ISSN 2674-8053 | Receba as atualizações dos artigos no Telegram: https://t.me/mapamundiorg

Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
A identidade em guerra no coração da Ucrânia e da Rússia
Europa, Rússia, Ucrânia

A identidade em guerra no coração da Ucrânia e da Rússia

A guerra da Ucrânia não pode ser compreendida como uma simples disputa por território, mas como uma profunda crise identitária que revela divisões internas tanto na Ucrânia quanto na Rússia. Desde muito antes da invasão russa em 2022, o país já enfrentava uma guerra civil não declarada entre regiões que se orientam em direção ao Ocidente e outras que mantêm laços profundos com Moscou. Essa clivagem interna, somada ao temor do Kremlin de perder sua influência sobre populações russófonas, explica em grande medida a lógica da intervenção russa — e, mais ainda, revela como a própria unidade do Estado russo está em jogo. Entre 2014 e 2022, a Ucrânia foi palco de um conflito armado no leste do país, centrado nas regiões de Donetsk e Lugansk, conhecido como a guerra do Donbass. O início dessa ...
Como funciona o lobby internacional das armas
Américas, Estados Unidos, Europa, França, Israel, Oriente Médio, Rússia

Como funciona o lobby internacional das armas

O comércio global de armamentos não é apenas uma questão de segurança nacional ou defesa militar — é também um dos setores mais influentes da política internacional, capaz de moldar alianças, prolongar conflitos e redesenhar zonas de influência. Por trás de cada guerra, disputa territorial ou reconfiguração de poder, há contratos bilionários, pressões políticas e uma cadeia de interesses articulada por um dos lobbies mais poderosos do mundo: o lobby internacional das armas. Esse lobby não opera apenas nos corredores dos parlamentos nacionais, mas em uma escala transnacional, conectando governos, empresas, intermediários e think tanks. O complexo industrial-militar é especialmente forte em países como Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido, Israel e Turquia — os maiores expor...
Chilli Beans abre mão do dólar em comércio com a China e sinaliza mudança global
Américas, Ásia, Brasil, China, Estados Unidos

Chilli Beans abre mão do dólar em comércio com a China e sinaliza mudança global

A decisão da Chilli Beans de realizar transações internacionais com a China sem o uso do dólar norte-americano marca um passo ousado na estratégia da empresa e ilustra uma tendência cada vez mais evidente no comércio global. O CEO anunciou que a partir de agora os negócios bilaterais serão feitos diretamente em yuan e real, evitando a conversão intermediária para a moeda dos Estados Unidos. Essa mudança reduz a exposição às variações cambiais do dólar e coloca a marca brasileira na vanguarda de um movimento que já é percebido entre países e empresas de diferentes continentes. A prática é viabilizada por mecanismos de compensação direta entre moedas nacionais, como acordos entre bancos centrais e a adesão a sistemas de pagamento internacionais alternativos ao SWIFT, como o CIPS, operado ...
Israel e os novos acordos com países árabes
Israel, Oriente Médio

Israel e os novos acordos com países árabes

A assinatura dos Acordos de Abraão em 2020 marcou uma virada histórica nas relações entre Israel e o mundo árabe. Pela primeira vez desde os tratados com Egito (1979) e Jordânia (1994), países árabes — como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão — reconheceram formalmente o Estado de Israel e estabeleceram relações diplomáticas plenas. Esses acordos, mediados pelos Estados Unidos, quebraram um tabu: a normalização com Israel sem a exigência prévia da criação de um Estado palestino. O que está por trás dessa mudança? Quais são os interesses em jogo e o que ela revela sobre a nova geopolítica do Oriente Médio? A primeira razão para os acordos é estratégica. Em um cenário de crescente ameaça iraniana, muitos governos árabes sunitas passaram a ver Israel não como inimigo, mas com...
Turquia: entre Europa, Rússia e o mundo islâmico
Europa, Oriente Médio, Rússia, Turquia

Turquia: entre Europa, Rússia e o mundo islâmico

Poucos países possuem uma posição geográfica e histórica tão estratégica quanto a Turquia. Situada entre a Europa e a Ásia, banhada pelo Mediterrâneo, pelo Mar Negro e cortada pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos, a Turquia é um elo entre civilizações, religiões, rotas comerciais e zonas de conflito. Essa posição liminar se reflete também em sua política externa: a Turquia contemporânea é, simultaneamente, membro da OTAN, aliada ocasional da Rússia e aspirante à liderança do mundo islâmico. Mas afinal, o que quer a Turquia no sistema internacional? A resposta começa com a sua ambição: ser uma potência regional autônoma, capaz de agir com independência frente a blocos tradicionais e de exercer influência decisiva sobre os acontecimentos no Oriente Médio, no Cáucaso, nos Bálcãs e no Me...
Democracias sob pressão e o esgotamento silencioso da representação
África, Américas, Ásia, Europa, França, Nigéria, Reino Unido, Tailândia

