ISSN 2674-8053 | Receba as atualizações dos artigos no Telegram: https://t.me/mapamundiorg

Venezuela

A influência persistente e os limites da soberania na América Latina
Américas, Cuba, Estados Unidos, Nicarágua, Venezuela

A influência persistente e os limites da soberania na América Latina

A política externa recente dos Estados Unidos em relação à América Latina tem sido marcada por uma combinação de pressão diplomática, instrumentos econômicos e intervenções indiretas que, embora frequentemente justificadas em nome da democracia e da estabilidade, acabam por reforçar padrões históricos de dependência e limitar a autonomia dos países da região. Em vez de uma relação baseada em cooperação equilibrada, o que se observa é a continuidade de práticas que muitos analistas classificam como formas contemporâneas de ingerência, com impactos profundos sobre a capacidade dos Estados latino-americanos de conduzirem seus próprios destinos políticos e econômicos. Nos últimos anos, Washington tem intensificado sua atuação em temas considerados estratégicos, como eleições, políticas ener...
Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder
África, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Irã, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, Venezuela

Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder

A proteção ambiental tornou-se uma das grandes prioridades do século XXI. Mudanças climáticas, degradação de ecossistemas, perda de biodiversidade e poluição global exigem respostas urgentes e coordenadas entre países. Ao mesmo tempo, porém, a crescente centralidade da agenda verde nas políticas internacionais também abriu espaço para um debate cada vez mais sensível: até que ponto medidas ambientais podem se transformar em instrumentos de pressão econômica e geopolítica. Em vários casos recentes, políticas ambientais passaram a ser utilizadas de forma unilateral, criando barreiras comerciais ou restrições econômicas que acabam limitando a atuação de outros países no sistema internacional. A importância da proteção ambiental é difícil de contestar. Fenômenos como o aumento da temperatur...
Energia como arma geopolítica
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Venezuela

Energia como arma geopolítica

O controle da energia continua sendo um dos motores centrais da política internacional e um dos pilares invisíveis da estratégia dos Estados Unidos no século XXI. Do Golfo Pérsico à Venezuela, passando pela África e pelo Mar do Sul da China, petróleo, gás e rotas marítimas permanecem no centro das disputas de poder, ainda que o discurso oficial muitas vezes privilegie argumentos de segurança, democracia ou estabilidade regional. A história recente demonstra que grandes intervenções militares e pressões diplomáticas dificilmente podem ser compreendidas sem considerar o fator energético. A invasão do Iraque em 2003 ocorreu em um país que detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Embora o argumento público tenha sido a existência de armas de destruição em massa, a reorganização ...
O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Sul Global, União Europeia, Venezuela

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global

Nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia passaram a adotar uma estratégia cada vez mais agressiva para restringir o transporte marítimo de petróleo e gás provenientes de países considerados adversários políticos. Por meio de sanções financeiras, limites de preços e restrições a navios, seguros e portos, essas políticas procuram reduzir as receitas energéticas de estados como Rússia, Irã e Venezuela. Embora apresentadas como instrumentos de pressão política ou de defesa da ordem internacional, essas medidas levantam questionamentos importantes sobre sua compatibilidade com o direito internacional e sobre os efeitos que podem gerar na estabilidade econômica e geopolítica global. O comércio marítimo de hidrocarbonetos sempre foi uma das bases da economia mundial moderna. Grande pa...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
Confrontos distintos, os mesmos interesses
Américas, Estados Unidos, Irã, Oriente Médio, Venezuela

