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Argentina

A Antártida congelada e a disputa que nunca terminou
Américas, Argentina, Áustria, Chile, Europa, França, Noruega, Nova Zelândia, Oceania, Reino Unido

A Antártida congelada e a disputa que nunca terminou

A Antártida costuma ser apresentada como o último território neutro do planeta, um espaço dedicado à ciência, à cooperação e à paz. Essa imagem, embora parcialmente verdadeira, esconde uma realidade mais complexa: o continente não foi despolitizado, mas sim colocado em suspensão jurídica. O Tratado da Antártida, assinado em 1959, não resolveu a questão da soberania. Ele apenas congelou um conflito potencial, adiando decisões que continuam latentes e que podem ressurgir com força nas próximas décadas. Antes do tratado, sete países já haviam apresentado reivindicações territoriais formais sobre partes da Antártida: Argentina, Chile e Reino Unido, com áreas sobrepostas; além de Austrália, França, Nova Zelândia e Noruega. Em vez de arbitrar essas disputas, o tratado optou por uma solução pr...
O cartel possível e o poder esquecido das commodities
Américas, Argentina, Brasil, OPEP, Organizações Internacionais

O cartel possível e o poder esquecido das commodities

A ideia de que países produtores possam se organizar para controlar oferta, preços e cadeias estratégicas não é nova, mas continua sendo tratada como exceção no debate internacional. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo transformou-se, ao longo de décadas, em um exemplo concreto de como recursos naturais podem ser convertidos em poder político e econômico. Fora do petróleo, no entanto, essa lógica raramente é aplicada com a mesma ambição. Para países como o Brasil, essa ausência não é apenas uma lacuna institucional. É uma oportunidade histórica negligenciada. O Brasil ocupa posições centrais em diversos mercados globais. É líder ou protagonista na produção de soja, carne bovina, café, açúcar, minério de ferro e, cada vez mais, em produtos ligados à transição energética, co...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0
Américas, Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Estados Unidos, Nicarágua

O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0

A política dos Estados Unidos para a Venezuela e para a América Latina nos últimos anos revela mais do que uma disputa ideológica com governos específicos. Ela indica a atualização de um princípio histórico da diplomacia americana: a ideia de que o hemisfério ocidental constitui uma zona de interesse estratégico prioritário, onde a presença de potências extra-regionais é vista como ameaça direta à segurança nacional dos EUA. Em pleno século XXI, a lógica que remete à Doutrina Monroe ressurge com novos contornos, novas ferramentas e novos protagonistas. Proclamada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer intervenção europeia nas Américas seria interpretada como ato hostil contra os Estados Unidos. Ao longo do século XX, esse princípio foi reinterpretado diversas vezes, servind...
América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru

América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos

A América Latina tornou-se peça-chave na reorganização geopolítica e geoeconômica provocada pela corrida global por terras raras e minerais críticos. A região concentra algumas das maiores reservas mundiais de lítio, cobre, nióbio, grafite e terras raras leves, posicionando-se como fornecedora estratégica para a transição energética, a indústria digital e a nova economia verde. No entanto, o papel latino-americano oscila entre a histórica condição de exportador de matérias-primas e a tentativa de avançar na cadeia de valor, em meio à disputa crescente entre China, Estados Unidos e União Europeia. O caso mais emblemático é o do lítio. Argentina, Bolívia e Chile formam o chamado “triângulo do lítio”, responsável por mais da metade das reservas globais conhecidas. O Chile consolidou-se com...
Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global
África, Américas, Argentina, Ásia, Áustria, Bolívia, Brasil, Chile, China, Estados Unidos, Japão, Moçambique, Naníbia, Organizações Internacionais, República Democrática do Congo, União Europeia, Vietnam, Zimbábue

Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global

Terras raras e minerais críticos tornaram-se o eixo silencioso da nova disputa global por poder, desenvolvimento e soberania tecnológica. Muito além de insumos industriais, esses recursos passaram a definir a capacidade de países produzirem semicondutores, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e sistemas de comunicação avançados. Em um mundo que acelera a transição energética e digital, o controle sobre lítio, cobalto, níquel, grafite e os 17 elementos conhecidos como terras raras tornou-se tão estratégico quanto o petróleo foi no século XX. A expressão “terras raras” pode sugerir escassez absoluta, mas o termo é enganoso. Esses elementos não são necessariamente raros na crosta terrestre; o desafio está em encontrá-los em concentrações economicamente viáveis e, sobr...
China avança com nova estratégia na América Latina e desafia domínio histórico dos Estados Unidos
Américas, Argentina, Ásia, Bolívia, China, Nicarágua, Venezuela

