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Ásia

Clash of Civilizations: os EUA, a RPC, a campanha “Stop Asian hate” e o tal do Jacaré…
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Clash of Civilizations: os EUA, a RPC, a campanha “Stop Asian hate” e o tal do Jacaré…

Protestantes na manifestação nacional Stop Asian Hate, em 27/03/2021 (Foto de Axel Koester) No último dia 17/03, um homem branco entrou em uma área de casas de massagem em Atlanta, nos Estados Unidos, e matou oito pessoas, seis delas mulheres descendentes de chineses e coreanos. No Reino Unido, no começo de março, um professor chinês de 37 anos foi espancado por quatro homens brancos que o xingaram de "vírus chinês". O aumento do preconceito e do ódio contra a comunidade asiática pode ser atribuído à disseminação de “fake news” que circulam desde o começo da pandemia, atribuindo aos asiáticos a proliferação do vírus, identificando-os como os únicos responsáveis pela doença, que, como sabemos, originou em Wuhan, na China. Para combater o espraiamento do preconceito nos EUA, um grupo d...
A saga do Japão moderno: a Missão Iwakura
Ásia, Japão

A saga do Japão moderno: a Missão Iwakura

Rota da Missão Iwakura Qualquer reflexão a respeito da emergência da Ásia como (o) grande eixo da globalização neste início de século e do papel que o Continente está desempenhando no plano geoeconômico/geopolítico, tem que recapitular, a meu ver, o que ocorreu com o Japão do final do século XIX. Cabe lembrar que o país se manteve praticamente fechado para o mundo por mais de duzentos anos, por imposição dos xoguns Tokugawa, que temiam que a cristianização “insidiosa” da população pelos missionários católicos - jesuítas portugueses, principalmente - viesse solapar os esteios e a alma da nação. Este capítulo pungente da história do Japão, chamado Sakoku - 鎖国 - "país fechado"- está magistralmente registrado no livro “O Silêncio”, do escritor japonês Shusaku Endo, católico ele mesmo, al...
Fim(?) da guerra no Afeganistão
Afeganistão, Américas, Ásia, Estados Unidos, Organizações Internacionais, OTAN

Fim(?) da guerra no Afeganistão

Sefa Karacan/Anadolu Agency via Getty Images O Estadão de hoje replica matéria do New York Times segundo a qual o Presidente Joe Biden declarou ontem, 14/04, o fim da presença das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, encerrando o engajamento de vinte anos dos EUA na luta pela pacificação do país e desmantelamento da militância talibã, que já lhes custou mais de US $ 800 bilhões e a vida de 2.218 militares. Segundo o anúncio, os últimos 2,5 mil soldados americanos deixarão o Afeganistão até o dia 11 de setembro, data simbólica, aliás, quando se celebram os vinte anos da invasão ordenada por George W. Bush. Biden afirmou que “sou o quarto presidente a chefiar a presença de tropas no Afeganistão. Dois republicanos. Dois democratas...não vou passar essa responsabilidade para um quinto....
Como os britânicos veem seu papel no mundo em 2030 – e como estão se preparando para exercê-lo
África, Américas, Argentina, Ásia, China, Europa, Nigéria, ONU, OTAN, Reino Unido

Como os britânicos veem seu papel no mundo em 2030 – e como estão se preparando para exercê-lo

O Reino Unido acaba de divulgar um documento cuja leitura considero muito importante, fundamental mesmo, para quem se dispõe a compreender o jogo que as grandes potências estão a disputar na arena internacional. Nele, são apresentadas as revisões das políticas integradas de defesa e segurança, relações internacionais e desenvolvimento da Grã-Bretanha [1]. O documento tem, na introdução, a visão do Primeiro-Ministro Boris Johnson para o Reino Unido no ano de 2030. Em resumo, trata-se de uma visão otimista sobre o papel de seu país no mundo, que enxerga o Reino Unido como uma das mais influentes nações do planeta, com uma economia forte e que, em razão da ênfase na adoção de inovações científicas e tecnológicas, estará mais bem equipada para enfrentar um mundo ainda mais competitivo....
A arrogância do Ocidente e a ascensão da China
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, União Europeia

A arrogância do Ocidente e a ascensão da China

Do latim progressus, vem a palavra progresso indica avanço, mudança de algo para melhor em relação ao passado. Ainda que a ideia seja antiga, os contornos que apresenta hoje foram forjados no Iluminismo, alcançando sua “automaticidade” com a Revolução Industrial. Assim, hoje nos acostumamos com a ideia de que hoje estamos numa condição melhor do que ontem e que continuaremos a avançar. Em si a proposta não é descabida, mas carrega o risco de nos tornarmos arrogantes, acreditando que hoje vivemos o que há de melhor (para uma leitura mais filosófica dessa perspectiva indico a leitura de A Rebelião das Massas, de Jose de Ortega Y Gasset).  Especialmente em função das tecnologias, temos provas concretas de que estamos no momento de maior avanço na história da Humanidade. Hoje temos celu...
O tabuleiro geopolítico: EUA x RPC < Oriente Médio
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Oriente Médio

