Índia

NAVROZ, o Ano Novo parsi
Afeganistão, Ásia, Europa, Índia, Irã, Oriente Médio, Reino Unido, Temas Globais, Turcomenistão

NAVROZ, o Ano Novo parsi

No último dia 16 de agosto a comunidade parsi da Índia celebrou o Navroz, o seu Ano Novo, o dia em que ela se compromete com a renovação da esperança. As residências são arrumadas com esmero, os indivíduos vestem roupas novas, trocam presentes e fazem doações para instituições de caridade. Nada muito diferente do Natal cristão. Tradição de 3000 anos, o feriado de Ano Novo parsi foi criado pelo profeta Zoroastro, de acordo com a lenda. Mas, quem são os zoroastristas e os parsis? O Zoroastrismo é considerado a mais antiga dentre as religiões monoteístas conhecidas, embora haja controvérsias a este respeito. Teve início com as revelações de Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. Não há muitas informações sobre a sua vida; acredita-se que teria nascido em Sogdiana, no r...
A indepedência da Índia e do Paquistão: relembrando a história
Ásia, Índia, Paquistão

A indepedência da Índia e do Paquistão: relembrando a história

Ontem e hoje o Paquistão e a Índia celebraram o 73º aniversário de independência da Grã-Bretanha. A do Paquistão ocorreu no dia 14 de agosto de 1947, e a da Índia logo após, nos primeiros minutos do dia 15. Minutos estes que puseram fim aos mais de duzentos anos em que a corte de Saint James reinou sobre o Raj Britânico, a sua “joia da coroa”. Extenuada ao final da II Guerra Mundial e incapaz de manter seu império colonial, a Inglaterra iniciava nesse momento o processo de desfazimento dos seus domínios; já não poderia mais afirmar que “o sol jamais se punha no Império Britânico...” A Índia emergiu como uma nação secular com uma população de maioria hindu e uma grande minoria muçulmana - a terceira maior do mundo, em termos numéricos -, enquanto o Paquistão, com uma população de g...
China e Índia, ou o Dilema do Espelho
China, Índia

China e Índia, ou o Dilema do Espelho

Primeiro Ministro Narendra Modi (Índia) e Presidente Xi Jinping (China) Todos os que somos dos tempos do filme “A Branca de Neve e o Sete Anões”, e os mais jovens também, nos lembramos da pergunta que a rainha malvada fez ao espelho: “...existe no mundo alguém mais bela do que eu?”... irada com a resposta - “a Branca de Neve”- ela se transformou em bruxa e foi à caça da rival.... Vamos “geopolitizar” e dirigir esta mesma pergunta para o “espelho” da Ásia? Na disputa de poder na região, quem é a “bruxa má” e quem é a “mocinha”? Eu me faço esta pergunta ao ler a matéria – “China´s “Peaceful Rise” Vanishes in Thin Air” - que o scholar e político indiano Shashi Tharoor publicou recentemente no site “Project Syndicate” a propósito da intensificação dos enfrentamentos entre tropas india...
Índia e China: mais do mesmo…(?)
China, Índia

Índia e China: mais do mesmo…(?)

Foto: Yogi Chopra - Cadeia montanhosa do Himalaia O site “Mundo ao Minuto” publicou no último dia 10 uma matéria relativa às escaramuças recentes entre tropas militares da Índia e da China nas linhas de fronteira entre ambas nas alturas geladas do Himalaia. São duas as regiões cuja soberania é disputada por elas: a primeira está localizada na região do Ladakh, no lado indiano, e da Província Autônoma de Xinjiang, no lado chinês. Esta é uma área praticamente deserta nas grandes altitudes da cordilheira, porém atravessada por uma rodovia que une duas regiões particularmente sensíveis para a RPC: a Província Autônoma de Xinjiang – onde se concentra o movimento separatista da etnia muçulmana Uighur - e o Tibete. Daí a sua importância estratégica para os chineses. A segunda está local...
Antes tarde… Bolsonaro na Índia… finalmente
Américas, Brasil, Índia

Antes tarde… Bolsonaro na Índia… finalmente

O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante reunião no Palácio do Planalto nesta quarta (13) — Foto: Alan Santos/PR O Presidente Jair Bolsonaro será o hóspede de honra do governo indiano nas celebrações do “Dia da República”/ “Republic Day”, no próximo dia 26, data em que a Índia comemora a entrada em vigor da sua Constituição, que veio substituir o status de “Domínio” do Raj Britânico, finalizando, assim, o seu traumático processo de descolonização. Juntamente com o dia 15 de agosto, data da sua independência, estas são as duas maiores efemérides políticas celebradas no país (as religiosas à parte... há muitas...). O convite foi feito quando o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, participou da reunião dos BRICS em Brasília. Ser o convi...
A Caxemira: buscando entender a herança do colonialismo
Índia, Paquistão

