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O Acordo Contingente de Reservas dos BRICS como alternativa ao Brasil

Contribuição de cada estado ao Acordo Contingente de Reservas dos BRICS.

Em momentos de crise econômica global é importante que os países possam contar com rápido acesso a divisas internacionais a fim de manter sua capacidade de pagamentos internacionais. Em grande medida é essa disponibilidade de reservas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) disponibiliza. O problema, neste caso, é que o FMI só libera os recursos mediante o compromisso e implementação de uma série de políticas de austeridade fiscal. O objetivo do FMI é garantir que o país que toma o empréstimo tenha capacidade de devolver o recurso, mas isso costuma levar a um aprofundamento da crise econômica interna (no que é chamado pelos economistas de ações pró-cíclicas).

Em 2014, num movimento de criação de alternativas internacionais a seus membros, os BRICS criaram o Acordo Contingente de Reservas (https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/brics) Naquele momento o ACR teve um aporte de 100 bilhões de dólares. Naquele momento defendia-se que esse recurso disponível ajudaria a aumentar a confiança internacional nos países do bloco na medida em que estariam disponíveis recursos para evitar que uma possível crise em um país pudesse levar à crise aos demais.

Desde então o ACR vem melhorando sua atuação, oferecendo um sistema cada vez mais sofisticado para garantir a “prontidão” da disponibilidade dos recursos, caso necessários. Bancos Centrais e ministérios das finanças dos países do bloco têm colaborado cada vez mais na troca de informações e experiências. Isso permite uma melhor compreensão sobre a realidade econômica de cada um dos países, bem como permite uma melhor antecipação de desdobramentos econômicos.

Tudo isso é algo positivo num cenário econômico global cada vez mais desafiante, especialmente para os países emergentes. A crise econômica trazida – também e sobretudo – pela crise pandêmica tem exercido uma pressão extra sobre as economias. Inflação de algumas matérias-primas, queda do preço de outras e desaquecimento da economia global fazem com que os desafios a serem enfrentados sejam particularmente impactantes. É neste momento que reservas internacionais para garantir a capacidade de pagamentos internacionais são importantes.

A criação do Acordo Contingente de Reservas foi muito importante para que os BRICS pudessem oferecer um caminho alternativo em momentos de restrição de liquidez para pagamentos internacionais. O momento agora é de consolidação ainda maior, na medida em que poderá ser muito importante para garantir a confiança no Brasil.

Rodrigo Cintra
Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X