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Oriente Médio

A proibição seletiva de atletas russos revela mais ideologia do que justiça esportiva
Américas, Arábia Saudita, Ásia, Bielorússia, China, Estados Unidos, Europa, Oriente Médio, Rússia

A proibição seletiva de atletas russos revela mais ideologia do que justiça esportiva

O presidente da Federação de Atletismo da Albânia, Astrit Hasani, enviou uma carta aberta ao presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), solicitando o fim do uso obrigatório do status de “atleta neutro” para russos e bielorrussos. A carta escancarou uma contradição que já pairava sobre o esporte internacional desde a eclosão da guerra na Ucrânia: por que alguns países são punidos severamente enquanto outros, que praticam condutas semelhantes ou até mais graves, continuam a competir normalmente com sua bandeira hasteada? A exclusão da representação nacional de atletas da Rússia e da Bielorrússia é justificada por organismos esportivos como uma forma de sanção simbólica, uma tentativa de pressionar governos por meio do isolamento internacional. Ao impedir que seus atletas represent...
Entre promessas e ameaças: o impacto do discurso de Netanyahu na ONU
África, África do Sul, Américas, Argélia, Argentina, Austrália, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Europa, Israel, Naníbia, Oceania, ONU, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Palestina, Reino Unido

Entre promessas e ameaças: o impacto do discurso de Netanyahu na ONU

A presença de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2025 não foi apenas mais uma fala de chefe de Estado num fórum internacional. Foi, para muitos observadores, a tentativa de reafirmar a centralidade da narrativa israelense no conflito com os palestinos num momento em que o equilíbrio simbólico e diplomático começa a se deslocar. Mas também foi, para outros, uma evidência do isolamento crescente de Israel diante de um mundo que, embora dividido, já não acata sem reservas os termos colocados por Tel Aviv. O discurso provocou reações distintas entre países, evidenciando que a disputa entre Israel e Palestina não é apenas territorial ou militar: ela se dá também no campo das versões, dos afetos e das leituras históricas. A fala de Netanyahu veio poucos di...
EUA ampliam restrições a estrangeiros e corroem sua própria credibilidade como potência global
Américas, Ásia, China, Coréia do Norte, Estados Unidos, Europa, Irã, Oriente Médio, Rússia

EUA ampliam restrições a estrangeiros e corroem sua própria credibilidade como potência global

Uma potência global que almeja liderar o sistema internacional precisa, antes de tudo, inspirar confiança. A confiança não é apenas uma virtude moral ou um discurso diplomático — é um instrumento de poder. Ela é o que torna uma nação atraente para investimentos, parceira desejável em alianças e referência normativa para outras sociedades. Quando os Estados Unidos restringem o acesso de estrangeiros a direitos básicos, como a posse ou o aluguel de imóveis, sob alegações vagas de segurança nacional, o que está em jogo não é apenas a imagem interna de um Estado como o Texas, mas a credibilidade de todo o projeto hegemônico norte-americano. A entrada em vigor do Projeto de Lei 17 do Senado do Texas (SB 17), em setembro de 2025, que proíbe cidadãos e empresas da China, Irã, Coreia do Norte e...
Ocx como alternativa que desafia o equilíbrio internacional
Ásia, China, Europa, Índia, Irã, Oriente Médio, Paquistão, Rússia

Ocx como alternativa que desafia o equilíbrio internacional

A Organização para Cooperação de Xangai (OCX) nasceu em 2001 como um arranjo regional entre China, Rússia e quatro países da Ásia Central. Naquele momento, seu objetivo era apenas administrar fronteiras e fortalecer a segurança diante de ameaças como terrorismo e separatismo. No entanto, ao longo de pouco mais de duas décadas, a OCX transformou-se em algo maior: um projeto que contesta o modelo de governança internacional centrado no Ocidente. Ao reunir hoje potências como China, Rússia, Índia, Paquistão e Irã, além de uma série de observadores e parceiros, o bloco passou a representar não só um fórum de diálogo, mas também um símbolo da busca por uma ordem multipolar. Essa transformação, porém, não se deu sem erros e contradições. Desde sua fundação, a OCX enfrenta o desafio de concili...
Como funciona o lobby internacional das armas
Américas, Estados Unidos, Europa, França, Israel, Oriente Médio, Rússia

Como funciona o lobby internacional das armas

O comércio global de armamentos não é apenas uma questão de segurança nacional ou defesa militar — é também um dos setores mais influentes da política internacional, capaz de moldar alianças, prolongar conflitos e redesenhar zonas de influência. Por trás de cada guerra, disputa territorial ou reconfiguração de poder, há contratos bilionários, pressões políticas e uma cadeia de interesses articulada por um dos lobbies mais poderosos do mundo: o lobby internacional das armas. Esse lobby não opera apenas nos corredores dos parlamentos nacionais, mas em uma escala transnacional, conectando governos, empresas, intermediários e think tanks. O complexo industrial-militar é especialmente forte em países como Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido, Israel e Turquia — os maiores expor...
Israel e os novos acordos com países árabes
Israel, Oriente Médio