Confrontos distintos, os mesmos interesses

Como o Irã e a Venezuela se transformaram em casos-símbolo da política externa dos Estados Unidos e de sua visão de segurança nacional e interesses estratégicos? Embora muito diferentes em geografia, cultura e poder militar, os dois países passaram a ser atores centrais na retórica e ações de Washington por motivos que, em última análise, guardam semelhanças profundas — sobretudo no que diz respeito à percepção de ameaça e à preservação de posições estratégicas dos EUA no mundo. O Irã foi historicamente visto pelos Estados Unidos como um adversário geopolítico no Oriente Médio, uma rival cujo alinhamento com grupos considerados hostis e cujas ambições nucleares são percebidas por Washington como perigosas para a segurança dos EUA e de seus aliados regionais. Nos últimos meses de 2026, o...
Venezuela e a CELAC em tempos de crise: uma relação testada pela geopolítica
Américas, Canadá, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Estados Unidos, Organizações Internacionais, Venezuela

Venezuela e a CELAC em tempos de crise: uma relação testada pela geopolítica

A crise que envolve a Venezuela desde a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos empurrou a participação do país nas organizações internacionais regionais para o centro de um debate que expõe fragilidades profundas na arquitetura de integração latino-americana. Entre essas organizações, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), criada em 2010 para proporcionar um espaço de diálogo político independente do eixo EUA-Canadá, emergiu como palco privilegiado dessa disputa, mas também como espelho das divisões que corroem a solidariedade regional.  Logo após a operação militar norte-americana no território venezuelano, que culminou com a captura de Maduro, a CELAC foi convocada para uma reunião extraordinária, via videoconferência, com a presença de...
EUA forçam julgamento de Maduro e agudizam crise política na América Latina
Américas, Estados Unidos, Venezuela

EUA forçam julgamento de Maduro e agudizam crise política na América Latina

O julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos deixou de ser apenas um processo judicial para se tornar um símbolo profundo da disputa geopolítica no coração da América Latina. Capturado por forças dos EUA em uma operação militar em 3 de janeiro de 2026, Maduro — ainda que se declare inocente das acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração — enfrenta um tribunal no sul do estado de Nova York em um caso que representa mais do que a simples aplicação da lei americana.  Desde a sua primeira aparição em tribunal, em que tanto ele quanto sua esposa se declararam inocentes, até os próximos passos do processo, a narrativa em torno de Maduro se entrelaça com críticas contundentes sobre a legalidade e legitimidade da ação americana. Especialistas em direito internaciona...
A captura de Maduro e o fim silencioso do sistema internacional
Américas, Estados Unidos, ONU, Organizações Internacionais, Venezuela

A captura de Maduro e o fim silencioso do sistema internacional

Parte 1 O choque que revela a estrutura A invasão da Venezuela por forças dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro não se impõem como um acontecimento isolado, nem como um simples episódio de política regional. O impacto do fato não decorre apenas da quebra de expectativas diplomáticas, mas daquilo que ele revela sobre o estado atual do sistema internacional. Há eventos que não inauguram uma era, mas tornam impossível continuar fingindo que a anterior ainda existe. Este é um deles. Durante décadas, mesmo em meio a guerras, intervenções e disputas assimétricas, persistiu a ideia de que certos limites não poderiam ser ultrapassados sem custos elevados. A soberania territorial, a inviolabilidade formal de chefes de Estado, a necessidade de algum tipo de mediação multilateral ...
Estados Unidos e o precedente da força no mar
Américas, Estados Unidos, Venezuela

Estados Unidos e o precedente da força no mar

A apreensão do petroleiro civil Skipper por forças dos Estados Unidos em 10 de dezembro de 2025, nas proximidades da Venezuela, marcou uma inflexão preocupante na forma como grandes potências vêm lidando com disputas econômicas e políticas no sistema internacional. Ao capturar fisicamente uma embarcação comercial e se apropriar de sua carga de petróleo com base em sanções unilaterais, Washington deu um passo que vai além da pressão diplomática ou financeira e avança para o uso direto da força contra bens civis, abrindo um precedente que fragiliza o direito internacional e aumenta a insegurança global. O argumento apresentado pelas autoridades norte-americanas foi o de que o Skipper estaria envolvido no transporte de petróleo sujeito a sanções impostas pelos próprios Estados Unidos, inte...