ISSN 2674-8053

Venezuela

A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC
Am√©ricas, Argentina, Bol√≠via, Brasil, Chile, Col√īmbia, Cuba, Equador, M√©xico, Panam√°, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela

A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC

Em 1983 Col√īmbia, M√©xico, Panam√° e Venezuela criaram um f√≥rum para mediar conflitos armados na Am√©rica Central. Na √©poca ficou clara a necessidade de eles criarem f√≥runs de di√°logo direto, sem a intermedia√ß√£o de outros pa√≠ses, caso realmente quisessem superar os conflitos. Ficou conhecido como o Grupo de Contadora (nome da ilha do Panam√° no qual ocorreu o encontro). Em 1985 Argentina, Brasil, Peru e Uruguai se juntaram ao grupo e, criaram o Mecanismo Permanente de Consulta e Concerta√ß√£o Pol√≠tica da Am√©rica Latina e do Caribe, tamb√©m conhecido como Grupo do Rio. O Grupo do Rio n√£o √© um organismo internacional propriamente dito, na medida em que n√£o tem um secretariado respons√°vel pela implementa√ß√£o e acompanhamento das propostas. No entanto √© um importante espa√ßo para a concerta√ß√£o ...
A crise energética e a aproximação entre Biden e Maduro
Américas, Estados Unidos, Venezuela

A crise energética e a aproximação entre Biden e Maduro

Artigo elaborado por Jo√£o Paulo Costa A possibilidade de aproxima√ß√£o entre dois grandes desafetos das Am√©ricas, os Estados Unidos e a Venezuela, ocorre como consequ√™ncia de uma disputa militar distante dos latinoamericanos, a atual guerra entre R√ļssia e Ucr√Ęnia. Ao deslocar tropas russas para territ√≥rio ucraniano, Vladimir Putin usou a alega√ß√£o de um ‚Äúgenoc√≠dio‚ÄĚ na regi√£o leste cometido por tropas ‚Äúneonazistas‚ÄĚ. Para Volodymyr Zelensky, que recebeu apoio de outros atores internacionais, incluindo os Estados Unidos, os interesses russos v√£o al√©m disto. Ao optar pela invas√£o militar, Putin envia uma mensagem ao advers√°rio: a entrada da Ucr√Ęnia na Organiza√ß√£o do Tratado do Atl√Ęntico Norte, que vinha avan√ßando a passos largos na gest√£o de Zelensky, n√£o ser√° tolerada. Para os Estados...
Contra quem as san√ß√Ķes internacionais s√£o aplicadas?
Américas, Venezuela

Contra quem as san√ß√Ķes internacionais s√£o aplicadas?

Foto de Reuters/Carlos Garcia Rawlins As san√ß√Ķes comerciais s√£o um instrumento de pol√≠tica externa usado por alguns pa√≠ses e que tem impactos severos. Quando lemos as not√≠cias que falam sobre isso geralmente falam das san√ß√Ķes comerciais contra a Venezuela, ou contra o Ir√£ ou qualquer outro pa√≠s que atualmente est√° sob esse tipo de a√ß√£o. A quest√£o √© que o impacto √© sobre o pa√≠s, com especial foco em seu governo, mas na verdade √© sobre a popula√ß√£o. A ideia √© que a popula√ß√£o sofra os impactos do asfixiamento da economia do pa√≠s e comece a questionar seu governo, o que deveria levar √† escolha de outro presidente (em pa√≠ses democr√°ticos) ou a uma ruptura institucional para a instaura√ß√£o de outro governo (em pa√≠ses ditatoriais). Uma das quest√Ķes por tr√°s disto √© o custo humanit√°rio e soci...
O custo humanit√°rio das san√ß√Ķes internacionais: o caso venezuelano
Américas, Estados Unidos, Venezuela

O custo humanit√°rio das san√ß√Ķes internacionais: o caso venezuelano

Manifestantes venezuelanos contra o governo dos EUA. Foto REUTERS/Alexandre Meneghini As recentes manifesta√ß√Ķes em Cuba reabrem uma discuss√£o importante nas rela√ß√Ķes internacionais: o uso de san√ß√Ķes comerciais como uma forma de pol√≠tica externa. O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou seu apoio ao povo cubano, mas n√£o deu indica√ß√Ķes de altera√ß√£o da atual pol√≠tica de embargos. Em que pese a hist√≥ria e o simbolismo de Cuba no contexto da Guerra Fria, devemos nos lembrar que essa √© uma pol√≠tica mais comum, como pode ser visto no caso da Venezuela. A dura√ß√£o das san√ß√Ķes e embargos aplicados sobre Cuba e Venezuela s√£o mostras claras de seu fracasso como uma a√ß√£o que busca alterar o comportamento de outro governo. Assim, al√©m de n√£o ter um resultado pol√≠tico efetivo, implica em um custo...
A questão fronteiriça entre Venezuela e Guiana
Américas, Estados Unidos, Guiana, Venezuela

