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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
A importância da integração regional para o Brasil
Américas, Brasil

A importância da integração regional para o Brasil

A América Latina tem visto uma série de esforços de integração regional ao longo dos anos, com o objetivo de promover a cooperação econômica, política e social entre os países da região. Alguns dos principais processos de integração regional na América Latina incluem: Mercosul: Fundado em 1991, o Mercado Comum do Sul é uma união aduaneira entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de promover a integração econômica e comercial na região. Aliança do Pacífico: Fundada em 2012, a Aliança do Pacífico é uma organização intergovernamental que inclui Chile, Colômbia, México e Peru, com o objetivo de promover a integração econômica, comercial e política na região. Comunidade de Nações do Caribe: Fundada em 1973, a Comunidade de Nações do Caribe é uma organização regional ...
Nicarágua: o custo das sanções internacionais recai sobre a população
Nicarágua

Nicarágua: o custo das sanções internacionais recai sobre a população

Foto de Amnesty International Nicaragua é um país da América Central relativamente pouco conhecido pelos brasileiros. As poucas vezes que o país aparece na mídia brasileira é para falar (de forma superficial) de algum golpe ou desastre que ocorre no país. As últimas notícias mostram manifestações populares e a resposta repressiva do presidente nicaraguense Daniel Ortega. A visão apresentada é que se trata de um ditador autoritário num país instável. No entanto, mais do que uma conjuntura, existe ali uma questão mais estrutural: o país está pressionado economicamente em função das sanções e embargos que sofre. Em 1985 o presidente estadunidense Ronald Reagan declarou a Nicarágua uma ameaça à segurança nacional. O resultado foi a imposição de sanções comerciais e o banimento de voos co...
Rússia-Ucrânia: o efeito spill over do armamento
Américas, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia, Ucrânia

Rússia-Ucrânia: o efeito spill over do armamento

Foto de Valentyn Onyshchenko A guerra entre Rússia e Ucrânia continua com passos lentos e sentido incerto. Recentemente Putin declarou que pode lançar mão das opções que tem em mãos, o que levantou o medo da utilização de armas atômicas. Ainda que não saibamos qual será o desfecho dessa possibilidade existe um outro problema que já se mostra real e que não tem sido discutido: qual a utilização atual e futura da enorme quantidade de armas disponibilizadas nessa guerra? Em qualquer esforço de guerra, por mais que haja a tentativa de controle sobre os recursos, a verdade é que é difícil realmente saber o que está acontecendo. Para que tenhamos uma ideia do que estamos falando, o Ocidente já superou o gasto de US$ 10 bilhões em apoio militar para a Ucrânia. São gastos dos mais variados, ...
O preço dos alimentos, para além da guerra entre Rússia e Ucrânia
Europa, Rússia, Ucrânia

O preço dos alimentos, para além da guerra entre Rússia e Ucrânia

O preço dos alimentos está cada vez mais alto, e isso não apenas no Brasil, mas no mundo como um todo. As razões para isso são diversas e levam à necessidade de repensarmos a chamada “segurança alimentar”. A guerra entre Rússia e Ucrânia tem sido apontada como a grande culpada pelo aumento dos preços dos alimentos. Certamente ela tem um papel muito importante nisso, mas é apenas parte da história. No começo de 2020, com o avanço da pandemia do Covid-19 houve uma desestruturação das cadeias de suprimento internacionais, o que pressionou os custos. Na sequência os governos implementaram políticas fiscais e monetárias para diminuir as consequências da pandemia sobre suas populações, o que levou ao aumento dos preços de comodities, especialmente grãos e alimentos. Para se ter uma ideia, ant...
Para além das armas nucleares: a importância das armas químicas e biológicas
Europa, Rússia, Ucrânia

Para além das armas nucleares: a importância das armas químicas e biológicas

A guerra entre Rússia e Ucrânia já ultrapassou a marca de seis meses e, tudo indica, ainda terá um longo tempo até que encontre a paz. Isso ocorre porque os avanços militares estão cada vez mais entrincheirados, lembrando os lentos movimentos que ocorreram na II Guerra Mundial. A alternativa para um possível fim mais abrupto para o conflito estaria na possível utilização de armas atômicas. Até o momento não parece provável que a Rússia utilize armas atômicas. No entanto, só a existência dessa possibilidade já deve abrir nosso olhar sobre algumas questões mais estruturais do mundo atual: qual o potencial de destruição acumulado no mundo? Como podemos controlar tanto esse potencial quanto o próprio uso? As armas atômicas são classificadas dentro de um grupo maior chamado de Armas de De...
A necessidade de reforma da Arquitetura Financeira Global
BRICS, FMI, Organizações Internacionais

