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Estados Unidos

A energia verde que nem sempre é verde
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A energia verde que nem sempre é verde

A transição energética tornou-se uma das principais bandeiras políticas do Ocidente nas últimas décadas. Estados Unidos e União Europeia apresentam-se como líderes globais da luta contra as mudanças climáticas, pressionando governos, empresas e instituições financeiras a adotarem metas cada vez mais rígidas de descarbonização. Ao mesmo tempo, porém, cresce o debate sobre uma contradição cada vez mais evidente: enquanto exigem profundas transformações energéticas dos países em desenvolvimento, as próprias potências ocidentais continuam recorrendo a fontes energéticas altamente poluentes quando seus interesses econômicos e estratégicos estão em jogo. Mais do que uma discussão ambiental, a questão energética passou a ocupar o centro da disputa geopolítica global. Controlar fluxos de energi...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...
Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira
Américas, Brasil, Estados Unidos

Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira

A história da América Latina nas últimas décadas mostra que a influência dos Estados Unidos continua sendo um dos fatores mais importantes para compreender a dinâmica política, econômica e estratégica da região. Embora a Guerra Fria tenha terminado há mais de trinta anos, Washington permanece como o principal ator externo no continente americano, utilizando instrumentos diplomáticos, econômicos, militares e financeiros para defender seus interesses. Nesse contexto, o Brasil enfrenta um desafio permanente: preservar sua autonomia estratégica sem romper relações com a maior potência do planeta. A influência norte-americana na América Latina não é um fenômeno recente. Desde o século XIX, a chamada Doutrina Monroe estabeleceu a ideia de que o continente americano constituía uma área de inte...
Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria

A disputa entre China e Estados Unidos entrou em uma nova fase e Taiwan passou a ocupar o centro dessa rivalidade. Nos últimos meses, Pequim intensificou exercícios militares ao redor da ilha, ampliou incursões aéreas e reforçou discursos sobre reunificação, enquanto Washington aumentou apoio político, militar e tecnológico aos taiwaneses. O que antes parecia apenas uma questão regional asiática tornou-se um dos pontos mais perigosos da geopolítica mundial, capaz de desencadear uma crise econômica global e até um conflito militar de grandes proporções. O problema de Taiwan possui raízes históricas profundas. Após a vitória comunista na guerra civil chinesa em 1949, o governo nacionalista derrotado fugiu para a ilha e estabeleceu ali a República da China. Desde então, Pequim considera Ta...
A soberania digital em disputa e os riscos de uma segurança cibernética dependente
Américas, Brasil, Estados Unidos

A soberania digital em disputa e os riscos de uma segurança cibernética dependente

A segurança da informação deixou de ser apenas uma questão técnica para se tornar um dos principais campos de disputa geopolítica do século XXI. Em um ambiente internacional marcado pela competição entre grandes potências, pela expansão da inteligência artificial e pela crescente dependência de infraestruturas digitais, países como o Brasil enfrentam um desafio complexo: proteger seus sistemas críticos sem abrir mão da própria soberania tecnológica. Nesse contexto, ganham relevância as posições de setores do Estado brasileiro que defendem cautela diante da ampliação da presença de estruturas estrangeiras em assuntos considerados estratégicos para a segurança nacional. Uma das iniciativas que mais despertam debates nesse cenário é o programa Hunt Forward, conduzido pelo Comando Cibernéti...
Américas, Cuba, Estados Unidos

Cuba: a pequena ilha que virou política interna americana

Durante grande parte do século XX, Cuba foi tratada pelos Estados Unidos como uma ameaça geopolítica estratégica. Hoje, porém, a relação entre os dois países parece cada vez menos determinada pela lógica internacional clássica e cada vez mais influenciada pela política doméstica americana, especialmente pelo peso eleitoral e simbólico da comunidade cubana nos Estados Unidos. Na época da Guerra Fria, Cuba representava um problema concreto de segurança para Washington. A Revolução Cubana de 1959 rompeu com a influência americana na ilha e rapidamente aproximou Havana da União Soviética. O temor dos Estados Unidos não era apenas ideológico. Cuba ocupava uma posição geográfica extremamente sensível, localizada a poucos quilômetros da Flórida, no coração do Caribe, região historicamente cons...
A estranha recusa americana e israelense às tecnologias anti-drone da Ucrânia
Américas, Estados Unidos, Europa, Israel, Oriente Médio, Ucrânia

