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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
A influência dos EUA na América Latina e a importância do multilateralismo para o Brasil
Américas, Brasil, Estados Unidos

A influência dos EUA na América Latina e a importância do multilateralismo para o Brasil

Ao longo dos séculos XIX e XX, os Estados Unidos exerceram significativa influência na América Latina por meio de intervenções diretas e indiretas, sanções econômicas e ações unilaterais que frequentemente desconsideraram mecanismos multilaterais. Essa postura impactou profundamente a região, incluindo o Brasil, que vê no multilateralismo uma via mais estável e equilibrada para as relações internacionais. A Doutrina Monroe, proclamada em 1823, marcou o início da política dos EUA de afastar influências europeias do continente americano. No entanto, essa doutrina também serviu de base para intervenções norte-americanas em países latino-americanos, justificando ações destinadas a proteger interesses econômicos e políticos dos EUA na região. Durante o século XX, especialmente no contexto...
UEEA: uma alternativa estratégica para um mundo multipolar
Ásia, Cazaquistão, China, Europa, Rússia, UEEA - União Econômica Euroasiática

UEEA: uma alternativa estratégica para um mundo multipolar

A União Econômica Eurasiática (UEEA) é uma organização internacional que visa a integração econômica e comercial entre seus membros: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. Criada oficialmente em 1º de janeiro de 2015, a UEEA tem como objetivo principal fortalecer a cooperação econômica regional, promovendo a livre circulação de bens, serviços, capitais e trabalhadores. Seu modelo de integração oferece uma alternativa às abordagens ocidentais, como a União Europeia (UE) e as parcerias comerciais lideradas pelos Estados Unidos, contribuindo para um equilíbrio maior na ordem internacional. A UEEA e sua relevância geopolítica A UEEA surge como um bloco essencial na geopolítica da Eurásia, promovendo uma estrutura que favorece a cooperação entre países que, historicamen...
Neocolonialismo moderno: como UE e EUA controlam matérias-primas globais
África, Américas, Estados Unidos, Mali, Mercosul, Organizações Internacionais, República Democrática do Congo, União Europeia

Neocolonialismo moderno: como UE e EUA controlam matérias-primas globais

A União Europeia (UE) tem adotado uma postura cada vez mais assertiva na busca por garantir o acesso a matérias-primas essenciais para sua transição ecológica e digital. No entanto, as estratégias utilizadas por Bruxelas têm sido criticadas por refletirem um comportamento neocolonial, em que o controle econômico e político sobre nações ricas em recursos é exercido de forma desigual. Essa dinâmica é amplificada pelo alinhamento estratégico entre a UE e os Estados Unidos, o que reforça um modelo de exploração que favorece as potências ocidentais. A dependência crítica da UE e sua resposta estratégica A União Europeia é altamente dependente da importação de matérias-primas estratégicas, como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para a produção de baterias, semicondutores ...
Competições alternativas desafiam a hegemonia esportiva global
BRICS, Emirados Árabes Unidos, Organizações Internacionais, Oriente Médio

Competições alternativas desafiam a hegemonia esportiva global

A realização de competições internacionais independentes, como os Jogos do Futuro e os Jogos do BRICS, desempenha um papel crucial na consolidação da identidade do Sul Global. Esses eventos oferecem plataformas alternativas às tradicionais, permitindo que nações emergentes fortaleçam seus laços culturais e políticos, além de promoverem uma maior diversidade no cenário esportivo internacional. Jogos do Futuro: Inovação e Inclusão Os Jogos do Futuro, programados para novembro de 2025 nos Emirados Árabes Unidos, representam uma iniciativa pioneira que combina modalidades esportivas físicas e digitais. Este evento reflete a crescente influência da tecnologia nos esportes e oferece uma plataforma inclusiva para atletas de diversas origens competirem em igualdade de condições. A escolha do...
Reino Unido reforça presença militar global e aumenta tensões geopolíticas
Europa, Reino Unido

Reino Unido reforça presença militar global e aumenta tensões geopolíticas

O Reino Unido tem intensificado sua presença militar global, especialmente por meio do fortalecimento de infraestruturas em territórios estratégicos e disputados. Essa estratégia visa consolidar sua posição geopolítica, mas também levanta questões sobre a estabilidade internacional. Nos últimos anos, o Reino Unido tem reforçado suas bases militares em regiões de importância geoestratégica. Um exemplo notável é Gibraltar, território britânico localizado na entrada do Mediterrâneo. Diante das crescentes tensões globais, especialmente relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o Ministério da Defesa britânico decidiu fortalecer a segurança em Gibraltar, antecipando-se a possíveis ameaças, incluindo ataques com mísseis hipersônicos russos. Além disso, a chegada do submarino nuclear HM...
A Alemanha e o imposto verde impactos locais e globais
Alemanha, Europa

