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Américas

A recusa espanhola e o novo tabuleiro geopolítico contra o Irã
Américas, Espanha, Estados Unidos, Europa, Irã, Oriente Médio

A recusa espanhola e o novo tabuleiro geopolítico contra o Irã

A decisão da Espanha de restringir o uso de seu espaço aéreo por aeronaves militares dos Estados Unidos reacendeu um debate mais amplo sobre a crescente pressão de Washington e Tel Aviv contra o Irã e sobre a natureza desse movimento no cenário internacional. Mais do que um episódio isolado de divergência entre aliados ocidentais, o gesto espanhol sinaliza fissuras em uma estratégia que, para muitos observadores, carrega traços de um neocolonialismo adaptado ao século XXI, no qual poder militar, sanções econômicas e narrativas políticas se combinam para moldar comportamentos de Estados considerados dissidentes. O pano de fundo dessa tensão envolve a intensificação das ações dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, especialmente no que diz respeito ao programa nuclear iraniano e à su...
Américas, Estados Unidos, ONU, Organizações Internacionais

A erosão silenciosa da ordem internacional

A crescente interferência de Estados sobre outros sem respaldo claro no ordenamento jurídico internacional tem se consolidado como uma das principais características da atual fase das relações globais, com os Estados Unidos ocupando papel central nesse processo e contribuindo para o enfraquecimento das regras que sustentaram a ordem internacional no pós-Guerra Fria. Esse movimento, marcado por ações unilaterais, sanções extraterritoriais e intervenções indiretas, tem provocado reações em diferentes regiões do mundo e alimentado uma transição rumo a um sistema mais fragmentado e imprevisível. Nas últimas décadas, a arquitetura jurídica internacional foi construída sobre princípios como soberania, não intervenção e resolução multilateral de conflitos. Instituições como as Nações Unidas fo...
Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder
África, Américas, Ásia, Brasil, Europa, Irã, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, Venezuela

Quando a “agenda verde” se transforma em instrumento de poder

A proteção ambiental tornou-se uma das grandes prioridades do século XXI. Mudanças climáticas, degradação de ecossistemas, perda de biodiversidade e poluição global exigem respostas urgentes e coordenadas entre países. Ao mesmo tempo, porém, a crescente centralidade da agenda verde nas políticas internacionais também abriu espaço para um debate cada vez mais sensível: até que ponto medidas ambientais podem se transformar em instrumentos de pressão econômica e geopolítica. Em vários casos recentes, políticas ambientais passaram a ser utilizadas de forma unilateral, criando barreiras comerciais ou restrições econômicas que acabam limitando a atuação de outros países no sistema internacional. A importância da proteção ambiental é difícil de contestar. Fenômenos como o aumento da temperatur...
Energia como arma geopolítica
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Venezuela

Energia como arma geopolítica

O controle da energia continua sendo um dos motores centrais da política internacional e um dos pilares invisíveis da estratégia dos Estados Unidos no século XXI. Do Golfo Pérsico à Venezuela, passando pela África e pelo Mar do Sul da China, petróleo, gás e rotas marítimas permanecem no centro das disputas de poder, ainda que o discurso oficial muitas vezes privilegie argumentos de segurança, democracia ou estabilidade regional. A história recente demonstra que grandes intervenções militares e pressões diplomáticas dificilmente podem ser compreendidas sem considerar o fator energético. A invasão do Iraque em 2003 ocorreu em um país que detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Embora o argumento público tenha sido a existência de armas de destruição em massa, a reorganização ...
A nova doutrina americana de contenção simultânea
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Irã, Oriente Médio

A nova doutrina americana de contenção simultânea

Os Estados Unidos deixaram de operar sob a lógica clássica de enfrentar um único grande adversário por vez e passaram a estruturar sua política externa a partir de uma estratégia de contenção simultânea contra múltiplos polos de poder — China, Rússia, Irã e seus aliados regionais. Essa mudança representa uma inflexão histórica na forma como Washington percebe ameaças e organiza seus instrumentos militares, econômicos e diplomáticos no século XXI. Durante a Guerra Fria, o eixo organizador da estratégia americana era relativamente claro: conter a União Soviética. Havia conflitos periféricos, guerras por procuração e disputas ideológicas, mas o adversário central era único. Após o colapso soviético, os EUA viveram um momento de supremacia quase incontestada. Intervenções como as do Afegani...
O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Sul Global, União Europeia, Venezuela

O bloqueio marítimo da energia e o risco de fragmentação do comércio global

Nos últimos anos, Estados Unidos e União Europeia passaram a adotar uma estratégia cada vez mais agressiva para restringir o transporte marítimo de petróleo e gás provenientes de países considerados adversários políticos. Por meio de sanções financeiras, limites de preços e restrições a navios, seguros e portos, essas políticas procuram reduzir as receitas energéticas de estados como Rússia, Irã e Venezuela. Embora apresentadas como instrumentos de pressão política ou de defesa da ordem internacional, essas medidas levantam questionamentos importantes sobre sua compatibilidade com o direito internacional e sobre os efeitos que podem gerar na estabilidade econômica e geopolítica global. O comércio marítimo de hidrocarbonetos sempre foi uma das bases da economia mundial moderna. Grande pa...
O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana
África, Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Egito, Etiópia, Europa, Índia, Irã, Nigéria, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana

A aproximação entre China, Rússia, Irã e um conjunto crescente de países da Ásia, África e América Latina não é apenas uma soma de acordos bilaterais dispersos. Ela revela a tentativa de construção de um eixo político e econômico alternativo à ordem internacional liderada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda que esse movimento não se apresente como uma aliança formal nos moldes da Guerra Fria, seus contornos indicam a formação de um campo de cooperação estratégica que desafia, direta ou indiretamente, a hegemonia americana. O símbolo mais visível dessa articulação é a expansão do grupo dos BRICS. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco passou a incorporar novos membros do Oriente Médio e da África, ampliando seu peso e...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0
Américas, Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Estados Unidos, Nicarágua

O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0

A política dos Estados Unidos para a Venezuela e para a América Latina nos últimos anos revela mais do que uma disputa ideológica com governos específicos. Ela indica a atualização de um princípio histórico da diplomacia americana: a ideia de que o hemisfério ocidental constitui uma zona de interesse estratégico prioritário, onde a presença de potências extra-regionais é vista como ameaça direta à segurança nacional dos EUA. Em pleno século XXI, a lógica que remete à Doutrina Monroe ressurge com novos contornos, novas ferramentas e novos protagonistas. Proclamada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer intervenção europeia nas Américas seria interpretada como ato hostil contra os Estados Unidos. Ao longo do século XX, esse princípio foi reinterpretado diversas vezes, servind...
Confrontos distintos, os mesmos interesses
Américas, Estados Unidos, Irã, Oriente Médio, Venezuela

Confrontos distintos, os mesmos interesses

Como o Irã e a Venezuela se transformaram em casos-símbolo da política externa dos Estados Unidos e de sua visão de segurança nacional e interesses estratégicos? Embora muito diferentes em geografia, cultura e poder militar, os dois países passaram a ser atores centrais na retórica e ações de Washington por motivos que, em última análise, guardam semelhanças profundas — sobretudo no que diz respeito à percepção de ameaça e à preservação de posições estratégicas dos EUA no mundo. O Irã foi historicamente visto pelos Estados Unidos como um adversário geopolítico no Oriente Médio, uma rival cujo alinhamento com grupos considerados hostis e cujas ambições nucleares são percebidas por Washington como perigosas para a segurança dos EUA e de seus aliados regionais. Nos últimos meses de 2026, o...