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União Europeia

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Sul Global, União Europeia, Venezuela

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global

Nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia passaram a adotar uma estratégia cada vez mais agressiva para restringir o transporte marítimo de petróleo e gás provenientes de países considerados adversários políticos. Por meio de sanções financeiras, limites de preços e restrições a navios, seguros e portos, essas políticas procuram reduzir as receitas energéticas de estados como Rússia, Irã e Venezuela. Embora apresentadas como instrumentos de pressão política ou de defesa da ordem internacional, essas medidas levantam questionamentos importantes sobre sua compatibilidade com o direito internacional e sobre os efeitos que podem gerar na estabilidade econômica e geopolítica global. O comércio marítimo de hidrocarbonetos sempre foi uma das bases da economia mundial moderna. Grande pa...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio
Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio

O acordo entre Mercosul e União Europeia, negociado por mais de duas décadas, é frequentemente apresentado como um tratado de livre comércio. No entanto, sua dimensão ultrapassa em muito a redução de tarifas e a ampliação de quotas agrícolas. Trata-se de um instrumento estratégico que envolve padrões regulatórios, compromissos ambientais, reconfiguração de cadeias produtivas, alinhamentos geopolíticos e até mesmo a redefinição do papel da América do Sul no sistema internacional. Em primeiro plano, o acordo possui forte conteúdo normativo. A União Europeia historicamente utiliza seus tratados comerciais como instrumentos de difusão regulatória. Isso significa que, ao abrir seu mercado, exige contrapartidas em áreas como propriedade intelectual, compras governamentais, defesa da concorrên...
EUA, UE e China na disputa silenciosa pelas terras raras
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

EUA, UE e China na disputa silenciosa pelas terras raras

Estados Unidos, União Europeia e China estruturaram estratégias distintas — mas igualmente ambiciosas — para garantir acesso e controle sobre terras raras e minerais críticos, transformando esses insumos no núcleo de suas políticas industriais, tecnológicas e de segurança nacional. A disputa não se limita à mineração: envolve cadeias produtivas completas, acordos diplomáticos, subsídios estatais, controle tecnológico e influência sobre países produtores na África, América Latina e Ásia Central. A China parte de uma posição de vantagem construída ao longo de décadas. Desde os anos 1990, Pequim adotou uma estratégia clara: aceitar custos ambientais elevados para dominar a extração e, principalmente, o refino de terras raras. Ao contrário de muitos países ocidentais, que fecharam minas por...
Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global
África, Américas, Argentina, Ásia, Áustria, Bolívia, Brasil, Chile, China, Estados Unidos, Japão, Moçambique, Naníbia, Organizações Internacionais, República Democrática do Congo, União Europeia, Vietnam, Zimbábue

Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global

Terras raras e minerais críticos tornaram-se o eixo silencioso da nova disputa global por poder, desenvolvimento e soberania tecnológica. Muito além de insumos industriais, esses recursos passaram a definir a capacidade de países produzirem semicondutores, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e sistemas de comunicação avançados. Em um mundo que acelera a transição energética e digital, o controle sobre lítio, cobalto, níquel, grafite e os 17 elementos conhecidos como terras raras tornou-se tão estratégico quanto o petróleo foi no século XX. A expressão “terras raras” pode sugerir escassez absoluta, mas o termo é enganoso. Esses elementos não são necessariamente raros na crosta terrestre; o desafio está em encontrá-los em concentrações economicamente viáveis e, sobr...
Índia e União Europeia avançam e expõem a lentidão do Mercosul
Ásia, Índia, Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Índia e União Europeia avançam e expõem a lentidão do Mercosul

A cúpula entre a Índia e a União Europeia, realizada em 27 de janeiro, com encontros em Bruxelas e Nova Délhi, sinalizou um movimento político de grande impacto no comércio internacional. Após anos de negociações complexas e intermitentes, o diálogo caminha para um anúncio político de acordo comercial que, mesmo antes de sua implementação formal, já começa a redesenhar o mapa de preferências econômicas da Europa e a pressionar outros parceiros, em especial o Mercosul, a acelerar processos que permanecem travados. O entendimento Índia–UE não surgiu de forma repentina. Trata-se de uma negociação longa, marcada por divergências em temas sensíveis como tarifas industriais, acesso a mercados agrícolas, propriedade intelectual, regras ambientais e mobilidade de profissionais. Ainda assim, o a...
Mercosul e União Europeia um acordo ainda distante da realidade
Américas, Brasil, Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Mercosul e União Europeia um acordo ainda distante da realidade