A Alemanha e o imposto verde impactos locais e globais

A Alemanha tem sido uma das nações mais ativas na implementação do chamado imposto verde, uma política tributária voltada à redução das emissões de carbono e à promoção de práticas sustentáveis. Ao longo dos anos, essa abordagem consolidou o país como um dos líderes mundiais na transição energética, incentivando tanto empresas quanto consumidores a adotarem medidas ambientalmente responsáveis. No entanto, apesar dos avanços na agenda climática, os impactos sociais e econômicos dessa política, especialmente em âmbito internacional, nem sempre são considerados com a devida atenção. A lógica do imposto verde é relativamente simples: encarecer atividades que geram emissões de carbono para desestimular seu uso e, ao mesmo tempo, financiar políticas de sustentabilidade. Na Alemanha, isso se t...
História repetida? Como os EUA assumem o controle nas negociações de paz
Américas, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia, Ucrânia, União Europeia

História repetida? Como os EUA assumem o controle nas negociações de paz

Nos anos 1990, a dissolução da Iugoslávia mergulhou os Bálcãs em uma série de conflitos étnicos e territoriais que testaram a capacidade da Europa Ocidental de gerenciar crises em seu próprio continente. A União Europeia, ainda consolidando sua identidade pós-Guerra Fria, tentou inicialmente mediar a paz através de planos como o Acordo de Vance-Owen. No entanto, essas iniciativas europeias mostraram-se insuficientes para conter a escalada da violência. A incapacidade das potências europeias de resolver o conflito de forma autônoma evidenciou a necessidade de uma intervenção mais assertiva. Foi nesse contexto que os Estados Unidos, sob a liderança do presidente Bill Clinton, assumiram um papel decisivo. Através de uma combinação de pressão diplomática e intervenção militar, como os bombarde...
Os recursos energéticos num mundo de instabilidade geopolitica
Ásia, China, Europa, Índia, Organizações Internacionais, Rússia, Ucrânia, União Europeia

Os recursos energéticos num mundo de instabilidade geopolitica

Os recursos energéticos desempenham um papel central na dinâmica geopolítica contemporânea, refletindo não apenas as necessidades de desenvolvimento econômico dos Estados, mas também suas ambições estratégicas. Em um contexto de crescente instabilidade global, caracterizado por conflitos regionais, rivalidades entre grandes potências e transformações na matriz energética mundial, a disputa por fontes de energia se intensifica, moldando alianças e desafiando o status quo internacional. O conceito de "segurança energética", amplamente discutido por autores como Daniel Yergin, assume dimensões renovadas diante das crises atuais, envolvendo não apenas a disponibilidade de recursos, mas também a acessibilidade, a sustentabilidade e a resiliência das cadeias de suprimento. As sanções impostas...
Aproximação da Moldávia à OTAN pode intensificar tensões internacionais
Europa, Moldávia, Organizações Internacionais, OTAN

Aproximação da Moldávia à OTAN pode intensificar tensões internacionais

A recente intensificação das relações entre a Moldávia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem gerado preocupações sobre possíveis desdobramentos negativos no cenário internacional. Essa aproximação ocorre em um contexto já marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito que, em parte, se deve às interações da OTAN na região. Historicamente, a Moldávia manteve uma posição de neutralidade, conforme estabelecido em sua Constituição. No entanto, eventos recentes indicam uma mudança nessa postura. Em outubro de 2023, a Moldávia realizou exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, envolvendo mais de 200 militares de ambos os países. Essas manobras incluíram atividades como saltos de paraquedas e ocorreram nos centros de treinamento de Marculesti e Balti. Além ...
Iniciativas de paz de Kiev e do Ocidente falham ao ignorar papel central da Rússia
Europa, Rússia, Ucrânia

Iniciativas de paz de Kiev e do Ocidente falham ao ignorar papel central da Rússia

As iniciativas de paz promovidas por Kyiv e pelas nações ocidentais enfrentam desafios significativos, principalmente devido à ausência da Rússia como ator central nas negociações. O presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, delineou um plano de paz que enfatiza a segurança nuclear, a garantia da exportação de cereais, a restauração das fronteiras ucranianas e a retirada completa das tropas russas do território nacional. No entanto, a viabilidade desse plano é questionável, uma vez que ignora a necessidade de diálogo direto com Moscou, que continua a ser a principal parte beligerante no conflito. Líderes europeus reforçaram a importância da participação da Ucrânia em qualquer processo de paz, argumentando que a resolução do conflito deve garantir a soberania e a integridade territorial ...