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Américas

A democracia em Cuba depende do fim dos embargos e não de sua manutenção
Américas, Cuba, Estados Unidos

A democracia em Cuba depende do fim dos embargos e não de sua manutenção

Foto: Yamil Lage/AFP/Getty Images Em fevereiro de 1962 o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, decretou o embargo comercial contra Cuba. 60 anos depois a situação continua a mesma. Afinal, por que os Estados Unidos declararam embargo contra Cuba? Quais os resultados alcançados? Ainda faz sentido a manutenção de embargos contra Cuba? A ideia de Kennedy ao declarar embargos comerciais contra Cuba era a de diminuir a ameaça que a ilha fazia aos Estados Unidos em função de seu alinhamento com o eixo comunista, lembrando que estávamos no auge da Guerra Fria. Seu objetivo era enfraquecer a economia cubana, o que poderia levar à uma revolta popular que questionasse o governo comunista levando a sua queda. Como podemos ver atualmente, mesmo depois de 60 anos o objetivo de altera...
E la nave va… o BRICS
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Índia, Rússia

E la nave va… o BRICS

Merece reflexão atenta o artigo intitulado “O Brics Numa Nova Etapa”, do Embaixador Rubens Barbosa, que o Estadão publicou no dia 17/07, no qual ele analisa a 14ª cúpula do BRICS, realizada em 23/ 24 de junho, no formato virtual, sob a presidência de turno da China. O tema do encontro - “Promover uma Parceria de Alta Qualidade e Inaugurar uma Nova Era para o Desenvolvimento Global” - trata das próximas ações do grupo neste momento particularmente complexo em que um dos seus membros, a Rússia, promove uma guerra contra a Ucrânia, que tem, por sua vez, como pano de fundo, a ameaça que Moscou entende sofrer de parte do Ocidente contra o “status quo” da região que fez parte do “império” soviético. Conforme assinalou o Embaixador, “o encontro buscou aumentar a parceria entre o grupo e atuar ...
Tropas ucranianas treinadas na Alemanha pelo exército dos EUA
Alemanha, Américas, Estados Unidos, Europa, Ucrânia

Tropas ucranianas treinadas na Alemanha pelo exército dos EUA

Artigo elaborado por Pedro Gerhardt Corrêa e Victor Calastri Manzoni Os militares estadunidenses começaram a treinar aproximadamente 100 soldados ucranianos em território alemão sobre sistemas de artilharias e radares. De acordo com o Pentágono, serão utilizados ​​para defender a Ucrânia contra a invasão russa. Este treinamento foi fundamental para a defesa robusta de sua capital Kiev e a luta que eles estão travando em Donbass. O treinamento ajudou a transformar a Ucrânia de um exército de estilo soviético para uma força mais ágil e mortal. Uma grande parte desse treinamento sobre os novos sistemas de defesa, que está sendo realizado com as tropas ucranianas, será realizado pelos guardas da Flórida. Aproximadamente 50 ucranianos foram treinados usando um Obus, um armamento de longo ...
A crise energética e a aproximação entre Biden e Maduro
Américas, Estados Unidos, Venezuela

A crise energética e a aproximação entre Biden e Maduro

Artigo elaborado por João Paulo Costa A possibilidade de aproximação entre dois grandes desafetos das Américas, os Estados Unidos e a Venezuela, ocorre como consequência de uma disputa militar distante dos latinoamericanos, a atual guerra entre Rússia e Ucrânia. Ao deslocar tropas russas para território ucraniano, Vladimir Putin usou a alegação de um “genocídio” na região leste cometido por tropas “neonazistas”. Para Volodymyr Zelensky, que recebeu apoio de outros atores internacionais, incluindo os Estados Unidos, os interesses russos vão além disto. Ao optar pela invasão militar, Putin envia uma mensagem ao adversário: a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte, que vinha avançando a passos largos na gestão de Zelensky, não será tolerada. Para os Estados Unid...
Aquisição de caças Gripen suecos pela FAB e sua relevância para o Brasil
Américas, Europa, Suécia

Aquisição de caças Gripen suecos pela FAB e sua relevância para o Brasil

Artigo elaborado por Karen Andersson e Laura Rossi Os aviões-caça F-39E Gripen, adquiridos pela Força Aérea Brasileira (FAB), desenvolvidos pela empresa sueca Saab, chegaram ao Brasil no último mês de abril (2022). As aeronaves foram transportadas através de um navio cargueiro holandês e recebidas no país com um evento de comemoração e integração das aeronaves à Aviação de Caça brasileira, contando com a presença do presidente Jair Bolsonaro. A compra desses novos caças tem como objetivo reequipar a frota aeronáutica do país e aumentar a capacidade operacional da FAB, já que os antigos caças norte-americanos F-5, antes utilizados pelo Brasil, são da década de 1980. O processo de obtenção dos aviões perdura desde 2014, quando o governo brasileiro comprou a frota sueca por US $4,05 bil...
A construção de agendas internacionais: o papel do Movimento dos Países Não Alinhados
África, África do Sul, Américas, Ásia, Brasil, China, Europa, Índia, Rússia