O anúncio recorrente de avanços no acordo entre o Mercosul e a União Europeia cria a impressão de que a implementação está próxima, mas essa percepção não corresponde à realidade. Apesar de décadas de negociações e de um entendimento político básico já delineado, o acordo ainda está longe de entrar em vigor. Entre o texto negociado e sua aplicação concreta existe um longo caminho institucional, jurídico e político, repleto de obstáculos que tornam incerto tanto o prazo quanto o formato final do tratado. O primeiro ponto frequentemente ignorado é que o acordo Mercosul-União Europeia não é um instrumento simples. Trata-se de um tratado de associação amplo, que vai muito além da redução de tarifas comerciais. Ele abrange regras sobre serviços, investimentos, compras governamentais, proprie...
Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico
Américas, Ásia, Austrália, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Filipinas, Índia, Japão, Malásia, Oceania, Organizações Internacionais, Rússia, Tailândia, União Europeia

Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico

O redesenho da arquitetura de segurança no Indo-Pacífico, liderado principalmente pelos Estados Unidos e seus aliados, tem colocado potências médias da região diante de uma encruzilhada estratégica. Na medida em que o ambiente geopolítico se polariza entre blocos rivais — de um lado, o Ocidente organizado em alianças flexíveis de “baixa geometria” e, de outro, a contra-arquitetura sino-russa — países como Índia, Indonésia, Vietnã, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas enfrentam uma pressão crescente para se posicionar. O antigo espaço para políticas externas multivetoriais, que equilibravam pragmatismo econômico e autonomia política, vem se estreitando diante da exigência de alinhamentos cada vez mais explícitos. Essas potências médias exercem papel estratégico por diferentes razões: local...
O novo cerco ocidental no Indo-Pacífico reorganiza o tabuleiro geopolítico da Ásia
Américas, Ásia, Austrália, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Japão, Oceania, Organizações Internacionais, OTAN, Reino Unido, Rússia, União Europeia

O novo cerco ocidental no Indo-Pacífico reorganiza o tabuleiro geopolítico da Ásia

A presença militar do Ocidente na região Ásia-Pacífico vem se intensificando de maneira estratégica e silenciosa. Em vez de repetir o modelo clássico da Guerra Fria, baseado em alianças rígidas e compromissos mútuos de defesa, os Estados Unidos, a OTAN e a União Europeia têm apostado numa nova arquitetura de segurança: um emaranhado de parcerias bilaterais e grupos minilaterais, com formatos flexíveis e objetivos de curto prazo. Essa estrutura, conhecida nos meios diplomáticos como “arquitetura de segurança de baixa geometria”, busca conter o avanço da China e da Rússia na região, enquanto reconfigura o equilíbrio de forças do Indo-Pacífico com base em coalizões ad hoc e cooperações militares fragmentadas. Esse modelo de “baixa geometria” rompe com os padrões institucionais tradicionais...
A guerra como terreno fértil para a corrupção: o caso da Ucrânia em 2025
Afeganistão, Ásia, Europa, Iraque, Líbia, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Somália, Ucrânia, União Europeia

A guerra como terreno fértil para a corrupção: o caso da Ucrânia em 2025

A guerra costuma ser apresentada como um momento de união nacional, sacrifício coletivo e resiliência institucional. No entanto, a experiência histórica e contemporânea mostra que conflitos armados criam também ambientes propícios à corrupção. O colapso parcial das estruturas de controle, a circulação acelerada de recursos externos e a mobilização de verbas emergenciais geram brechas amplas para práticas ilícitas. O caso da Ucrânia, em meio à prolongada guerra contra a Rússia, oferece um retrato perturbador dessa lógica. Desde 2022, quando foi invadida pela Rússia, a Ucrânia se tornou o principal destino de apoio financeiro e militar do Ocidente, recebendo bilhões de dólares em armas, ajuda humanitária, recursos logísticos e pacotes de reconstrução. Ao mesmo tempo, a pressão por manter ...