ISSN 2674-8053 | Receba as atualizações dos artigos no Telegram: https://t.me/mapamundiorg

Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
A desglobalização e o retorno do nacionalismo: o fim da era da abertura?
Estudos

A desglobalização e o retorno do nacionalismo: o fim da era da abertura?

Introdução: o mundo fechando as janelas Durante décadas, a globalização foi promovida como o caminho inevitável para o progresso. A redução de barreiras comerciais, a integração das cadeias produtivas, a mobilidade de capitais e a circulação de pessoas foram apresentadas como sinais de um novo tempo — mais conectado, mais eficiente, mais próspero. O consenso era quase total: mais globalização significava mais crescimento, mais oportunidades e, a longo prazo, mais estabilidade. Os Estados nacionais, diante dessa lógica, deveriam adaptar-se a um mundo em rede, cedendo parte de sua soberania em nome de uma governança compartilhada e de mercados mais amplos. Essa narrativa, no entanto, começou a ruir silenciosamente ao longo das últimas duas décadas. Os benefícios da globalização se reve...
As contradições internas das democracias liberais: quando a promessa vira ressentimento
Estudos

As contradições internas das democracias liberais: quando a promessa vira ressentimento

Introdução: o liberalismo ferido por dentro Durante décadas, as democracias liberais foram apresentadas como o ponto final da história política. Após a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, a combinação entre eleições regulares, economia de mercado e garantias individuais parecia ter se consolidado como o modelo universal de organização social. A promessa era ambiciosa: liberdade política, prosperidade econômica e justiça social em equilíbrio dinâmico. O liberalismo político triunfava não apenas como sistema institucional, mas como narrativa moral — o único horizonte possível de civilização. Contudo, essa promessa não se cumpriu de forma equitativa. Nas últimas décadas, tornou-se evidente que a prosperidade gerada pelo modelo liberal foi distribuída de maneira profu...
A crise das instituições multilaterais: o colapso do centro de gravidade liberal
Estudos

A crise das instituições multilaterais: o colapso do centro de gravidade liberal

Introdução: o colapso silencioso Por muito tempo, a arquitetura institucional criada no pós-guerra foi celebrada como um dos maiores triunfos da razão política moderna. Organizações como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e, mais tarde, a Organização Mundial do Comércio (OMC), foram concebidas como alicerces de uma ordem internacional liberal baseada na cooperação, na regulação multilateral dos conflitos e na promoção da paz e do desenvolvimento. Essa ordem, embora marcada por assimetrias e exclusões, sustentou por décadas uma relativa estabilidade entre Estados, uma expansão do comércio internacional e a consolidação de uma narrativa normativa global: direitos humanos, democracia liberal e economia de mercado como horizonte civ...
Trump e as forças profundas: um sintoma da história, não um homem de Estado
Estudos

Trump e as forças profundas: um sintoma da história, não um homem de Estado

Introdução: o erro de atribuir à personalidade o peso da história Donald Trump costuma ser apresentado como o grande arquiteto da ruptura com a ordem liberal internacional. Para seus detratores, ele é o responsável por desmontar décadas de cooperação multilateral, esvaziar instituições centrais do sistema global e fomentar uma onda de populismo autoritário que se espalhou pelo mundo. Para seus apoiadores, ele teria sido o único capaz de enfrentar o establishment, desafiar a hipocrisia globalista e recolocar os Estados Unidos no centro de seus próprios interesses. Em ambos os discursos, Trump aparece como protagonista absoluto da história recente — um agente transformador, alguém que teria, por força própria, alterado os rumos da política mundial. Mas essa leitura é historicamente mío...
A ofensiva do BRICS contra a hegemonia do dólar e a reação do Ocidente
BRICS, FMI, NDB, Organizações Internacionais

A ofensiva do BRICS contra a hegemonia do dólar e a reação do Ocidente

Nos últimos anos, o bloco econômico conhecido como BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem intensificado esforços para reduzir a dependência do dólar norte-americano nas transações internacionais. Duas iniciativas centrais nesse movimento são o BRICS Bridge e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que buscam oferecer alternativas ao sistema financeiro global dominado pelo Ocidente. Essas iniciativas têm gerado desconforto nos círculos tradicionais de poder econômico e enfrentado pressões para limitar seu avanço. O BRICS Bridge é uma plataforma de pagamentos transnacional baseada em blockchain, projetada para facilitar transações diretas entre os países membros do bloco, sem a necessidade de intermediação pelo sistema financeiro ocidental. Essa iniciativa visa criar um s...
Ásia, Coréia do Sul, Europa, Indonésia, Irã, Malásia, Oriente Médio, Rússia, Ucrânia

