ISSN 2674-8053

Segurança energética na Europa

Mapa de pipelines de energia transfronteirisso.

Por: Pedro Gerhardt & Victor Manzoni

A União Europeia nos últimos anos se tornou um dos líderes globais quando se trata de segurança energética e também em relação às altas taxas de integração de energias renováveis de origem solar e eólica.  A União ainda conta com uma infraestrutura energética muito bem desenvolvida, mercado com extrema competição, ademais sendo a única região onde o consumo de energia está caindo, sendo um sinal da eficiência energética da UE. As novas fontes energéticas dependem principalmente de recursos de fontes renováveis e também precisará contar com a pluralidade dos países europeus para fortalecer seus planos.

Sobre esse aspecto, cada região tem seus pontos de forças e vantagens contribuindo cada um de sua maneira para em um futuro próximo chegar a uma economia neutra para o clima. Para as regiões da UE que ainda dependem fortemente dos combustíveis fósseis, foi estabelecido o “Mecanismo da Transição Justa” e um “Fundo de Transição Justa” que é dedicado a suportar a diversificação econômica e a transição para a energia verde.

A fragilidade energética da Europa foi exposta uma vez em 2006, durante um período o qual a Rússia decidiu cortar o abastecimento de gás Ucraniano. Foi neste momento que os países europeus perceberam o quão dependentes estavam da Rússia e que eles não seriam um fornecedor fiável e que os russos estariam usando de seus recursos energéticos como uma arma geopolítica. O Presidente Putin com estas ações deixa a entender que tem o objetivo de restabelecer o papel da Rússia como grande potência mundial, o presidente russo sabe que a Europa e o mundo podem ficar ainda mais dependentes das reservas energéticas russas com o início do declínio da produção em algumas regiões petrolíferas. E esta fragilidade foi exposta com o corte de abastecimento à Ucrânia pois os volumes de gás que circulam no sistema de pipelines que atravessam a Ucrânia, chegam também a Frankfurt e a Milão e esse corte provocou uma redução de 50% de gás na Hungria, 25% na Itália, 30% em França, 30% na Eslováquia, mostrando como isso não afetou apenas a Ucrânia mas também uma grande parcela de outros territórios europeus e deixou bem claro que para atingir a segurança energética teriam que fazer algo sobre essa grande dependência sobre o gás russo.

A transição energética irá influenciar na alteração dos equilíbrios geopolíticos, transferindo o poder dos que controlam os combustíveis fósseis para os que virão a desenvolver tecnologias de energia limpa. Isto exigirá que os países que atualmente são dependentes de forma significativa das exportações de combustíveis fósseis possam diversificar as suas economias e precisamos estar preparados para auxiliar os outros a conseguirem realizar este grande passo à frente para a sociedade. Para salvar o nosso planeta a transição energética justa e a neutralidade climática são essenciais neste processo, porém também trará benefícios em termos de política externa, como por exemplo um mundo que funcione com energia limpa, que fará do mundo um lugar mais estável e mais seguro para todos viverem.

Com a atual guerra entre Rússia e Ucrânia, haverá uma aceleração para outras fontes de energias, pois a Rússia atualmente é responsável por 40% do gás importado para as nações da UE. Antes mesmo do conflito armado, esse montante não era o suficiente para a demanda dos países europeus e inclusive tinham preços muito altos e dessa maneira em uma conferência, a chefe da Comissão Europeia Ursula von der Leyen afirmou que a união irá sair da dependência do gás russo e irão usar de outras estratégias para alcançar a independência em um futuro próximo.  

A Europa em 2020 deu passos grandes para o fim da utilização de combustíveis fósseis e outras fontes não renováveis de energia, em um relatório anual da “Ember” e da “Agora Energiewende” mostrou que o foco em energia limpa fez com que a Europa gerasse pela primeira vez mais eletricidade vinda de fontes renováveis. Denotando a seriedade do bloco em aderir esse caminho sustentável e que trará diversos benefícios sociais, ambientais e fiscais para os países que estão aderindo essas fontes sustentáveis. Países que têm mais dependências dessas energias que trazem diversos danos para o meio ambiente demoram mais para se adequar a essas normas, mas com a ajuda do bloco europeu irão conseguir em alguns anos darem passos grandes para uma maior sustentabilidade e segurança energética na região.

Sendo assim, quando se trata das fontes energéticas usadas pela Europa e quando se trata de segurança da mesma, apesar do bloco se mostrar ainda muito dependente das fontes energéticas russas para o aquecimento da maior parte das casas europeias e ainda uma grande dependência de diversos países menos desenvolvidos pelo combustível fóssil, existem diversos fundos e metas para que até 2050 não existem mais energias consumidas que não sejam de fontes renováveis e mais sustentáveis para o mundo.

REFERÊNCIAS:

SILVA, A. A Segurança Energética da EuropaPrimavera. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://core.ac.uk/download/pdf/62685748.pdf>.

Segurança energética da Europa e cooperação UE-EUA | EEAS Website. Disponível em: <https://www.eeas.europa.eu/eeas/seguran%C3%A7a-energ%C3%A9tica-da-europa-e-coopera%C3%A7%C3%A3o-ue-eua_pti> . Acesso em: 16 jun. 2022.

A transição energética na Europa e na América Latina: em que ponto estamos? Disponível em:<https://www.enelgreenpower.com/pt/learning-hub/debates/transicao-energetica-europa-america-latina >. Acesso em: 16 jun. 2022.

PUENTE, B.; SALLES, S. Guerra pode acelerar transição para fontes de energia renovável na Europa, dizem especialistas. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/guerra-pode-acelerar-transicao-para-fontes-de-energia-renovavel-na-europa-dizem-especialistas/>. Acesso em: 16 jun. 2022.

Núcleo de Estudos e Negócios Europeus
O Núcleo de Estudos e Negócios Europeus (NENE) está ligado ao Centro Brasileiro de Estudos de Negócios Internacionais & Diplomacia Corporativa (CBENI) da ESPM-SP. Foi criado considerando a necessidade de estimular a comunidade acadêmica brasileira e latino-americana a compreender melhor suas relações com os europeus, buscando compreender e aprofundar a Parceria Estratégica Brasil – União Europeia.

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