O Brasil sem os BRICS é um país isolado

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo conhecido por BRICS. Não se trata apenas da junção de um conjunto de países com relevo no cenário internacional, mais do que isso, formam um importante elemento que pode impactar na estrutura do cenário internacional.

O Brasil, assim como os demais países formadores, devem ter nesta aliança uma de suas principais estratégias de política externa, além de aproveitar o potencial para impulsionar suas economias.

Economia e Comércio

Em 2014 o grupo criou o Novo Banco de Desenvolvimento, NBD (em inglês New Development Bank, NDB). De um lado, o NBD foi criado para financiar projetos de infraestrutura, de outro, pode ser uma das principais ferramentas para a alavancagem do comércio internacional.

A guerra comercial atual está sendo grandemente estimulada pelos Estados Undios, o que tem gerado um efeito em cascata, já que vários países afetados se vêem forçados a também implementarem barreiras em seus comércios exteriores. Na medida em que o grupo é estratégico economicamente, os países devem centralizar seus esforços de integração comercial internamente, aproveito o potencial de aproximadamente 22% do PIB Mundial (que é a soma dos PIBs dos países do grupo). Como se vê, não trata apenas de um conjunto de países, se trata de aproximadamente 1/4 de toda a riqueza mundial.

O PIB dos BRICS coloca grupo num patamar potencial de posicionamento internacional sem precedentes se considerarmos cada país individualmente. Ao ser utilizado como um todo, de forma organizada, os BRICS podem determinar regras internacionais que são importantes para que garantam seu poder internacional.

Política e Relações Internacionais

Outro importante aspecto a se considerar é o impacto político que os países dos BRICS podem ter no cenário internacional. Isoladamente há um desequilíbrio de poder entre os países, com alguns tendo mais e outros menos projeção internacional. No entanto, a atuação conjunta deles oferece um potencial também sem precedentes.

Não se trata apenas criarem uma voz conjunta, mais do que isso, é a possibilidade da colocação clara de agendas internacionais diferentes. O eixo anglo-europeu tem dominado as relações internacionais por mais de um século, sem que efetivamente haja um contra-peso (com raros momentos de exceção).

Uma agenda que busca novos modelos de desenvolvimento econômico e de relações políticas entre os Estados somente será realidade quando os países dos BRICS começarem uma demanda clara neste sentido.

Brasil e BRICS

O Brasil é um país grande e com reconhecimento internacional, mas isso não basta para que vejamos nossas agendas internacionais atendidas plenamente. A busca por uma inserção mais ativa tem tradicionalmente ocorrido via fortalecimento dos fóruns multilaterais. No entanto, diante do contínuo enfraquecimento destes fóruns (como se vê com a ONU e a OMC), é fundamental que o Brasil concentre seus esforços em outras estratégias.

O caminho bilateral é demorado e custoso, sobrando o espaço para uma atuação em que se misturam esses dois caminhos: uma atuação mais bilateralizada, ainda que utilizando-se de blocos e grupos. Aí entra os BRICS como algo muito estratégico para a política externa brasileira.

É necessário que o país aprenda a maximizar a agenda dos BRICS e apoie o máximo seu desenvolvimento e atuação internacional, mesmo que isso signifique tirar a relevância de outras agendas ou caminhos.

Um Brasil sem BRIS é um Brasil cada vez mais isolado no cenário internacional.

Rodrigo Cintra
Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007), Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (2001) e Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998). Atualmente é Coordenador do curso de graduação em Relações Internacionais e da Pós em Negócios Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), além do gestor da Diretoria de Internacionalização.