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União Europeia

Índia e União Europeia avançam e expõem a lentidão do Mercosul
Ásia, Índia, Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Índia e União Europeia avançam e expõem a lentidão do Mercosul

A cúpula entre a Índia e a União Europeia, realizada em 27 de janeiro, com encontros em Bruxelas e Nova Délhi, sinalizou um movimento político de grande impacto no comércio internacional. Após anos de negociações complexas e intermitentes, o diálogo caminha para um anúncio político de acordo comercial que, mesmo antes de sua implementação formal, já começa a redesenhar o mapa de preferências econômicas da Europa e a pressionar outros parceiros, em especial o Mercosul, a acelerar processos que permanecem travados. O entendimento Índia–UE não surgiu de forma repentina. Trata-se de uma negociação longa, marcada por divergências em temas sensíveis como tarifas industriais, acesso a mercados agrícolas, propriedade intelectual, regras ambientais e mobilidade de profissionais. Ainda assim, o a...
Mercosul e União Europeia um acordo ainda distante da realidade
Américas, Brasil, Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Mercosul e União Europeia um acordo ainda distante da realidade

O anúncio recorrente de avanços no acordo entre o Mercosul e a União Europeia cria a impressão de que a implementação está próxima, mas essa percepção não corresponde à realidade. Apesar de décadas de negociações e de um entendimento político básico já delineado, o acordo ainda está longe de entrar em vigor. Entre o texto negociado e sua aplicação concreta existe um longo caminho institucional, jurídico e político, repleto de obstáculos que tornam incerto tanto o prazo quanto o formato final do tratado. O primeiro ponto frequentemente ignorado é que o acordo Mercosul-União Europeia não é um instrumento simples. Trata-se de um tratado de associação amplo, que vai muito além da redução de tarifas comerciais. Ele abrange regras sobre serviços, investimentos, compras governamentais, proprie...
Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico
Américas, Ásia, Austrália, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Filipinas, Índia, Japão, Malásia, Oceania, Organizações Internacionais, Rússia, Tailândia, União Europeia

Potências médias sob pressão no Indo-Pacífico enfrentam o dilema do alinhamento estratégico

O redesenho da arquitetura de segurança no Indo-Pacífico, liderado principalmente pelos Estados Unidos e seus aliados, tem colocado potências médias da região diante de uma encruzilhada estratégica. Na medida em que o ambiente geopolítico se polariza entre blocos rivais — de um lado, o Ocidente organizado em alianças flexíveis de “baixa geometria” e, de outro, a contra-arquitetura sino-russa — países como Índia, Indonésia, Vietnã, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas enfrentam uma pressão crescente para se posicionar. O antigo espaço para políticas externas multivetoriais, que equilibravam pragmatismo econômico e autonomia política, vem se estreitando diante da exigência de alinhamentos cada vez mais explícitos. Essas potências médias exercem papel estratégico por diferentes razões: local...
O novo cerco ocidental no Indo-Pacífico reorganiza o tabuleiro geopolítico da Ásia
Américas, Ásia, Austrália, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Japão, Oceania, Organizações Internacionais, OTAN, Reino Unido, Rússia, União Europeia

O novo cerco ocidental no Indo-Pacífico reorganiza o tabuleiro geopolítico da Ásia

A presença militar do Ocidente na região Ásia-Pacífico vem se intensificando de maneira estratégica e silenciosa. Em vez de repetir o modelo clássico da Guerra Fria, baseado em alianças rígidas e compromissos mútuos de defesa, os Estados Unidos, a OTAN e a União Europeia têm apostado numa nova arquitetura de segurança: um emaranhado de parcerias bilaterais e grupos minilaterais, com formatos flexíveis e objetivos de curto prazo. Essa estrutura, conhecida nos meios diplomáticos como “arquitetura de segurança de baixa geometria”, busca conter o avanço da China e da Rússia na região, enquanto reconfigura o equilíbrio de forças do Indo-Pacífico com base em coalizões ad hoc e cooperações militares fragmentadas. Esse modelo de “baixa geometria” rompe com os padrões institucionais tradicionais...
A guerra como terreno fértil para a corrupção: o caso da Ucrânia em 2025
Afeganistão, Ásia, Europa, Iraque, Líbia, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Somália, Ucrânia, União Europeia

A guerra como terreno fértil para a corrupção: o caso da Ucrânia em 2025

A guerra costuma ser apresentada como um momento de união nacional, sacrifício coletivo e resiliência institucional. No entanto, a experiência histórica e contemporânea mostra que conflitos armados criam também ambientes propícios à corrupção. O colapso parcial das estruturas de controle, a circulação acelerada de recursos externos e a mobilização de verbas emergenciais geram brechas amplas para práticas ilícitas. O caso da Ucrânia, em meio à prolongada guerra contra a Rússia, oferece um retrato perturbador dessa lógica. Desde 2022, quando foi invadida pela Rússia, a Ucrânia se tornou o principal destino de apoio financeiro e militar do Ocidente, recebendo bilhões de dólares em armas, ajuda humanitária, recursos logísticos e pacotes de reconstrução. Ao mesmo tempo, a pressão por manter ...
O confisco dos ativos russos e os possíveis ganhos econômicos para Europa e Estados Unidos
Américas, Arábia Saudita, Ásia, Bélgica, China, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia, União Europeia