Democracias sob pressão e o esgotamento silencioso da representação

A democracia do século XXI enfrenta uma crise que não se anuncia por tanques nas ruas ou discursos autoritários evidentes. O desgaste atual é silencioso, cotidiano e estrutural. Ele se manifesta na ruptura gradual do pacto social, no descrédito generalizado das instituições políticas, na fragmentação das identidades coletivas e na fadiga das narrativas que antes sustentavam a legitimidade dos regimes representativos. Essa corrosão, que ocorre tanto em democracias consolidadas quanto em regimes mais jovens, revela não apenas falhas conjunturais, mas a exaustão de um modelo político cujos mecanismos de mediação parecem cada vez mais incapazes de responder aos anseios sociais. A primeira camada dessa crise está na desigualdade. Não apenas a disparidade de renda, mas a desigualdade de expec...
Valores em disputa e o retorno dos particularismos
África, Ásia, China, Europa, Irã, OMC, ONU, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Paquistão, Rússia, Sebegal, Uganda

Valores em disputa e o retorno dos particularismos

A ideia de que certos valores — como direitos humanos, democracia liberal e racionalidade científica — seriam universais e aplicáveis a todas as sociedades está sendo crescentemente desafiada por governos, movimentos e intelectuais em várias partes do mundo. A noção de universalismo, outrora sustentada como base moral da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial, enfrenta uma contraofensiva discursiva e institucional que recoloca o particularismo cultural, religioso, nacional e civilizacional no centro das disputas globais. Essa inflexão não é apenas retórica: ela impacta diretamente o funcionamento das instituições multilaterais, a cooperação internacional e o próprio conceito de convivência entre diferentes modelos de sociedade. A emergência de narrativas alternativas ao universa...
O que quer a Índia no cenário internacional?
Ásia, Índia

O que quer a Índia no cenário internacional?

Entre as potências emergentes do século XXI, a Índia ocupa uma posição única. É a maior democracia do mundo, um dos países mais populosos, possui armas nucleares, economia em rápido crescimento, forte base tecnológica e um histórico de política externa marcada pela autonomia. Mas ao contrário da China, que busca rivalizar diretamente com os Estados Unidos, ou da Rússia, que confronta abertamente o Ocidente, a Índia adota uma estratégia mais ambígua e flexível. A pergunta que mobiliza analistas internacionais é: o que exatamente quer a Índia no sistema global? A resposta passa, antes de tudo, por entender a tradição diplomática indiana. Desde a independência, em 1947, a Índia construiu sua política externa com base no princípio do não alinhamento. Durante a Guerra Fria, recusou-se a inte...
Nacionalismo em ascensão revela tendência de desglobalização
África, Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Etiópia, Europa, França, Índia, Reino Unido

Nacionalismo em ascensão revela tendência de desglobalização

O mundo vem atravessando uma onda articulada de nacionalismo, que não se restringe ao Ocidente, mas ressoa também na África e na Ásia, criando uma dinâmica que aponta para uma possível reversão do processo de globalização. Se no século XX houve movimentos importantes de afirmação nacional — na Europa pós‑Guerras Mundiais, na África em busca da descolonização, e na Índia durante sua luta por independência —, agora assistimos a uma nova fase, marcada por reações às crises econômicas, insegurança cultural e temores de perda de soberania diante de fluxos migratórios, tecnologia e acordos transnacionais. Em muitos países ocidentais, o nacionalismo voltou sob uma faceta do chamado “neo‑nacionalismo”: com discursos identitários, protecionistas e anti‑globalização. Exemplos como o Brexit no Rei...
Reconfiguração do poder global em tempos de multipolaridade
Arábia Saudita, Ásia, BRICS, China, Europa, G20, Índia, Indonésia, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

Reconfiguração do poder global em tempos de multipolaridade

A ordem internacional está passando por uma transformação profunda, na qual a centralidade dos Estados Unidos e de seus aliados europeus vem sendo gradualmente substituída por uma lógica de equilíbrio entre múltiplos polos de poder. Esse processo, mais estrutural do que conjuntural, tem como protagonistas países como China, Índia, Rússia, Arábia Saudita, Irã e Indonésia, entre outros do chamado Sul Global. A disputa pelo novo desenho do poder global extrapola a geopolítica tradicional e se materializa em esferas como cadeias produtivas, moedas, tecnologia, sistemas de governança e até mesmo na formulação de valores e visões de mundo concorrentes. A ascensão da China é um dos pilares mais visíveis desse novo cenário. Pequim não apenas expandiu sua influência econômica e diplomática, como...