A Caxemira: buscando entender a herança do colonialismo

O governo da Índia revogou, no último dia 05, dois artigos da sua Constituição que estabeleciam o estatuto especial que o Estado de Jammu-Caxemira gozava desde o período da independência do país, em 1947. Entre os “desfalques” legais estão o direito à Constituição própria e direitos exclusivos para a população autóctone. Com isto, a região perde sua autonomia e passa a ser tratada como qualquer outro estado da Índia. Quais seriam as consequências? Proponho aos amigos revisitar a História: A Coroa Britânica dominou a Índia de 1858 a 1947. Mas, ao final da II Guerra Mundial, exaurida, ela iniciou o processo de descolonização de seus territórios, começando pelo Raj Britânico. Para tanto, enviou a Delhi um jurista londrino, Sir Cyril Radcliffe, a quem incumbiu de desenhar, num gabine...
A respeito do Sufismo
Afeganistão, Índia, Paquistão

A respeito do Sufismo

Estou preparando uma série de palestras sobre o Islã para o curso de Relações Internacionais da ESPM. Este é um tema pelo qual tenho imenso interesse, sobretudo devido aos preconceitos que grassam no Ocidente a respeito da fé e da comunidade muçulmanas. Tendo servido ao longo da minha carreira em seis países onde o Islã é presença maior – Índia (a 3ª. maior comunidade muçulmana do planeta), Paquistão, Afeganistão, Bangladesh, Cazaquistão e Jordânia – e convivido com vários dos seus matizes – da severidade fundamentalista no Paquistão e Afeganistão ao “liberalismo” no Cazaquistão – decidi aprofundar os meus estudos sobre o Islã e compartilhar com os amigos o que pude aprender... E um dos temas que mais me fascinam nesse universo é o sufismo, a corrente mística que busca o contato dir...
Até tu, Índia… ou cruzada de D. T.
Estados Unidos, Índia

Até tu, Índia… ou cruzada de D. T.

O jornal indiano Hindustan Times publicou hoje que o governo americano anunciou dois dias atrás, formalmente, a exclusão da Índia da lista dos países em desenvolvimento que se beneficiam do "Sistema Geral de Preferências"/"Generalized System of Preferences (GSP), para suas exportações dirigidas aos EUA. A Índia tem sido um dos maiores beneficiados por este programa, que autoriza a entrada sob tarifa zero de produtos provenientes de 120 países em desenvolvimento no mercado norte-americano. Fruto disto, os indianos exportaram cerca de US$ 6.3 bilhões de bens aos Estados Unidos em 2018. No entender de Washington, Delhi não tem reciprocado sua "boa vontade" e oferecido garantias de acesso ("equitable and reasonable") ao mercado indiano. O alto funcionário americano que anunciou a decis...
As eleições na Índia… certezas e controvérsias
Índia

As eleições na Índia… certezas e controvérsias

Terminaram, finalmente, as intermináveis eleições na Índia para constituir o 17ª “Lok Sabha”, a Câmara Baixa, equivalente à nossa Câmara dos Deputados. A votação durou um mês e oito dias - de 11 de abril a 19 de maio - repartida em sete “fases”, correspondentes aos escrutínios nas diferentes regiões do país. Dos nove milhões de eleitores, 67% deles compareceram às urnas, o maior percentual na história da Índia, inclusive no que se refere à participação das mulheres. Do total de 543 assentos do certame, 353 serão ocupados pela aliança da direita liderada pelo “Bharatiya Janata Party”/BJP, do Primeiro-Ministro Narendra Modi. Em segundo lugar veio a aliança opositora - “União da Aliança Progressista/United Progressive Alliance”- comandada por Rahul Gandhi, herdeiro da dinastia Nehru/Gand...
Festa ou desafio da democracia: as eleições gerais na Índia
Ásia, Índia

Festa ou desafio da democracia: as eleições gerais na Índia

Tem início hoje o que os indianos chamam de “a grande festa da democracia”, ou seja, as eleições gerais na “maior democracia do planeta”, para os 545 assentos do “Lok Sabha”, a Câmara Baixa (equivalente à nossa Câmara dos Deputados), seguindo o sistema bicameral do país. Os 245 assentos na Câmara Alta, o “Rajya Sabha”, têm um sistema distinto para o sufrágio dos seus ocupantes. Este será o 17º Parlamento a ser eleito desde a independência da Índia, em 1947. Segundo a “Comissão Eleitoral”, cerca de 900 milhões de pessoas deverão compareçer às 10.359.180 seções eleitorais em todo o país. Dada a complexidade do sistema e a quantidade de eleitores, o pleito será repartido em dez fases, acompanhando o calendário das votações delineado por seus 29 estados e 07 territórios. Por esta razão, fi...