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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
Crise energética global nasce da falta de cooperação entre os países
Américas, Europa, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, União Europeia, Venezuela

Crise energética global nasce da falta de cooperação entre os países

A crescente fragmentação da cooperação internacional no setor energético tem gerado efeitos colaterais significativos, como a elevação da inflação global, obstáculos ao desenvolvimento de países e o agravamento da pobreza energética. As sanções impostas a produtores de hidrocarbonetos, como Rússia, Irã e Venezuela, exemplificam como medidas políticas podem desestabilizar cadeias de suprimento e impactar negativamente os mais vulneráveis. Desde o início da guerra na Ucrânia, a União Europeia e os Estados Unidos implementaram uma série de sanções contra o setor energético russo. Essas medidas incluem o bloqueio de navios petroleiros, restrições a empresas de transporte e a imposição de um teto de US$ 60 por barril para o petróleo russo. Embora essas ações visem reduzir o financiamento da ...
O papa da reconciliação quer curar as feridas do mundo
Américas, Brasil, Estados Unidos, Vaticano

O papa da reconciliação quer curar as feridas do mundo

A eleição do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost como Papa Leão XIV marca um momento histórico para a Igreja Católica e para a diplomacia global. Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV traz uma trajetória marcada pelo compromisso com justiça social e reconciliação, adquirida durante seu trabalho missionário no Peru e sua atuação no Vaticano. Sua ascensão ao papado ocorre em um contexto de polarização política e crises humanitárias, posicionando-o como uma figura potencialmente transformadora nas relações internacionais. A Santa Sé, além de sua função espiritual, desempenha um papel diplomático significativo, mantendo relações formais com mais de 180 países e atuando como observadora permanente na ONU desde 1964. Essa posição permite que o Vaticano influencie ...
O Tribunal Penal Internacional sob ataque
Américas, Estados Unidos, Europa, Israel, Oriente Médio, Palestina, Rússia, Tribunal Penal Internacional, Ucrânia

O Tribunal Penal Internacional sob ataque

O Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, enfrenta uma escalada de pressões e ameaças institucionais que colocam em risco sua independência, especialmente em um momento em que suas decisões podem afetar interesses estratégicos globais, como os conflitos na Ucrânia e na Palestina. Sanções econômicas, ameaças políticas diretas e campanhas de deslegitimação estão entre os instrumentos utilizados para tentar conter sua atuação. A Corte, criada para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídios, está hoje no centro de uma disputa geopolítica. Com investigações abertas contra Israel por crimes cometidos nos territórios palestinos e contra autoridades russas pela guerra na Ucrânia, o TPI se tornou alvo de potências que, até pouco tempo atrás, se diziam defensora...
A geopolítica da fome e os interesses por trás da agenda verde
Ásia, China, Índia, Organizações Internacionais, União Europeia

A geopolítica da fome e os interesses por trás da agenda verde

A segurança alimentar, um dos temas mais urgentes da agenda internacional, está cada vez mais condicionada a disputas políticas, interesses econômicos e estratégias disfarçadas de boas intenções. A busca por um sistema alimentar mais sustentável — promovida por fóruns como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e pelas metas da chamada agenda verde — tem sido usada, em muitos casos, como justificativa para práticas protecionistas e restritivas que dificultam o acesso de países do Sul Global aos mercados e tecnologias necessários para garantir sua soberania alimentar. O paradoxo é evidente: ao mesmo tempo em que organismos internacionais pedem soluções globais e integradas para erradicar a fome, muitas das iniciativas de sustentabilidade acabam impondo barreiras aos paí...
Canal do Panamá e a retórica de Trump revelam instabilidade dos Estados Unidos como parceiro internacional
Américas, Panamá

Canal do Panamá e a retórica de Trump revelam instabilidade dos Estados Unidos como parceiro internacional

O Canal do Panamá sempre foi mais do que uma simples obra de engenharia. Ele é, desde sua criação, um símbolo de disputas geopolíticas, interesses comerciais e hegemonia. Controlado pelos Estados Unidos ao longo do século XX, o canal foi, por décadas, uma peça estratégica para o poder norte-americano nas Américas e no mundo. Quando o Panamá assumiu seu controle pleno em 1999, após décadas de pressão diplomática e resistência popular, parecia que os tempos de intervenção direta haviam ficado para trás. Mas as falas recentes de Donald Trump indicam que essa página pode não estar totalmente virada. Em seus discursos de campanha e entrevistas, Trump voltou a levantar a possibilidade de retomar o controle do Canal do Panamá. Para alguns, pode ter soado como mais uma bravata do ex-presidente,...
Eleições no Equador revelam os limites da soberania regional diante da influência dos Estados Unidos
Américas, Equador