A construção de agendas internacionais: o papel do Movimento dos Países Não Alinhados

Países membros (azul escuro) e observadores (azul claro) do Movimento Não Alinhado (2005). Durante a Guerra Fria o mundo foi estruturado em torno de dois grandes blocos: capitalista (liderado pelos Estados Unidos) e comunista (liderado pela União Soviética). Esses blocos formaram uma estrutura internacional conhecida por bipolar, na medida em que os blocos se mostravam antagônicos. Ao longo da Guerra Fria outras tendências importantes ocorreram, especialmente as lutas nacionais por independência, combate ao imperialismo e a busca por superação da pobreza em grande parte do mundo. Essas tendências acabaram por consolidar um grupo conhecido por Movimento dos Países Não Alinhados. Importante notar que não se tratou da criação de um terceiro polo e nem necessariamente da recusa da exi...
A busca por um posicionamento internacional equidistante
Américas, Brasil

A busca por um posicionamento internacional equidistante

Carlos França, ministro de Relações Exteriores do Brasil (foto: divulgação Governo Federal) O Brasil precisa recuperar, urgentemente, seu papel internacional. Ainda que as eleições tendam a ideologizar a agenda internacional brasileira, temos que recuperar o nosso papel internacional de aspirante a potência. O atual conflito entre Rússia e Ucrânia tem ofuscado a discussão sobre qual papel o Brasil deve desempenhar no sistema internacional. Aproximações de um lado ou de outro logo são percebidas como propostas ideológicas do atual governo, enquanto deveriam ser percebidas como uma agenda do Estado brasileiro. Quando nos afastamos um pouco da conjuntura internacional atual e tentamos entender melhor a estrutura, facilmente vemos que o mundo tem se ajustado em torno de dois países: C...
As sanções na guerra Rússia-Ucrânia: por que o Brasil precisa assumir sua função no mundo?
Américas, Brasil, Europa, Rússia, Ucrânia

As sanções na guerra Rússia-Ucrânia: por que o Brasil precisa assumir sua função no mundo?

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem apresentado uma duração muito superior ao que os analistas previam pouco logo em seu início. Naquele momento havia o entendimento de que seria uma guerra rápida, de forma que o foco ficou mais sobre suas consequências imediatas posteriores. O que se vê atualmente é uma guerra sem fim claro, tanto em termos de prazo quanto de consequências. Neste cenário começam a se desenhar as consequências mais profundas do conflito sobre o restante do mundo. Dentre as várias consequências longas dessa guerra está o impacto sobre a produção agrícola mundial, o que afeta particularmente o Brasil. Além da inflação que se intensificou no país por conta do aumento do preço do petróleo e o impacto em cascata que gera em nossa economia, outra coisa tem acendido a luz ...
China + Rússia + EUA + OTAN (ii): o tiro saiu pela culatra?
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia

China + Rússia + EUA + OTAN (ii): o tiro saiu pela culatra?

Presidentes russo Vladimir Putim e chinês Xi Jinping (Foto kremlin.ru) Vladimir Putin acaba de retornar de Pequim, onde foi hóspede de honra de Xi Jinping na cerimônia de inauguração das Olimpíadas de Inverno que a República Popular anfitriona este ano. Certamente, ela deseja reiterar a imagem positiva que deixou das Olimpíadas de verão de 2008.   Na sequência dos acontecimentos na Ucrânia, o encontro entre Putin e Xi teve uma mensagem simbólica de grande amplitude. Não somente foram assinados vários acordos, entre os quais a elevação das exportações de gás da gigante russa Gazprom para a RPC, do montante de 38 para 48 bilhões de metros cúbicos anuais (lembremo-nos de que o tema é o “nó górdio” no envolvimento dos europeus no projeto dos americanos de intensificarem suas ameaças a Mo...
Rússia, a Ucrânia, os Estados Unidos, a China, a Europa e a Otan
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, OTAN, Rússia, Ucrânia

Rússia, a Ucrânia, os Estados Unidos, a China, a Europa e a Otan

Metendo o bedelho...Nunca pus os pés na Rússia, mas servi em Astana - hoje, Nursultan -, no Cazaquistão, e arrisco esboçar a minha percepção a partir da ótica de um país vizinho.  Para mim, o quadro geopolítico que define a relação entre a Rússia e a Ucrânia se aplica a todo o universo “ex-soviético”, como é o caso do Cazaquistão. São ambos ex-repúblicas da URSS, vizinhos contíguos da Rússia e ex-seguidores da mesma cartilha ideológico/político/econômico marxista que predominou em toda a região até 1991, quando a União Soviética se dissolveu. A experiência independente destes países tem, portanto, apenas 31 anos, ou seja, são Estados “jovens” que anteriormente, como “satélites”, serviam sobretudo como celeiro, no caso do Uzbequistão, e terreno de testes nucleares, como no do Cazaqu...