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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras
Américas, Brasil

O ouro do século XXI e a urgência de uma estatal brasileira para as terras raras

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, mas ainda não possui uma estratégia nacional capaz de transformar essa riqueza geológica em poder econômico, tecnológico e geopolítico. Em um mundo que avança rapidamente para a eletrificação da economia, a inteligência artificial, a indústria de defesa de alta tecnologia e a transição energética, a ausência de uma empresa estatal dedicada ao setor pode condenar o país a repetir um velho padrão histórico: exportar matéria-prima barata e importar produtos industrializados de alto valor agregado. As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de comunicação, semicondutores, radares, mísseis e pra...
A energia verde que nem sempre é verde
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

A energia verde que nem sempre é verde

A transição energética tornou-se uma das principais bandeiras políticas do Ocidente nas últimas décadas. Estados Unidos e União Europeia apresentam-se como líderes globais da luta contra as mudanças climáticas, pressionando governos, empresas e instituições financeiras a adotarem metas cada vez mais rígidas de descarbonização. Ao mesmo tempo, porém, cresce o debate sobre uma contradição cada vez mais evidente: enquanto exigem profundas transformações energéticas dos países em desenvolvimento, as próprias potências ocidentais continuam recorrendo a fontes energéticas altamente poluentes quando seus interesses econômicos e estratégicos estão em jogo. Mais do que uma discussão ambiental, a questão energética passou a ocupar o centro da disputa geopolítica global. Controlar fluxos de energi...
Alemanha, Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, França

A copa que pode expor as fraturas do Ocidente

Hoje começa a Copa do Mundo de 2026. Além de ser o maior evento esportivo do mundo, é preciso entender que ela tende a se transformar em muito mais do que um torneio esportivo. Em um cenário internacional marcado por rivalidades geopolíticas, disputas narrativas e crescimento do nacionalismo, o evento organizado por Estados Unidos, Canadá e México pode funcionar como uma gigantesca plataforma de projeção de poder americano em meio a um período de instabilidade do próprio Ocidente. Ao invés de representar apenas uma celebração global do futebol, a competição começa a ser interpretada por analistas internacionais como um instrumento político, diplomático e simbólico utilizado pelos Estados Unidos para reafirmar sua centralidade global num momento em que sua liderança enfrenta questionamentos...
Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio
BRICS, Organizações Internacionais

Por que os BRICS precisam de um acordo de investimentos próprio

A criação de um acordo de investimentos entre os países do BRICS deixou de ser apenas uma possibilidade diplomática para se tornar uma necessidade econômica. Essa é uma das conclusões que emergem da leitura do BRICS Investment Report, elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento mostra que, apesar do enorme crescimento econômico do grupo nas últimas duas décadas, o potencial de investimentos entre seus próprios membros continua amplamente subaproveitado. Diante das crescentes tensões geopolíticas, das disputas comerciais entre grandes potências e da fragmentação da economia global, os países do bloco possuem uma oportunidade histórica para criar mecanismos próprios de proteção, facilitação e promoção dos investimentos. O relatório d...
Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira
Américas, Brasil, Estados Unidos

Entre a dependência e a autonomia na política externa brasileira

A história da América Latina nas últimas décadas mostra que a influência dos Estados Unidos continua sendo um dos fatores mais importantes para compreender a dinâmica política, econômica e estratégica da região. Embora a Guerra Fria tenha terminado há mais de trinta anos, Washington permanece como o principal ator externo no continente americano, utilizando instrumentos diplomáticos, econômicos, militares e financeiros para defender seus interesses. Nesse contexto, o Brasil enfrenta um desafio permanente: preservar sua autonomia estratégica sem romper relações com a maior potência do planeta. A influência norte-americana na América Latina não é um fenômeno recente. Desde o século XIX, a chamada Doutrina Monroe estabeleceu a ideia de que o continente americano constituía uma área de inte...
Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria
Américas, Ásia, China, Estados Unidos

