neste ano, as metas estabelecidas pela COP 26 foram principalmente relacionadas à diminuição de combustíveis fósseis, bem como à redução das áreas de desmatamento. Houve também pedidos a respeito do fornecimento de ajuda financeira a países que possuem alto índice de fome ou pobreza.

Um dos destaques desta reunião foi o caso brasileiro: Durante um dos encontros, foi discutido o aumento na taxa de desmatamento de áreas pertencentes à Amazônia, evento que não se agravava desde 2005. Isso se reflete tanto em âmbitos políticos quanto sociais no cenário brasileiro e mundial, considerando que a floresta amazônica é responsável por concentrar parte significativa da biodiversidade mundial, além de fornecer uma parcela grande de oxigênio para o planeta.

Com relação às iniciativas da União Europeia, estes se comprometeram a diminuir em mais da metade as suas emissões de gás carbônico até 2050. Para isso, há forte investimento e encorajamento para a compra de carros elétricos no lugar de carros a diesel ou a gasolina.

Outro ponto discutido durante a reunião estava centrado na ajuda que poderia ser fornecida a países em desenvolvimento ou abaixo da linha da pobreza. Neste aspecto, tanto países da União Europeia quanto demais Estados tidos como desenvolvidos optaram por recusar esta proposta.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, sugeriu doar cerca de 4 milhões de euros para fundos adicionais, além de 21 milhões de euros em fundos que visem diminuir as alterações climáticas ocasionadas pelo aquecimento global. Ademais, vale ressaltar que a União Europeia foi uma das primeiras a compactuar com a ideia de extinção de combustíveis fósseis. Tal tópico foi incluído na ata final da COP 26, considerando que, de acordo com o IPCC, cerca de 25% das emissões de gás carbônico na atmosfera provém de meios de transporte como carros, ônibus e aviões.

O secretário geral das Nações Unidas, Antônio Guterres, também se pronunciou durante a conferência. Seus apelos foram principalmente dirigidos a aqueles que concentram maiores emissões de gases de efeito estufa devido à produção em massa. A fim de respeitar o acordo de Paris e impedir que a temperatura terrestre se eleve em até 2 graus celsius, Antonio demonstrou-se preocupado e afirmou que uma das maiores ameaças à situação climática está em lacunas para a emissão de gases do efeito estufa, já que cerca de 2% da superfície terrestre é responsável pela produção de mais de 80% desses gases (ONU, 2021).

A fim de amenizar o problema, a União Europeia vem investindo fortemente em propagandas que aumentem significativamente a venda de carros elétricos. De acordo com um relatório emitido pela UNECE, o bloco já representa 10% das vendas de carros elétricos em todo o mundo, e pretende aumentar esse percentual. Isso se deve ao fato de os carros elétricos não serem emissores de gases poluentes, e passíveis de carregamento por cabos, similar a celulares ou computadores, de maneira geral.

Empresas automotivas como a Volvo e a Mercedes, ambas alemãs, buscaram firmar acordos com outras montadoras americanas e de outros países, de forma a eliminar a produção de automóveis movidos a combustíveis fósseis até o ano de 2050. A ambição é grande, mas existe um certo otimismo por trás de tal idealização, considerando os dados que apontam um crescimento de cerca de 9% na participação de mercado para veículos elétricos dentro da União Europeia. Este número também cresce em países como Estados Unidos e Canadá, mas a um ritmo muito menor.

Outras empresas do ramo da moda, tais como a italiana Gucci e a francesa Louis Vuitton também se comprometeram a reduzir as emissões de carbono em suas produções. Isso ocorre porque a indústria da moda, e também de fast fashion é responsável por uma alta emissão de CO2 na atmosfera em suas produções, bem como por utilizar um alto volume de água na lavagem de roupas e acessórios. Por mais que as marcas sejam caracterizadas como grifes e seu ritmo de produção seja consideravelmente menor comparado a empresas de fast fashion, vale ressaltar que nenhuma se isenta de responsabilidade ambiental e cabe a estas, também, se posicionarem em prol do meio ambiente.

Por fim, pode-se esperar que os acordos que foram feitos durante esta COP, apesar de mais brandos comparados ao protocolo de quioto e o acordo de Paris, por exemplo, possam vir a ter desdobramentos positivos no futuro. Considerando que cada país signatário cumpra sua parte como acordado, espera-se que haja uma significativa redução na produção de gases do efeito estufa, bem como uma maior responsabilidade ambiental por parte dos signatários dos acordos estipulados este ano.

REFERÊNCIAS

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COMISSÃO EUROPEIA. UE na Conferência sobre o Clima COP26. Disponível em: https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal/climate-action-and-green-deal/eu-cop26-climate-change-conference_pt. Acesso em: 27 nov. 2021.

G1 . COP26: relatório final decepcionou e deixou lacunas; veja quais. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/cop-26/noticia/2021/11/15/as-lacunas-em-que-o-relatorio-final-da-cop26-nao-avancou.ghtml. Acesso em: 27 nov. 2021.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Protocolo de Quioto. Disponível em: https://antigo.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/protocolo-de-quioto.html. Acesso em: 27 nov. 2021.

NAÇÕES UNIDAS. COP26: transporte livre de combustíveis fósseis e propostas para texto final. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2021/11/1770042 . Acesso em: 27 nov. 2021.

NAÇÕES UNIDAS. Guterres destaca que lacuna nas emissões é a grande ameaça ao clima. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2021/11/1770162 . Acesso em: 27 nov. 2021.

NAÇÕES UNIDAS. Na COP26, mais de 130 empresas de moda prometem reduzir emissões de CO2. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2021/11/1769992 . Acesso em: 27 nov. 2021.

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NAÇÕES UNIDAS. “Passo importante, mas não o suficiente”, afirma Guterres sobre acordo da COP26 BR. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2021/11/1770432. Acesso em: 27 nov. 2021.

PROCLIMA. COP 1 P Berlim, Alemanha (março/abril de 1995). Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/proclima/conferencia-das-partes-cop/cop-1-berlim-alemanha-marco-abril-de-1995/. Acesso em: 27 nov. 2021.

PROCLIMA. Conferência das Partes (COP). Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/proclima/conferencia-das-partes-cop/. Acesso em: 27 nov. 2021.

VOGUE. How Fashion Is Ramping Up Its Climate Efforts at COP26. Disponível em: https://www.vogue.com/article/cop26-un-fashion-charter-climate-change-efforts. Acesso em: 27 nov. 2021.

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