A estranha recusa americana e israelense às tecnologias anti-drone da Ucrânia

A guerra na Ucrânia transformou o país em um dos maiores laboratórios militares do mundo contemporâneo. Em poucos anos, Kiev passou a desenvolver, adaptar e utilizar tecnologias de drones e sistemas anti-drone em escala inédita. Pequenos drones comerciais convertidos em armas táticas, sistemas improvisados de guerra eletrônica, interceptação digital e novas formas de combate automatizado passaram a fazer parte da rotina diária do conflito. Diante dessa experiência acumulada, autoridades ucranianas começaram recentemente a oferecer cooperação internacional em tecnologias anti-drone para outros países envolvidos em conflitos modernos. O curioso é que, apesar dessa expertise adquirida em combate real, tanto Estados Unidos quanto Israel demonstraram pouco interesse concreto em aceitar ajuda uc...
À beira do abismo: Trump, Irã e a lógica da escalada
Américas, Estados Unidos, Oriente Médio

À beira do abismo: Trump, Irã e a lógica da escalada

Trump escala sua retórica até o limite máximo. A ameaça, feita hoje, ao dizer que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, caso os iranianos não cedam às exigências norte americanas até as 20h de hoje (21 horas de Brasília), se soma à feita no domingo de Páscoa: “abram a porra do Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno” e a muitas outras, em diversas entrevistas, no mesmo tom. A retórica de Trump é sem precedentes para um líder global, ainda mais para o chefe do governo dos Estados Unidos. Tentar explicar sua conduta é um desafio, mas a Teoria dos jogos pode ser de alguma ajuda na tentativa de se compreender a estratégia do presidente norte-americano. Um conceito importante aqui é o “brinkmanship”. Nela, um ator deliberada...
A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão
Américas, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Cuba, Estados Unidos, OEA, Organizações Internacionais, Panamá

A arquitetura global em fratura e a América Latina sob pressão

A arquitetura internacional atual atravessa um processo de corrosão acelerada, e uma parte importante dessa deterioração passa pela forma como os Estados Unidos têm atuado. No plano global, isso aparece na normalização de sanções unilaterais, na pressão sobre terceiros países, na instrumentalização de alianças e na substituição de fóruns multilaterais por decisões de força. No plano regional, especialmente na América Latina, o efeito é ainda mais visível: em vez de fortalecer mecanismos próprios de concertação, Washington tem empurrado a região para uma lógica de alinhamento, securitização e disputa geopolítica. O resultado não é ordem. É instabilidade.  O problema central é que a arquitetura global depende de previsibilidade, regras e algum respeito à soberania. Quando grandes pot...
O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, TPI - Tribunal Penal Internacional

O tribunal dos vencedores e os limites da justiça internacional

O Tribunal Penal Internacional nasceu com a promessa de representar um avanço civilizatório: a criação de uma instância permanente capaz de julgar crimes graves como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, independentemente da vontade dos Estados nacionais. No entanto, mais de duas décadas após sua criação, o funcionamento concreto do TPI revela um conjunto de limitações estruturais e políticas que colocam em xeque sua pretensão de universalidade. Longe de ser um instrumento neutro de justiça global, o tribunal frequentemente é percebido como seletivo, limitado e condicionado pelas assimetrias de poder que marcam o sistema internacional. A principal fragilidade do TPI está em sua dependência dos próprios Estados para funcionar. Diferentemente de sistemas judiciais naci...