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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
Criméia 7 anos depois: por que ainda mantemos as sanções comerciais?
Europa, Rússia, Ucrânia

Criméia 7 anos depois: por que ainda mantemos as sanções comerciais?

Há exatos 7 anos (16/03/2014) era organizado um referendo para a anexação/junção da Criméia à Rússia, deixando de ser um território ucraniano. Na época, o resultado foi de 97% a favor dessa mudança. A comunidade internacional condenou o referendo, dizendo que tinha sido fraudado e realizado sob ameaças. O resultado alto também se deve a um boicote daqueles que eram contrários à junção. Todos esses anos se passaram e pouco se fala da região atualmente. Qual o papel que a comunidade internacional deve desempenhar a partir de agora? Algumas organizações de direitos humanos têm acusado o governo russo de repressão local, com a perseguição de dissidentes – especialmente os muçulmanos da etnia Tatar, alguns considerados terroristas. Ao mesmo tempo, pesquisas internas têm mostrado que a popula...
A ineficácia das sanções internacionais
Américas, Cuba, Estados Unidos, Venezuela

A ineficácia das sanções internacionais

As sanções internacionais são um instrumento de política externa extremo, geralmente adotados quando as vias diplomáticas não funcionam como esperado. As sanções comerciais têm como objetivo isolar o país dos fluxos comerciais internacionais, levando a um estrangulamento de sua economia. Com isso, espera-se que a população local sinta as limitações e passe a pressionar seus governantes para alterar a situação que levou à sanção internacional. Em termos lógicos parece ser uma boa política, mas não é. Ainda que a sanção seja direcionada para um determinado governo, na prática seus principais impactos são sobre a população, pessoas que têm poucas, quando alguma, condição de inflenciar no comportamento governamental. A limitação do acesso a mercadorias internacionais, bem como o impacto neg...
Parem de falar que estamos numa nova Guerra Fria
Américas, Brasil, Estados Unidos, Europa, Rússia

Parem de falar que estamos numa nova Guerra Fria

Charge postada no Global Village Space É comum vermos análises falando que estamos entrando numa nova Guerra Fria. Geralmente isso acontece a cada movimento mais incisivo feito pelo governo Chinês. Basicamente a ideia é que os Estados Unidos estariam em um polo de poder e a China viria para ocupar o polo oposto, questionando o poderio norte-americano. Ainda que possa ser verdade a questão das tensões em torno das projeções de poderes, é incorreto dizer que isso é uma Guerra Fria. O que foi a Guerra Fria? De uma forma mais superficial foi o embate indireto entre Estados Unidos e União Soviética (basicamente sustentado na corrida atômica). Em termos mais estruturais, a grande questão foi a competição entre dois modelos de organização político-econômica auto-excludentes. Em última in...
Plano Colombia Crece e seu impacto sobre a Venezuela
Américas, Colômbia, Estados Unidos, Venezuela

Plano Colombia Crece e seu impacto sobre a Venezuela

Foto: Instagram/Iván Duque Em agosto (2020) foi anunciado o lançamento do Plano Colombia Crece, resultado da cooperação militar entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos e focado no combate ao narcotráfico. Pode-se dizer que é uma segunda fase do Plano Colombia, responsável pela injeção de USD 7 bilhões dos EUA na Colômbia entre 2000 e 2016. O acordo acontece num momento em que a Colômbia vivencia níveis alarmantes de violência. Já foram registrados no país, somente em 2020, 46 massacres e mais de mil líderes sociais assassinados. Até pouco tempo as FARC dominavam o interior do país e, com os acordos de paz, caberia ao Estado colombiano “reocupar” esse espaço. No entanto, o Estado colombiano é claramente fraco no interior, com uma clara ausência de políticas públicas que ...
Os BRICS como um ensaio para o novo Bretton Woods
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Europa, Índia, Organizações Internacionais, Rússia

Os BRICS como um ensaio para o novo Bretton Woods

Foto: Divulgação/The Economist 2015 é um ano potencialmente importante para o posicionamento internacional brasileiro, foi quando foi criado o Novo Banco de Desenvolvimento (https://www.ndb.int/) pelos países formados do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O Banco veio como uma alternativa aos já consolidados Banco Mundial (https://www.worldbank.org/en/who-we-are/ibrd)  e Banco Interamericano de Desenvolvimento (https://www.iadb.org/pt/sobre-o-bid/visao-geral). Ainda que o primeiro também esteja sob forte influência europeia, ambos estão numa esfera de controle dos Estados Unidos. Em termos gerais, o Banco dos BRICS se foca no apoio ao desenvolvimento de obras estruturais, especialmente ligadas à infraestrutura. Por outro lado, tem também uma função política importa...
De Pompeo à ONU, a difícil sustentação da ideia de não-interferência
Américas, Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais

De Pompeo à ONU, a difícil sustentação da ideia de não-interferência

Foto William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress O desgaste da visita do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, à Roraima só aumenta. No artigo O Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA vimos as razões eleitoreiras da visita, agora vemos impacto sobre a própria política brasileira. Interessante observar um posicionamento tímido tanto do Ministério de Relações Exteriores quando da presidência do Brasil enquanto há uma grita de parlamentares de destaque. O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia declarou que a visita "não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa". No Senado Federal não foi diferente, a ponto da Comissão de Relações Exteriores ter aprovado...
Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA
Américas, Brasil, Estados Unidos

Brasil entra no jogo eleitoral dos EUA

Foto: Jason Leysner/AFP Em 18/9/2020 o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, fez uma rápida visita ao Brasil. Dada a importância do cargo era de se esperar uma agenda importante entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Mas a realidade foi bem diferente: o governo brasileiro abriu as portas do território para que o Secretário pudesse fazer campanha política para a re-eleição do atual presidente Donald Trump. A visita se quer ocorreu em Brasília, onde poderíam ser adequadamente implementados todos os protocolos exigidos para um Secretário dos Estados Unidos (equivalente a um ministro, no Brasil). Também não serviu para as trocas de intenções ou mesmo assinaturas de acordos de cooperação. Foi uma visita inusitada à Roraima. Por que? Para compreender melhor a ...
Brasil perde espaço para China na América do Sul
Américas, Argentina, Ásia, Brasil, China

Brasil perde espaço para China na América do Sul

Presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Xi JinPing (China) O Brasil é um país com tamanho desproporcional em relação a seus vizinhos, especialmente em termos econômicos. O resultado disto é que o país acaba desempenhando "naturalmente" uma força gravitacional, fazendo com que os demais países sul-americanos acabem tendo suas economias muito dependentes com a economia brasileira. Essa condição não era diferente nem mesmo quando considerávamos a outra grande economia da região: Argentina. Historicamente os argetinos tinham no Brasil o maior destino de suas exportações. Em setembro e outubro de 2019 a China ocupou essa primazia, sendo o principal destino das exportações argentinas. Foi por uma diferença pequena e durou só esses dois meses, o que parecia ser algo transitório. Mas a real...
Alinhar não é submeter – o estranho caso Brasil/Estados Unidos
Américas, Brasil, BRICS, Estados Unidos

Alinhar não é submeter – o estranho caso Brasil/Estados Unidos

President Donald J. Trump welcomes President Jair Bolsonaro of the Federative Republic of Brazil to the White House Tuesday, March 19, 2019 (Official White House Photo by Tia Dufour) Em diferentes ocasiões podemos ver como lideranças do governo brasileiro afirmam o alinhamento que buscam com os Estados Unidos. Do presidente Bolsonaro e seus filhos ao chanceler Ernesto Araújo, é possível ver declarações de como estamos alinhados e como isso trará benefícios ao país. Interessante notar que não conseguem expor quais benefícios teremos, reduzindo muito do discurso a uma visão ideológica superficial, na qual dizem que é a forma de evitar a esquerda. Muito deste posicionamento é resultante de uma visão mais limitada sobre o sistema internacional, percebendo os Estados dentro de uma dualida...
América Latina e BRICS: para onde o Brasil deve olhar
Américas, Brasil, BRICS, China, Estados Unidos

América Latina e BRICS: para onde o Brasil deve olhar

A política externa brasileira atual tem ocorrido erraticamente. Ainda que se defenda que ela busca novos alinhamentos, a verdade é que não tem uma linha clara, baseada na busca pelos interesses do país. Mas nem tudo é culpa da atual direção que é impressa à política externa, o mundo tem mudado e colocado novos desafios. Há muito a polaridade estruturante da Guerra Fria acabou. Desde então o mundo vem passando por importantes movimentos de reorganização das forças, forçando os Estados a buscarem posicionamentos políticos que lhes ofereçam mais retornos. Nos últimos 10 anos, em particular, essa busca por reordenamento do sistema internacional ficou ainda mais confusa. Hoje o dito sistema multilateral está mostrando limites cada vez maiores, ao mesmo tempo em que vemos algumas potências impri...