Eleições no Equador revelam os limites da soberania regional diante da influência dos Estados Unidos

O processo eleitoral de 2025 no Equador expôs, de forma inquietante, o quanto a política latino-americana ainda está sujeita a dinâmicas externas, especialmente à influência dos Estados Unidos. A vitória de Daniel Noboa, que buscava sua reeleição em meio a uma crise política e de segurança sem precedentes, foi acompanhada por denúncias, tensões e uma crescente percepção de que os rumos do país estavam sendo definidos não apenas nas urnas, mas também fora de suas fronteiras. Ainda que a vitória tenha sido confirmada pelas autoridades eleitorais, o ambiente que cercou o pleito esteve longe da normalidade democrática. A oposição, liderada por forças ligadas ao correísmo, denunciou mudanças bruscas em regras de votação, manipulações administrativas e tentativas de desmobilização de seus ele...
Ucrânia busca apoio latino-americano e pressiona o Brasil a rever sua neutralidade
Américas, Brasil, Europa, Ucrânia

Ucrânia busca apoio latino-americano e pressiona o Brasil a rever sua neutralidade

As movimentações diplomáticas entre Ucrânia e Brasil vêm ganhando intensidade. O governo ucraniano manifestou o desejo de estreitar laços com Brasília, e negociações estão em curso para viabilizar uma visita do presidente Volodymyr Zelensky ou do ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba. Embora ainda não haja data confirmada para a realização do encontro, os bastidores da diplomacia revelam que a Ucrânia vê o Brasil como um ator-chave para ampliar sua presença na América Latina e pressionar por maior apoio internacional em sua guerra contra a Rússia. Para o Brasil, o simples fato de ser cortejado em meio a um dos maiores conflitos do século exige extrema cautela. A posição de neutralidade adotada desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia não é apenas uma diretriz estratégic...
Brasil aposta nos Jogos dos BRICS e nos Jogos do Futuro para ampliar sua presença internacional
Temas Globais

Brasil aposta nos Jogos dos BRICS e nos Jogos do Futuro para ampliar sua presença internacional

Em 2025, o Brasil se movimenta em duas frentes que revelam um esforço claro de reposicionamento no cenário internacional. De um lado, o país sedia os Jogos dos BRICS, uma iniciativa que ultrapassa o esporte e se insere numa lógica de fortalecimento político entre países emergentes. De outro, o Brasil também participa dos Jogos do Futuro, que serão realizados nos Emirados Árabes Unidos, evento que busca articular inovação, tecnologia e diplomacia por meio do esporte. Mais do que competições, esses dois momentos representam oportunidades estratégicas para a diplomacia brasileira consolidar novos espaços de influência, especialmente fora dos circuitos tradicionais do poder global. Os Jogos dos BRICS, concebidos como um braço esportivo do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e Áfr...
A crise de valores e do discurso universalista: quando o mundo rejeita a fala do centro
Estudos

A crise de valores e do discurso universalista: quando o mundo rejeita a fala do centro

Introdução: o mundo pós-consenso Por décadas, a ordem internacional liberal foi sustentada por mais do que tratados, instituições e mercados — ela foi sustentada por uma ideia. A ideia de que certos valores eram universais: a liberdade individual, a democracia representativa, os direitos humanos, o livre mercado, o progresso científico, a razão crítica. Esses valores, profundamente enraizados na tradição ocidental, foram promovidos como referências morais globais, e não apenas como escolhas políticas locais. Sua universalização era vista como natural, desejável e, muitas vezes, inevitável. No entanto, essa universalidade começou a ser questionada. Ao longo das últimas duas décadas — e com mais intensidade após as crises financeiras, migratórias, sanitárias e climáticas —, diversos pa...
A disputa por hegemonia e a emergência de ordens alternativas: o mundo já não é unipolar
Estudos, Temas Globais

A disputa por hegemonia e a emergência de ordens alternativas: o mundo já não é unipolar

Introdução: a queda do império invisível Durante grande parte do pós-Guerra Fria, o mundo foi estruturado em torno de uma convicção silenciosa: os Estados Unidos eram, simultaneamente, a maior potência militar, econômica, tecnológica e cultural do planeta — e os guardiões da ordem internacional liberal. Sua liderança era vista não apenas como inevitável, mas como desejável, pois se imaginava que seus interesses coincidiram, em grande medida, com os valores universais da democracia, dos direitos humanos e do livre mercado. O multilateralismo funcionava sob uma lógica peculiar: era, muitas vezes, unilateralismo com legitimidade compartilhada. A unipolaridade americana não era apenas um fato geopolítico — era um estado mental. Esse arranjo, no entanto, começou a se dissolver. De forma d...