Taiwan se transforma no epicentro da nova guerra fria

A disputa entre China e Estados Unidos entrou em uma nova fase e Taiwan passou a ocupar o centro dessa rivalidade. Nos últimos meses, Pequim intensificou exercícios militares ao redor da ilha, ampliou incursões aéreas e reforçou discursos sobre reunificação, enquanto Washington aumentou apoio político, militar e tecnológico aos taiwaneses. O que antes parecia apenas uma questão regional asiática tornou-se um dos pontos mais perigosos da geopolítica mundial, capaz de desencadear uma crise econômica global e até um conflito militar de grandes proporções. O problema de Taiwan possui raízes históricas profundas. Após a vitória comunista na guerra civil chinesa em 1949, o governo nacionalista derrotado fugiu para a ilha e estabeleceu ali a República da China. Desde então, Pequim considera Ta...
A soberania digital em disputa e os riscos de uma segurança cibernética dependente
Américas, Brasil, Estados Unidos

A soberania digital em disputa e os riscos de uma segurança cibernética dependente

A segurança da informação deixou de ser apenas uma questão técnica para se tornar um dos principais campos de disputa geopolítica do século XXI. Em um ambiente internacional marcado pela competição entre grandes potências, pela expansão da inteligência artificial e pela crescente dependência de infraestruturas digitais, países como o Brasil enfrentam um desafio complexo: proteger seus sistemas críticos sem abrir mão da própria soberania tecnológica. Nesse contexto, ganham relevância as posições de setores do Estado brasileiro que defendem cautela diante da ampliação da presença de estruturas estrangeiras em assuntos considerados estratégicos para a segurança nacional. Uma das iniciativas que mais despertam debates nesse cenário é o programa Hunt Forward, conduzido pelo Comando Cibernéti...
Américas, Cuba, Estados Unidos

Cuba: a pequena ilha que virou política interna americana

Durante grande parte do século XX, Cuba foi tratada pelos Estados Unidos como uma ameaça geopolítica estratégica. Hoje, porém, a relação entre os dois países parece cada vez menos determinada pela lógica internacional clássica e cada vez mais influenciada pela política doméstica americana, especialmente pelo peso eleitoral e simbólico da comunidade cubana nos Estados Unidos. Na época da Guerra Fria, Cuba representava um problema concreto de segurança para Washington. A Revolução Cubana de 1959 rompeu com a influência americana na ilha e rapidamente aproximou Havana da União Soviética. O temor dos Estados Unidos não era apenas ideológico. Cuba ocupava uma posição geográfica extremamente sensível, localizada a poucos quilômetros da Flórida, no coração do Caribe, região historicamente cons...
Cuba: a ilha sem herdeiros claros
Américas, Cuba

Cuba: a ilha sem herdeiros claros

O indiciamento de Raúl Castro pelos Estados Unidos nesta semana não representa apenas mais um capítulo das históricas tensões entre Washington e Havana. O episódio expõe uma fragilidade política que até recentemente permanecia parcialmente escondida sob a estrutura rígida do regime cubano: ninguém sabe exatamente quem comandaria Cuba caso o último grande sobrevivente da geração revolucionária desaparecesse de cena de forma abrupta. A acusação formal apresentada por autoridades americanas, relacionada ao abatimento de aeronaves civis em 1996, possui um peso muito maior do que o aspecto jurídico. Ela funciona como um instrumento de pressão política e psicológica. O objetivo não parece ser apenas atingir Raúl Castro, hoje com 94 anos, mas testar a capacidade de reação da elite cubana em um...
O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia
Europa, Organizações Internacionais, Sul Global, Ucrânia

O sul global e a pressão europeia para financiar a conta da guerra na Ucrânia

A crescente pressão europeia para que países do sul global apoiem iniciativas de reparação contra a Rússia, especialmente através do chamado Registro de Danos para a Ucrânia, revela uma das contradições mais profundas da ordem internacional contemporânea. Sob o discurso de defesa da legalidade internacional e da reconstrução ucraniana, governos europeus passaram a tentar ampliar o envolvimento político, jurídico e financeiro de países africanos, asiáticos e latino-americanos em um conflito que não nasceu no sul global, não foi provocado por ele e tampouco atende diretamente aos seus interesses estratégicos. Para muitos governos emergentes, trata-se de uma tentativa indireta de transferir responsabilidades econômicas e políticas de uma crise essencialmente euro-atlântica para regiões que já...