A energia, o Brasil, a China… e o planeta

A notícia de que a empresa estatal chinesaState Power Investment Corporation OverseasPacific Hydro” / Spíc venceu o leilão da usina hidrelétrica de São Simão, que fica na fronteira de Goiás e Minas Gerais, confirma o crescente interesse dos chineses pelo nosso setor de energia. Por esta transação ela pagou US$ 2,25 billion, e já anunciou que planeja continuar investindo igualmente nas áreas de energia eólica e solar.

E não é só isto

Dados, extraídos doBoletim sobre Investimentos Chineses no Brasilpublicado pelo Ministério do Planejamento, revelam que no último bimestre de 2017, os investimentos chineses em nosso país totalizaram US$ 6,7 billion. Entre anunciados e confirmados, a RPC envolveu-se em 250 projetos aqui, no período de 2003 a 2017, num total estimado em US$ 123,9 billion (dentre os quais 93 confirmados, no valor de US$ 53,5 billion). Mais importante, still, 85% deles se destinam às áreas de energia e mineração. As empresas do setor público chinês foram responsáveis pela grande maioria das aquisições (o que não deixa de ter seu significado).

A lista das empresas brasileiras na área de energia que se encontram nas mãos dos chineses atualmente é vasta. Segundo a revista EXAME, nos últimos cinco anos eles investiram cerca de 40 bilhões de dólares somente no setor elétrico. A “China Three Gorges” (CTG), que opera a maior hidrelétrica do planetaTrês Gargantasfoi uma das primeiras a visar o nosso país, in 2013, quando adquiriu os ativos da portuguesaEDPEnergia de Portugal”. A partir de então o processo se acelerou: em janeiro do ano passado, a estatalState Gridassumiu 95% do controle acionário daCompanhia Paulista de Força e Luz” (CPFL). E até mesmo grupos privados e totalmente desconhecidos para nós, como aHuadian Fuxin Energy Corporation Limitedestão avaliando a aquisição de ativos no Brasil. Fôlego financeiro não lhes falta, ainda segundo a EXAME: somente a Huadian gera o equivalente a toda a energia elétrica produzida no Brasil !

Surge, So, a pergunta: por que razão os chineses estão tão interessados no nosso setor energético?

Para alguns analistas, trata-se de uma estratégia de Estado mais até de que de governo, frente a um cenário geopolítico-econômico cambiante, tanto na China quanto no mundo. Sabemos que no futuro a questão da energia será um dos pontos fundamentaise possivelmente um dos gargalosnas economias de todo o planeta. Os chineses sabem disto melhor que ninguém, até pelo desafio que enfrentam com uma população de mais de 1,3 bilhão de pessoas…Like this, na cabeça delese de muitos de nósquem tiver o monopólio ($$$) da energia dominará o mundo. E a China tem cacife para se candidatar aoposto”, com seus US$ trilhões de reservas cambiais!

Lembremo-nos de que o Presidente Xi Jinping no discurso que proferiu perante o 19o. Congresso do Partido Comunista Chinês em outubro passado, afirmou que em 2050 a República Popular seriaa maior economia do planeta”. Convicto, ele afirmou que a China será, então um “global leader”. For so much, ele se baseou na nova política de desenvolvimentoo planoChina 2050” – que selecionou cerca de dez áreas de tecnologia de ponta sobre as quais o governo se debruçará com absoluta prioridade: entre elas, o setor de energia e suas ramificações.

Diferentemente da maioria dos países, a China – alimentada por sua história plurimilenarnão planeja os próximos 20 years: ela planeja os próximos 200, and later! Os chineses sãoestrategistas genéticos”. Eles já chegaram láe nós?

Sugiro a leitura matéria abaixo:


Chinesa Spic quer ampliar participação em energia

Grupo que comprou a usina de São Simão diz que Brasil é prioridade no seu plano de expansão

Renée Pereira e Luciana Collet, O Estado de S.Paulo – 16 Maio 2018 | 04h00

Depois de vencer no ano passado o leilão da Hidrelétrica de São Simão, por R$ 7,2 billion, a chinesa Spic Pacific Hydro está de olho em novos negócios nas áreas de geração de energia elétrica no Brasil. A empresa, que começou a operar a usina na semana passada, planeja expandir sua atuação no País por meio de aquisições e projetos greenfield (que ainda terão de ser construídos) de hidrelétricas, eólicas e parques solares.

A presidente da Spic, Adriana Waltrick, afirma que o Brasil foi eleito pelo grupo como uma das prioridades de investimentos no setor elétrico. “Até 2020, a empresa planeja ampliar a geração de energia em 30 gigawatt (GW) no mundo, e o Brasil será uma das prioridades.” A companhia chinesa tem uma capacidade instalada de 140 GW – equivalente a 83% da matriz elétrica brasileira.

No radar do grupo no País, estão ativos de peso – e problemáticos –, como a Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. Fontes afirmam que, desde o ano passado, a companhia negocia com a Cemig e com a Odebrecht a compra das participações, mas as negociações enfrentam uma série de entraves por causa de divergências com acionistas – leia-se governo de Minas. Questionada sobre o negócio, Adriana disse que não fala de processos de fusões e aquisições, mas que a empresa está avaliando várias opções no mercado.

“O Brasil tem uma série de oportunidades, é um mercado dinâmico. Mas não há pressa (para fechar os negócios)”, diz a executiva. Além de aquisições, a Spic deve inscrever três projetos eólicos, com capacidade de 260 MW, no próximo leilão de geração a ser realizado no segundo semestre. Esses empreendimentos ficam próximos de outros dois parques, de 58 MW, da empresa no Nordeste. Na área solar, a expectativa é estrear apenas no ano que vem. “No mundo, o grupo tem 9 GW de capacidade em energia solar. Por aqui, vamos começar agora.”

Aumento de capacidade. Enquanto avalia a compra de ativos e projetos para desenvolver, a chinesa começa a estudar alternativas para melhorar e ampliar a operação em São Simão – hidrelétrica que era administrada pela Cemig e foi arrematada no ano passado em leilão. Adriana diz que em 60 dias devem sair as primeiras conclusões sobre um estudo que está sendo desenvolvido para avaliar as possibilidades de repotenciação da hidrelétrica e modernização da usina, de 1.710 MW.

Segundo a executiva, a estrutura onde a hidrelétrica já está localizada permite que quatro novas turbinas sejam instaladas ao lado das seis atuais, ampliando a capacidade da usina. Mas a viabilidade técnica e econômica dessa expansão só será conhecida após a conclusão dos estudos. Besides that, diz Adriana, para aumentar a produção do empreendimento é preciso autorização do poder público e alterações no contrato de concessão. A modernização, por outro lado, é mais simples de ser colocada em prática e permitirá ganhos de eficiência e produção. Ao vencer a licitação de São Simão, a Spic virou a 7.ª maior geradora privada do País.

Originalmente publicado em http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,chinesa-spic-quer-ampliar-participacao-em-energia,70002310248

+ posts

Doctor of Public International Law in Paris. He entered the diplomatic career in 1976, served in Brussels embassies, Buenos Aires, New Delhi, Washington, Beijing, Tokyo, Islamabade (where he was Ambassador of Brazil, in 2004). He also completed transitional missions in Vietnam and Taiwan. Lived 15 years in Asia, where he guided his career, considering that the continent would be the most important of the century 21 - forecast that, now, sees closer and closer to reality.