O confisco dos ativos russos e os possíveis ganhos econômicos para Europa e Estados Unidos

A proposta de confiscar ativos estatais russos congelados nos países da União Europeia e utilizá-los para financiar a reconstrução da Ucrânia é apresentada por seus defensores como uma medida moral, política e estratégica. Mas, para além da retórica de solidariedade e punição, esse movimento também pode representar oportunidades financeiras e vantagens competitivas para Europa e Estados Unidos — especialmente em tempos de desaceleração econômica e rearranjos geoeconômicos globais. Hoje, estima-se que mais de US$ 300 bilhões em ativos do banco central russo estejam congelados no Ocidente, dos quais cerca de dois terços encontram-se em instituições financeiras europeias, particularmente na Bélgica. A proposta em discussão envolve não apenas o uso dos rendimentos desses ativos — que render...
Congelar ou confiscar? Europa abre debate perigoso sobre ativos soberanos
Bélgica, Europa, Organizações Internacionais, Rússia, Ucrânia, União Europeia

Congelar ou confiscar? Europa abre debate perigoso sobre ativos soberanos

A proposta em análise pelo União Europeia (UE) de utilizar ativos russos congelados para apoiar a Ucrânia instala‑se no cerne de um debate que vai além da guerra em si: envolve o futuro das regras do direito internacional, da imunidade dos Estados e do precedente que poderá ser criado caso a medida avance. O que se pretende — quem participa da discussão — e por que tal proposta suscita fortes reservas jurídicas e políticas. Desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, diversos Estados ocidentais congelaram ativos da Rússia — incluindo títulos do banco central russo, reservas e outros ativos financeiros.  Atualmente, a UE discute converter esse “congelamento” em mecanismo de apoio direto à Ucrânia — por meio de um empréstimo ou uso dos rendimentos desses ativos —...
A governança da IA, dados e soberania tecnológica
África, África do Sul, Américas, Ásia, Egito, Estados Unidos, Índia, Organizações Internacionais, União Europeia

A governança da IA, dados e soberania tecnológica

A centralidade da inteligência artificial generativa — e dos dados que a alimentam — está emergindo como peça-chave não apenas da economia digital, mas da geopolítica mundial. A capacidade de treinar grandes modelos com vastas bases de dados, de operar centros de processamento de alta potência e de definir os padrões éticos e regulatórios dessa nova tecnologia está cada vez mais associada à soberania nacional e à influência global. Pesquisas recentes apontam que a chamada “IA generativa” já se tornou um fator geopolítico — moldando acesso, desigualdades e controle. Diante disso, para países do Sul Global, o risco é duplo: permanecer como consumidores ou meros receptores de tecnologias definidas fora, ou construir agora capacidades para participar ativamente da definição das regras do jo...
A lógica das assinaturas na ordem internacional
Américas, Ásia, Brasil, Coréia do Sul, Estados Unidos, Japão, Paquistão, União Europeia

A lógica das assinaturas na ordem internacional

Hoje em dia, a maioria das pessoas entende bem o modelo de assinatura aplicado a serviços digitais. Quem usa plataformas como Netflix, Spotify ou mesmo aplicativos de produtividade já está familiarizado com a lógica: existe uma versão gratuita, com limitações, e uma versão paga, mais completa, que oferece benefícios exclusivos. Quem quer acesso total, sem anúncios, com qualidade superior e mais funcionalidades, precisa pagar ou atender determinadas condições. Esse mesmo raciocínio passou a estruturar, de forma bastante visível, a política externa dos Estados Unidos sob o governo Trump em seu segundo mandato. No centro dessa nova lógica está uma ideia simples: os países que desejam manter acesso privilegiado ao mercado americano, a investimentos estratégicos ou à proteção diplomática dev...
A economia puxa o leme e desestabiliza a política transatlântica
Américas, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A economia puxa o leme e desestabiliza a política transatlântica

A confiança entre Estados Unidos e Europa se desfaz mais depressa quando o dinheiro entra na sala. Interesses econômicos divergentes — subsídios, energia, cadeias de suprimento, tecnologia, sanções e mercados finais — empurram Washington e capitais europeias para posições que mudam ao sabor de preços, eleições e lobbies industriais. O resultado é uma política mais instável nos dois lados do Atlântico: governos oscilam entre o discurso de “valores” e a prática de proteger empregos, fábricas e receitas fiscais, corroendo a previsibilidade que, por décadas, sustentou a parceria. O exemplo mais didático vem da corrida industrial por semicondutores, baterias e energia limpa. Quando os Estados Unidos ampliaram subsídios maciços para produção doméstica, empresas europeias fizeram fila para atr...