O tabuleiro geopolítico: EUA x RPC < Oriente Médio

Presidente chinês Xi Jinping (direita) e Presidente iraniano Hassan Rouhani em 2016 (AP Photo/Ebrahim Noroozi). A matéria que o Estadão publicou no dia 28/03 – “China investirá no Irã US$ 400 bi em troca de petróleo” – levanta mais um tema importante na disputa entre chineses e americanos pela hegemonia mundial. Desta feita é o Oriente Médio o foco, região particularmente sensível do planeta, como sabemos. Segundo o artigo, o acordo que foi firmado pelo Chanceler chinês, Wang Yi, e seu contraparte iraniano, Javad Zarif, durante a recente visita que Wang fez a Teerã, prevê investimentos chineses em “uma dezena de setores, incluindo bancos, telecomunicações, portos, ferrovias, saúde e tecnologia da informação... A China concordou em investir US$ 400 bilhões (R$ 2,3 trilhões) no Irã dur...
Brazil’s oil problem
Américas, Ásia, Brasil, Coréia do Sul, Estados Unidos

Brazil’s oil problem

How the current pandemics and recent tendencies could shape the future of oil generation towards low-carbon clean energy substitutes in Brazil? Taking into consideration the rising and volatile prices of oil in the current uncertain scenario promoted by the COVID-19 pandemics, the experienced supply shock caused by industry lockdowns as well as a fragilized reputation of the Brazilian government, the proposed analysis consists in the elaboration of three scenarios around the strategy aim. In a year where the world, despite suffering from the pandemics, committed a record $501.3bi to decarbonization, in which companies, governments and households invested $303.5bi in new renewable energy capacity (BloombergNEF, 2021), the importance of considering the low-carbon energy transition as a...
Os Uighures, a República Popular da China e o Ocidente
Américas, Ásia, Canadá, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Reino Unido, União Europeia

Os Uighures, a República Popular da China e o Ocidente

Província chinesa de Xinjiang | Arte gráfica: VOA A nova fronteira da disputa entre a China e os Estados Unidos ultimamente está-se concentrando na região da República Autônoma de Xinjiang, oficialmente conhecida como “Região Autônoma Uighur de Xinjiang” (XUAR), no noroeste da China, onde vive a etnia Uighur, de religião muçulmana em sua grande maioria. Pequim está sendo acusada de internar indivíduos separatistas em campos de concentração e de esterilizar a população. O Presidente Joe Biden já se manifestou de forma contundente contra o que entende ser uma política deliberada do governo chinês de realizar uma “limpeza étnica” (“an ethnical cleansing”) na região. Casos documentados de trabalho forçado, separação familiar e destruição de mesquitas e outros locais religiosos complement...
Joe Biden e o tabuleiro geopolítico asiático
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Joe Biden e o tabuleiro geopolítico asiático

Presidentes Xi Jinping e Joe Biden (em foto de 2015) - AP Photo/Carolyn Kaster Os especialistas têm-se empenhado, nestes primeiros meses de governo, em decifrar os primeiros sinais da estratégia que a administração do Presidente Joe Biden irá desenvolver com relação à China. A pergunta que eles se fazem é se teriam continuidade as práticas de demonização da República Popular da China de Donald Trump, e a “guerra comercial” em que se engalfinharam, desestabilizando não somente o comércio entre os dois hegemons, senão também afetando a todos os demais países, forçados a conviver e eventualmente tomar maior ou menor partido nesta briga de gigantes, da qual, por exemplo, a tecnologia 5G é uma clara evidência. Na “era Trump”, alguns deles alinharam-se com Pequim, por diferentes razões e e...
A ascensão da China, a hegemonia norte-americana e a Armadilha de Tucídides
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

A ascensão da China, a hegemonia norte-americana e a Armadilha de Tucídides

REUTERS/Jason Lee A impressionante ascensão econômica ocorrida na China, especialmente nas três últimas décadas, causou um desequilíbrio no poder global com uma rapidez sem precedentes na história. Em um piscar de olhos, os ocidentais e, em particular, os norte-americanos, foram apresentados a uma nova realidade: os Estados Unidos da América não estavam mais isolados na posição de potência hegemônica no concerto das nações. A China, agora, tornara-se um desafiante capaz de ameaçar a liderança dos norte-americanos, primeiro economicamente e, em seguida, em se mantendo o ritmo atual, militarmente. Embora a velocidade dos acontecimentos que envolvem a atual competição entre China e EUA seja inédita, a dinâmica de uma potência em ascensão desafiar uma potência dominante não é. Isso já ac...