China avança com nova estratégia na América Latina e desafia domínio histórico dos Estados Unidos

A recente reconfiguração da política externa da China para a América Latina revela uma mudança de postura que vai muito além da diplomacia econômica. Em vez de priorizar unicamente o comércio e os investimentos bilaterais, Pequim adota agora uma estratégia mais ampla e institucionalizada para consolidar sua influência regional, aproveitando os espaços deixados por uma presença americana cada vez mais errática e reativa. O movimento é discreto, porém ambicioso: consolidar uma presença estrutural na região que sirva tanto aos interesses econômicos chineses quanto à sua projeção global como potência alternativa aos Estados Unidos. No centro dessa transformação está a ativação renovada do Fórum China–CELAC, mecanismo multilateral que reúne os países da América Latina e do Caribe sob uma age...
Entre promessas e ameaças: o impacto do discurso de Netanyahu na ONU
África, África do Sul, Américas, Argélia, Argentina, Austrália, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Europa, Israel, Naníbia, Oceania, ONU, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Palestina, Reino Unido

Entre promessas e ameaças: o impacto do discurso de Netanyahu na ONU

A presença de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2025 não foi apenas mais uma fala de chefe de Estado num fórum internacional. Foi, para muitos observadores, a tentativa de reafirmar a centralidade da narrativa israelense no conflito com os palestinos num momento em que o equilíbrio simbólico e diplomático começa a se deslocar. Mas também foi, para outros, uma evidência do isolamento crescente de Israel diante de um mundo que, embora dividido, já não acata sem reservas os termos colocados por Tel Aviv. O discurso provocou reações distintas entre países, evidenciando que a disputa entre Israel e Palestina não é apenas territorial ou militar: ela se dá também no campo das versões, dos afetos e das leituras históricas. A fala de Netanyahu veio poucos di...
Brasil fortalece cooperação militar com múltiplos parceiros para ampliar autonomia estratégica
Américas, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Europa, Naníbia, Rússia, Suécia

Brasil fortalece cooperação militar com múltiplos parceiros para ampliar autonomia estratégica

A cooperação técnico-militar do Brasil tem se caracterizado por uma estratégia de diversificação de parcerias internacionais, abrangendo nações de diferentes continentes e fortalecendo a capacidade de defesa nacional. Atualmente, o país mantém colaborações significativas com países como Rússia, Namíbia, Suécia e Argentina, além de promover exercícios conjuntos que envolvem potências globais como Estados Unidos e China. A parceria com a Rússia destaca-se pela transferência de tecnologia e aquisição de sistemas de defesa aérea, como as baterias Pantsir. Essa colaboração visa aprimorar a capacidade de defesa antiaérea brasileira, proporcionando acesso a tecnologias avançadas e fortalecendo a indústria de defesa nacional. No continente africano, a cooperação com a Namíbia é exemplar. Des...
Brasil e Argentina: desafios e oportunidades nas relações bilaterais
Américas, Argentina, Brasil

Brasil e Argentina: desafios e oportunidades nas relações bilaterais

O relacionamento entre Brasil e Argentina, historicamente caracterizado por uma complexa mistura de cooperação e rivalidade, vive um momento de redefinição. Recentemente, os dois países têm enfrentado desafios significativos, tanto no âmbito econômico quanto no político, que afetam diretamente a dinâmica bilateral. Essas relações são moldadas por mudanças políticas em ambos os países e por um cenário econômico regional que impõe pressões adicionais sobre as economias sul-americanas. A eleição de um novo presidente na Argentina trouxe expectativas de um ajuste nas relações bilaterais. Com a posse de Javier Milei, um economista com posições liberais e críticas ao intervencionismo estatal, surgiram incertezas sobre o futuro da parceria com o Brasil, especialmente considerando as declaraçõe...