Israel e os novos acordos com países árabes

A assinatura dos Acordos de Abraão em 2020 marcou uma virada histórica nas relações entre Israel e o mundo árabe. Pela primeira vez desde os tratados com Egito (1979) e Jordânia (1994), países árabes — como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão — reconheceram formalmente o Estado de Israel e estabeleceram relações diplomáticas plenas. Esses acordos, mediados pelos Estados Unidos, quebraram um tabu: a normalização com Israel sem a exigência prévia da criação de um Estado palestino. O que está por trás dessa mudança? Quais são os interesses em jogo e o que ela revela sobre a nova geopolítica do Oriente Médio? A primeira razão para os acordos é estratégica. Em um cenário de crescente ameaça iraniana, muitos governos árabes sunitas passaram a ver Israel não como inimigo, mas com...
Turquia: entre Europa, Rússia e o mundo islâmico
Europa, Oriente Médio, Rússia, Turquia

Turquia: entre Europa, Rússia e o mundo islâmico

Poucos países possuem uma posição geográfica e histórica tão estratégica quanto a Turquia. Situada entre a Europa e a Ásia, banhada pelo Mediterrâneo, pelo Mar Negro e cortada pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos, a Turquia é um elo entre civilizações, religiões, rotas comerciais e zonas de conflito. Essa posição liminar se reflete também em sua política externa: a Turquia contemporânea é, simultaneamente, membro da OTAN, aliada ocasional da Rússia e aspirante à liderança do mundo islâmico. Mas afinal, o que quer a Turquia no sistema internacional? A resposta começa com a sua ambição: ser uma potência regional autônoma, capaz de agir com independência frente a blocos tradicionais e de exercer influência decisiva sobre os acontecimentos no Oriente Médio, no Cáucaso, nos Bálcãs e no Me...
Valores em disputa e o retorno dos particularismos
África, Ásia, China, Europa, Irã, OMC, ONU, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Paquistão, Rússia, Sebegal, Uganda

Valores em disputa e o retorno dos particularismos

A ideia de que certos valores — como direitos humanos, democracia liberal e racionalidade científica — seriam universais e aplicáveis a todas as sociedades está sendo crescentemente desafiada por governos, movimentos e intelectuais em várias partes do mundo. A noção de universalismo, outrora sustentada como base moral da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial, enfrenta uma contraofensiva discursiva e institucional que recoloca o particularismo cultural, religioso, nacional e civilizacional no centro das disputas globais. Essa inflexão não é apenas retórica: ela impacta diretamente o funcionamento das instituições multilaterais, a cooperação internacional e o próprio conceito de convivência entre diferentes modelos de sociedade. A emergência de narrativas alternativas ao universa...
Reconfiguração do poder global em tempos de multipolaridade
Arábia Saudita, Ásia, BRICS, China, Europa, G20, Índia, Indonésia, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

Reconfiguração do poder global em tempos de multipolaridade

A ordem internacional está passando por uma transformação profunda, na qual a centralidade dos Estados Unidos e de seus aliados europeus vem sendo gradualmente substituída por uma lógica de equilíbrio entre múltiplos polos de poder. Esse processo, mais estrutural do que conjuntural, tem como protagonistas países como China, Índia, Rússia, Arábia Saudita, Irã e Indonésia, entre outros do chamado Sul Global. A disputa pelo novo desenho do poder global extrapola a geopolítica tradicional e se materializa em esferas como cadeias produtivas, moedas, tecnologia, sistemas de governança e até mesmo na formulação de valores e visões de mundo concorrentes. A ascensão da China é um dos pilares mais visíveis desse novo cenário. Pequim não apenas expandiu sua influência econômica e diplomática, como...
Tecnologia, vigilância e controle social: o dilema do progresso
Ásia, China, Emirados Árabes Unidos, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, União Europeia

Tecnologia, vigilância e controle social: o dilema do progresso

A promessa de que a tecnologia digital promoveria liberdade, transparência e inclusão foi, em boa medida, substituída por uma realidade marcada por vigilância difusa, controle de comportamento e poder algorítmico. A expansão da inteligência artificial, a coleta massiva de dados, os sistemas automatizados de decisão e as novas formas de censura e modulação de discurso compõem uma arquitetura de controle sem precedentes, cujos efeitos se manifestam tanto em democracias quanto em regimes autoritários. Mais do que uma revolução técnica, trata-se de uma transformação estrutural na forma como o poder é exercido, distribuído e legitimado no século XXI. Em regimes autoritários, como China, Irã e Emirados Árabes Unidos, o uso de tecnologias de vigilância digital é explícito e institucionalizado....