A necessidade de reforma da Arquitetura Financeira Global

Encontro do G-20 (somados a Espanha e Holanda) em 2008 durante um encontro nos EUA. As constantes e cada vez mais impactantes crises financeiras que ocorrem desde as últimas décadas do século passado mostram que é necessária uma reforma da Arquitetura Financeira Global. Antes de entender o que isso significa, é importante saber o que é a arquitetura financeira global. A arquitetura financeira global pode ser definida como um conjunto de acordos internacionais e de instituições internacionais que promove o fluxo internacional de capital com o objetivo de facilitar investimentos e financiar o comércio internacional. É a consolidação do trabalho coordenado (mesmo que de forma informal) de diferentes Acordos Multilaterais, Bancos Centrais e Organizações Intergovernamentais. Dentre as ...
A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela

A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC

Em 1983 Colômbia, México, Panamá e Venezuela criaram um fórum para mediar conflitos armados na América Central. Na época ficou clara a necessidade de eles criarem fóruns de diálogo direto, sem a intermediação de outros países, caso realmente quisessem superar os conflitos. Ficou conhecido como o Grupo de Contadora (nome da ilha do Panamá no qual ocorreu o encontro). Em 1985 Argentina, Brasil, Peru e Uruguai se juntaram ao grupo e, criaram o Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política da América Latina e do Caribe, também conhecido como Grupo do Rio. O Grupo do Rio não é um organismo internacional propriamente dito, na medida em que não tem um secretariado responsável pela implementação e acompanhamento das propostas. No entanto é um importante espaço para a concertação diplo...
A democracia em Cuba depende do fim dos embargos e não de sua manutenção
Américas, Cuba, Estados Unidos

A democracia em Cuba depende do fim dos embargos e não de sua manutenção

Foto: Yamil Lage/AFP/Getty Images Em fevereiro de 1962 o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, decretou o embargo comercial contra Cuba. 60 anos depois a situação continua a mesma. Afinal, por que os Estados Unidos declararam embargo contra Cuba? Quais os resultados alcançados? Ainda faz sentido a manutenção de embargos contra Cuba? A ideia de Kennedy ao declarar embargos comerciais contra Cuba era a de diminuir a ameaça que a ilha fazia aos Estados Unidos em função de seu alinhamento com o eixo comunista, lembrando que estávamos no auge da Guerra Fria. Seu objetivo era enfraquecer a economia cubana, o que poderia levar à uma revolta popular que questionasse o governo comunista levando a sua queda. Como podemos ver atualmente, mesmo depois de 60 anos o objetivo de altera...
Brasil assume a presidência do Conselho de Segurança da ONU
ONU, Organizações Internacionais

Brasil assume a presidência do Conselho de Segurança da ONU

ONU News/Divulgação A partir de julho o Brasil assumirá a presidência rotativa do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Será o 11º mandato do Brasil à frente do Conselho de Segurança e ocorre num momento de muita tensão internacional. Mas, afinal, qual o papel do Conselho de Segurança atual? Questionamentos sobre a reforma da ONU como um todo e do Conselho especificamente fazem sentido? Para responder a estas perguntas e entender o papel do Brasil no Conselho é preciso, antes, entender um pouco a ONU e seu papel no mundo. A ONU foi criada após o fim da II Guerra Mundial e tinha como seu principal objetivo promover uma paz duradoura. Esforço semelhante foi feito ao final da I Guerra Mundial, com a criação da Liga das Nações, que não alcançou seu principal ob...
A construção de agendas internacionais: o papel do Movimento dos Países Não Alinhados
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Índia, Rússia

A construção de agendas internacionais: o papel do Movimento dos Países Não Alinhados

Países membros (azul escuro) e observadores (azul claro) do Movimento Não Alinhado (2005). Durante a Guerra Fria o mundo foi estruturado em torno de dois grandes blocos: capitalista (liderado pelos Estados Unidos) e comunista (liderado pela União Soviética). Esses blocos formaram uma estrutura internacional conhecida por bipolar, na medida em que os blocos se mostravam antagônicos. Ao longo da Guerra Fria outras tendências importantes ocorreram, especialmente as lutas nacionais por independência, combate ao imperialismo e a busca por superação da pobreza em grande parte do mundo. Essas tendências acabaram por consolidar um grupo conhecido por Movimento dos Países Não Alinhados. Importante notar que não se tratou da criação de um terceiro polo e nem necessariamente da recusa da exi...