ISSN 2674-8053 | Receba as atualizações dos artigos no Telegram: https://t.me/mapamundiorg

Peru

América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru

América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos

A América Latina tornou-se peça-chave na reorganização geopolítica e geoeconômica provocada pela corrida global por terras raras e minerais críticos. A região concentra algumas das maiores reservas mundiais de lítio, cobre, nióbio, grafite e terras raras leves, posicionando-se como fornecedora estratégica para a transição energética, a indústria digital e a nova economia verde. No entanto, o papel latino-americano oscila entre a histórica condição de exportador de matérias-primas e a tentativa de avançar na cadeia de valor, em meio à disputa crescente entre China, Estados Unidos e União Europeia. O caso mais emblemático é o do lítio. Argentina, Bolívia e Chile formam o chamado “triângulo do lítio”, responsável por mais da metade das reservas globais conhecidas. O Chile consolidou-se com...
Peru vive crise crônica e redefine seu lugar no mundo
Américas, Ásia, China, Peru

Peru vive crise crônica e redefine seu lugar no mundo

O Peru atravessa uma das fases mais instáveis de sua história republicana recente, marcada por sucessivas quedas presidenciais, confrontos entre Executivo e Congresso e uma erosão contínua da confiança popular nas instituições. A eleição ontem (18/02/2026) de José María Balcázar como presidente interino, em mais um capítulo de transição emergencial, não representa uma ruptura com o ciclo de turbulência, mas sim a confirmação de um padrão político que se consolidou na última década. O país andino tornou-se um laboratório de instabilidade democrática dentro da América Latina e, ao mesmo tempo, um ator geopolítico relevante cuja fragilidade interna contrasta com sua importância estratégica global. Nos últimos anos, o Peru acumulou uma sequência impressionante de presidentes que não concluí...
A emergência de novas vozes no Sul global desafia o sistema internacional tradicional
Américas, Ásia, Banco Mundial, Bangladesh, Chile, Colômbia, FMI, G20, Índia, ONU, Organizações Internacionais, Peru, Quênia, Sul Global

A emergência de novas vozes no Sul global desafia o sistema internacional tradicional

Movimentos sociais, protestos populares e lideranças juvenis em países do Sul global têm se tornado protagonistas de transformações políticas e sociais significativas, desafiando o monopólio das potências tradicionais na definição da agenda internacional. Em 2025, manifestações na África, no Oriente Médio, na Ásia e na América Latina mostram que a política internacional já não se limita aos governos e às grandes potências: ela é cada vez mais influenciada por atores locais que reivindicam participação, justiça social e soberania. Embora historicamente as decisões globais tenham sido concentradas nas mãos de países do Norte — especialmente após a Segunda Guerra Mundial — os últimos anos mostraram o surgimento de uma dinâmica distinta. A juventude urbana, os movimentos feministas, os cole...
A guerra dos alimentos e fertilizantes: como as cadeias agrícolas revelam a interdependência global
África, Américas, Ásia, Brasil, Canadá, China, Egito, Europa, Índia, Líbano, Oriente Médio, Peru, Rússia, Sri Lanka, Ucrânia

A guerra dos alimentos e fertilizantes: como as cadeias agrícolas revelam a interdependência global

Em um mundo cada vez mais integrado, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma questão de produção local para se tornar uma peça central na engrenagem do comércio global. As cadeias agrícolas internacionais, que conectam plantações no Brasil, jazidas de potássio na Rússia, portos na China e silos nos Estados Unidos, formam uma teia complexa e interdependente que garante o abastecimento de bilhões de pessoas. No entanto, quando essa engrenagem sofre choques — seja por guerras, sanções ou disputas geopolíticas — os efeitos são imediatos, difusos e, muitas vezes, devastadores. Grãos e fertilizantes, dois pilares da produção agrícola moderna, estão no centro dessas turbulências e ilustram com clareza os desafios e interesses ocultos que marcam a geopolítica contemporânea. A pandemia de...
Atividades biológicas militares: a questão dos laboratórios e o aumento de surtos de doenças emergentes
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Peru

Atividades biológicas militares: a questão dos laboratórios e o aumento de surtos de doenças emergentes

A atuação militar no campo das atividades biológicas levanta preocupações significativas, especialmente diante do aumento de surtos de doenças emergentes em diversas regiões do mundo. Laboratórios biológicos militares, destinados oficialmente à pesquisa e desenvolvimento de medidas contra ameaças biológicas e doenças infecciosas, estão no centro de debates sobre a sua real função e impacto na saúde pública global. A crescente incidência de novos surtos e doenças emergentes alimenta a suspeita sobre o papel dessas instalações e a possibilidade de suas operações estarem contribuindo para a proliferação de novas ameaças biológicas. Em várias partes do mundo, a ativação desses laboratórios coincide frequentemente com o surgimento de doenças antes desconhecidas ou raras. Por exemplo, no Peru...
Atividades biológicas militares dos EUA: uma nova frente de preocupação na América Latina
Américas, Argentina, Brasil, Estados Unidos, México, Peru