A questão fronteiriça entre Venezuela e Guiana

Mapa com a fronteira entre Venzuela e Guiana, com proje√ß√£o da √°rea mar√≠tima. A tens√£o na fronteira entre a Venezuela e a Guiana voltou a ser not√≠cia no √ļltimo fim de semana, em raz√£o da apreens√£o, pela marinha venezuelana, dos navios pesqueiros guianenses ‚ÄúNady Nayera‚ÄĚ e ‚ÄúSea Wolf‚ÄĚ. As chancelarias dos dois pa√≠ses trocaram notas de protesto. A Guiana acusa a Venezuela de ter cometido um ‚Äúato de agress√£o‚ÄĚ ao apreender os navios em √°guas guianenses. Os venezuelanos responderam que a apreens√£o foi leg√≠tima, por ter sido realizada em √°guas sob jurisdi√ß√£o do seu pa√≠s. A disputa √© anterior √† independ√™ncia dos dois pa√≠ses. Desde o in√≠cio do s√©culo 19, espanh√≥is e brit√Ęnicos j√° disputavam o posicionamento da fronteira entre suas col√īnias no norte da Am√©rica do Sul. Em 1835, com a Venezuela ...
A inefic√°cia das san√ß√Ķes internacionais
Américas, Cuba, Estados Unidos, Venezuela

A inefic√°cia das san√ß√Ķes internacionais

As san√ß√Ķes internacionais s√£o um instrumento de pol√≠tica externa extremo, geralmente adotados quando as vias diplom√°ticas n√£o funcionam como esperado. As san√ß√Ķes comerciais t√™m como objetivo isolar o pa√≠s dos fluxos comerciais internacionais, levando a um estrangulamento de sua economia. Com isso, espera-se que a popula√ß√£o local sinta as limita√ß√Ķes e passe a pressionar seus governantes para alterar a situa√ß√£o que levou √† san√ß√£o internacional. Em termos l√≥gicos parece ser uma boa pol√≠tica, mas n√£o √©. Ainda que a san√ß√£o seja direcionada para um determinado governo, na pr√°tica seus principais impactos s√£o sobre a popula√ß√£o, pessoas que t√™m poucas, quando alguma, condi√ß√£o de inflenciar no comportamento governamental. A limita√ß√£o do acesso a mercadorias internacionais, bem como o impact...
Plano Colombia Crece e seu impacto sobre a Venezuela
Am√©ricas, Col√īmbia, Estados Unidos, Venezuela

Plano Colombia Crece e seu impacto sobre a Venezuela

Foto: Instagram/Iv√°n Duque Em agosto (2020) foi anunciado o lan√ßamento do Plano Colombia Crece, resultado da coopera√ß√£o militar entre os governos da Col√īmbia e dos Estados Unidos e focado no combate ao narcotr√°fico. Pode-se dizer que √© uma segunda fase do Plano Colombia, respons√°vel pela inje√ß√£o de USD 7 bilh√Ķes dos EUA na Col√īmbia entre 2000 e 2016. O acordo acontece num momento em que a Col√īmbia vivencia n√≠veis alarmantes de viol√™ncia. J√° foram registrados no pa√≠s, somente em 2020, 46 massacres e mais de mil l√≠deres sociais assassinados. At√© pouco tempo as FARC dominavam o interior do pa√≠s e, com os acordos de paz, caberia ao Estado colombiano ‚Äúreocupar‚ÄĚ esse espa√ßo. No entanto, o Estado colombiano √© claramente fraco no interior, com uma clara aus√™ncia de pol√≠ticas p√ļblicas que...
O início do mundo incerto
Am√©ricas, Brasil, China, Estados Unidos, √ćndia, Jap√£o, R√ļssia, Venezuela

O início do mundo incerto

Desde o final da II Guerra Mundial o mundo vem construindo um sistema com perfil multilateral. Iniciando com as institui√ß√Ķes de Bretton Woods (Fundo Monet√°rio Internacional - FMI; Banco Internacional para Reconstru√ß√£o e Desenvolvimento - BIRD; e Organiza√ß√£o Internacional do Com√©rcio - OIC, logo substitu√≠da pelo Acordo Geral de Tarifas e Com√©rcio - GATT), o que vimos foi a cria√ß√£o de diversas organiza√ß√Ķes e tratados internacionais capazes de orientar o comportamento dos atores internacionais nas mais diversas √°reas. O √°pice deste movimento ocorreu na d√©cada de 1990, per√≠odo no qual houve uma s√©rie de confer√™ncias e tratados internacionais. Inaugurado pela ECO-92, foram tratados casos como mulheres, moradia, direitos humanos. Essas confer√™ncias mostraram ao mundo que a coopera√ß√£o podia i...
Venezuela: o próximo Iraque da América Latina?
Américas, Brasil, Estados Unidos, Venezuela

Venezuela: o próximo Iraque da América Latina?

Analisar a crise venezuelana nos dias de hoje √© algo dif√≠cil pois acabamos em discuss√Ķes pol√≠tico-ideol√≥gicas. Mais do que entender o que se passa no pa√≠s, fatalmente as discuss√Ķes giram em torno do apoio ou da cr√≠tica ao presidente (?) Nicol√°s Maduro. Mas a quest√£o √© mais profunda e uma resposta definitiva n√£o vem f√°cil. √Č certo que a m√≠dia brasileira, bem como o pr√≥prio governo do Brasil, claramente defendem a sa√≠da imediata de Maduro para que assuma, em seu lugar, o opositor Juan Guaid√≥. Aparentemente a quest√£o seria simples: Maduro sai, Guaid√≥ assume o poder, restabelece a ordem na Venezuela e tudo volta ao normal. No entanto, quando olhamos outros exemplos pr√≥ximos, vemos que √© muito mais complicado do que isto. Pensemos no Iraque quando o presidente Bush resolveu invadir. O ...