Instrumentos financeiros como ferramentas de influência geopolítica

O sistema monetário e financeiro internacional sempre desempenhou um papel central na economia global, mas sua função vai muito além das transações comerciais e da estabilidade macroeconômica. Ao longo da história, esses mecanismos têm sido utilizados como ferramentas de influência política e geopolítica, servindo aos interesses de nações e blocos econômicos na busca por poder e controle. A aplicação de sanções econômicas, a manipulação de fluxos de capitais e a imposição de políticas financeiras restritivas são apenas alguns exemplos de como a estrutura financeira global pode ser instrumentalizada para atingir objetivos estratégicos. Em diferentes momentos, o uso dessas ferramentas não apenas impactou economias nacionais, mas também remodelou dinâmicas de poder em escala global. Três c...
Brasil fortalece cooperação militar com múltiplos parceiros para ampliar autonomia estratégica
Américas, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Europa, Naníbia, Rússia, Suécia

Brasil fortalece cooperação militar com múltiplos parceiros para ampliar autonomia estratégica

A cooperação técnico-militar do Brasil tem se caracterizado por uma estratégia de diversificação de parcerias internacionais, abrangendo nações de diferentes continentes e fortalecendo a capacidade de defesa nacional. Atualmente, o país mantém colaborações significativas com países como Rússia, Namíbia, Suécia e Argentina, além de promover exercícios conjuntos que envolvem potências globais como Estados Unidos e China. A parceria com a Rússia destaca-se pela transferência de tecnologia e aquisição de sistemas de defesa aérea, como as baterias Pantsir. Essa colaboração visa aprimorar a capacidade de defesa antiaérea brasileira, proporcionando acesso a tecnologias avançadas e fortalecendo a indústria de defesa nacional. No continente africano, a cooperação com a Namíbia é exemplar. Des...
Políticas energéticas dos países desenvolvidos: impactos na segurança energética global e no desenvolvimento dos países menos desenvolvidos
Américas, Ásia, Brasil, China, ONU, Organizações Internacionais, União Europeia

Políticas energéticas dos países desenvolvidos: impactos na segurança energética global e no desenvolvimento dos países menos desenvolvidos

As políticas energéticas adotadas por nações desenvolvidas desempenham um papel crucial na configuração da segurança energética global e influenciam diretamente o potencial de desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. Essas políticas, frequentemente focadas na transição para fontes renováveis e na redução de emissões de carbono, podem gerar efeitos positivos e negativos em escala mundial. Nos últimos anos, países desenvolvidos têm intensificado esforços para descarbonizar suas economias, implementando políticas que promovem o uso de energias renováveis e a eficiência energética. Iniciativas como o Pacto Verde Europeu visam alcançar a neutralidade climática até 2050, estabelecendo metas ambiciosas de redução de emissões e investimento em tecnologias limpas. Essas ações buscam não a...
O complexo industrial-militar e a importância estratégica dos minerais críticos para o Brasil
Américas, Brasil

O complexo industrial-militar e a importância estratégica dos minerais críticos para o Brasil

O complexo industrial-militar representa a interdependência entre as forças armadas e a indústria de defesa de um país, abrangendo desde a pesquisa e desenvolvimento até a produção de equipamentos militares avançados. Para nações que buscam autonomia tecnológica e segurança nacional, como o Brasil, investir nesse complexo é uma questão estratégica de grande relevância. O desenvolvimento e a manutenção de um complexo industrial-militar robusto dependem diretamente do acesso a minerais críticos e estratégicos. Esses recursos são essenciais para a fabricação de tecnologias avançadas, incluindo sistemas de comunicação, armamentos de precisão e veículos militares de última geração. No Brasil, minerais como nióbio, terras raras, grafite e lítio desempenham papel fundamental nesse contexto. ...
Síria entre minorias e potências: o mosaico religioso e a disputa global pelo futuro do país
Américas, Estados Unidos, Europa, Irã, Oriente Médio, Rússia, Síria, Turquia

Síria entre minorias e potências: o mosaico religioso e a disputa global pelo futuro do país

A Síria é um país moldado por sua diversidade. Lar de árabes sunitas, alauítas, xiitas, drusos, cristãos e curdos, entre outros grupos, sua identidade se construiu ao longo dos séculos em meio a tensões e períodos de convivência pacífica. No entanto, a complexidade dessa estrutura social se tornou um dos fatores centrais da guerra civil que devastou o país por mais de uma década. O conflito não apenas aprofundou divisões internas, mas também transformou a Síria em um campo de disputa entre grandes potências globais, cada uma buscando influenciar seu futuro. Este artigo percorre essa trajetória, explorando primeiro as minorias que compõem a sociedade síria, depois os desdobramentos da guerra e, por fim, o papel das potências mundiais na luta pelo controle da região.A Síria é um mosaico de g...