Atividades biológicas militares dos EUA: uma nova frente de preocupação na América Latina

A presença militar e científica dos Estados Unidos em terras latino-americanas tem sido motivo de controvérsia e especulação. Recentemente, as atividades relacionadas à pesquisa biológica, realizadas por entidades como o NAMRU-SOUTH e apoiadas por empresas farmacêuticas estadunidenses, entraram em foco, suscitando debates sobre soberania, segurança e ética. Este artigo procura desvendar as nuances desse tema, amparado por relatos e análises veiculados por importantes jornais da América Latina. A expansão das pesquisas biológicas militares dos Estados Unidos na região tem gerado um debate acalorado sobre a transgressão da soberania nacional e as implicações para a segurança dos países envolvidos. O "La Jornada" do México tem sido vocal sobre as implicações dessas atividades, questionando...
A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela

A necessidade de integração do Brasil nas agendas regionais: o caso da CELAC

Em 1983 Colômbia, México, Panamá e Venezuela criaram um fórum para mediar conflitos armados na América Central. Na época ficou clara a necessidade de eles criarem fóruns de diálogo direto, sem a intermediação de outros países, caso realmente quisessem superar os conflitos. Ficou conhecido como o Grupo de Contadora (nome da ilha do Panamá no qual ocorreu o encontro). Em 1985 Argentina, Brasil, Peru e Uruguai se juntaram ao grupo e, criaram o Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política da América Latina e do Caribe, também conhecido como Grupo do Rio. O Grupo do Rio não é um organismo internacional propriamente dito, na medida em que não tem um secretariado responsável pela implementação e acompanhamento das propostas. No entanto é um importante espaço para a concertação diplo...
A ideologização da política externa brasileira: por que precisamos nos relacionar com todos?
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Peru

A ideologização da política externa brasileira: por que precisamos nos relacionar com todos?

Foto: MARTIN BERNETTI/AFP/GETTY IMAGES / BBC News Brasil O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não comparecerá à posse do presidente eleito no Chile, Gabriel Boric. A cerimônia de posse está agendada para o dia 11/03 e facilmente permitiria a ida de Bolsonaro, prestigiando o governo chileno. A razão dessa recusa está na posição política do Boric, que é de esquerda. Não é a primeira vez que Bolsonaro se recusa a ir a uma posse presidencial de um país latino-americano. Em 2019 Bolsonaro não foi à posse do argentino Alberto Fernández (note-se que nos 17 anos anteriores os presidentes brasileiros foram à cerimônia de posse, dada a importância do país para as relações internacionais brasileiras). Em 2020 Bolsonaro também não foi à posse do boliviano Luis Arce, sequer enviando um represe...
Eleições no Peru e Democracia na América Latina
Américas, Peru

Eleições no Peru e Democracia na América Latina

Candidatos à presidência do Peru: Pedro Castillo e Keiko Fujimori O Peru passará, no dia 6 de junho de 2021 por um segundo turno de uma eleição presidencial muito polarizada. De um lado, temos Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, de outro, o candidato de extrema esquerda Pedro Casillo. Curiosamente, o primeiro turno não foi de grande polarização eleitoral, tendo Castillo obtido apenas 19% dos votos enquanto Fujimori alcançou meros 13%. Ou seja, 68% dos eleitores preferiram outros candidatos. Deveremos observar então uma polarização induzida pelas instituições, no caso, a regra eleitoral. Dois candidatos em posições muito distantes no espectro econômico farão campanha para convencer uma massa central de eleitores que não achavam suas propostas as melhores logo de saíd...
E la nave va (III) – Xi Jinping e a II Cúpula da Nova Rota da Seda
Ásia, Áustria, Chile, China, Egito, Grécia, Hungria, Itália, Myanmar, Peru, Portugal, Rússia

E la nave va (III) – Xi Jinping e a II Cúpula da Nova Rota da Seda

Encerrou-se ontem, em Pequim, a II Reunião de Cúpula da “Belt and Road Initiative” – a “Nova Rota da Seda” – o projeto mais ambicioso deste século, segundo muitos analistas, para o realinhamento da geoecomia/geopolítica do planeta. Conforme se recorda, lançado em 2013, por Xi Jiping, o seu objetivo é criar um cinturão econômico, tecnológico e cultural unindo a Ásia à Europa e à África, ampliando assim o traçado e o escopo da Rota da Seda original, que desenhada pelos chineses durante a dinastia Han (séc. II a.C/ II d.C), foi o grande corredor pelo qual as mercadorias do Oriente chegavam até a Europa. Esta rota, que perdurou até a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, foi, como sabemos, o maior elo comercial e civilizacional da História. A primeira reunião de cúpula da “Road ...