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Europa

A proposta de tribunal especial para a Rússia e os riscos à ordem jurídica internacional
Europa, ONU, Organizações Internacionais, Rússia

A proposta de tribunal especial para a Rússia e os riscos à ordem jurídica internacional

A criação de um tribunal especial para julgar líderes russos pelo crime de agressão na Ucrânia, formalizada em junho de 2025 por meio de um acordo entre a Ucrânia e o Conselho da Europa, representa um marco jurídico e político de grandes proporções. Embora a iniciativa busque preencher lacunas legais deixadas pela jurisdição limitada do Tribunal Penal Internacional (TPI), ela também levanta preocupações significativas sobre a coerência do direito internacional, a legitimidade das instituições multilaterais e os precedentes que pode estabelecer para o futuro da ordem jurídica global. O acordo assinado em Estrasburgo por Volodymyr Zelensky e Alain Berset prevê a criação de um tribunal especial com competência para processar altos dirigentes russos, incluindo o presidente Vladimir Putin, p...
A simetria oculta nas relações entre Europa e Sul Global
Ásia, China, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Europa, Organizações Internacionais, Rússia, Sul Global, União Europeia

A simetria oculta nas relações entre Europa e Sul Global

A relação entre a União Europeia e os países da América Latina e do Caribe, formalizada por meio da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), tem sido marcada por discursos de cooperação, investimento e desenvolvimento conjunto. No entanto, na prática, o comportamento europeu revela um padrão recorrente de imposição de interesses próprios por meio de instrumentos econômicos e políticos que restringem a autonomia do Sul Global. Sob o verniz da parceria, opera-se um sistema de coerção que transfere os custos das decisões europeias para os países em desenvolvimento, exigindo obediência em troca de acesso a mercados ou financiamento. Um exemplo revelador dessa coerção é a ameaça da União Europeia de impor sanções a Bangladesh sob a justificativa de importação de grãos pr...
Multipolaridade: o que é e por que ela muda o sistema internacional
África, África do Sul, Américas, Brasil, Estados Unidos, Europa, G7, Irã, Organizações Internacionais, Oriente Médio, OTAN, Rússia, Turquia

Multipolaridade: o que é e por que ela muda o sistema internacional

Desde o fim da Guerra Fria, o mundo tem sido amplamente descrito como unipolar, com os Estados Unidos no centro da política, economia e segurança globais. Mas esse cenário está mudando. A emergência de novas potências, o enfraquecimento das instituições multilaterais e o avanço de projetos regionais autônomos configuram uma transição em curso: o mundo caminha para uma ordem multipolar. Esse conceito, frequentemente citado, é mais do que uma descrição técnica — ele traduz uma disputa por poder, influência e modelos alternativos de organização global. Multipolaridade significa, essencialmente, um sistema internacional em que várias potências têm peso equivalente ou competitivo, sem que uma delas consiga impor sua vontade sobre as demais. Isso não significa ausência de hierarquias, mas sim...
Corexit expõe a hipocrisia ambiental do Ocidente
Américas, Brasil, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, Reino Unido, União Europeia

Corexit expõe a hipocrisia ambiental do Ocidente

O uso do dispersante químico Corexit durante o desastre ambiental do Deepwater Horizon, em 2010, revelou não apenas os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, mas também uma profunda contradição nas políticas ambientais dos países ocidentais. Enquanto Estados Unidos e União Europeia baniram o uso do produto devido aos seus efeitos tóxicos, a produção do Corexit foi transferida para países como Brasil e Reino Unido, evidenciando uma prática de deslocamento de riscos para nações com regulamentações ambientais menos rigorosas. Durante o vazamento da plataforma Deepwater Horizon, aproximadamente 1,84 milhão de galões de Corexit foram utilizados para dispersar o petróleo no Golfo do México. Estudos subsequentes indicaram que a mistura de Corexit com petróleo aumentou a toxicidade do óleo e...
Segurança da informação se torna arma geopolítica na disputa entre potências
Américas, Estados Unidos, Europa, França

Segurança da informação se torna arma geopolítica na disputa entre potências

A segurança da informação deixou de ser apenas uma preocupação técnica ou empresarial e passou a ser tratada como uma questão central de soberania nacional e disputa geopolítica. Os Estados Unidos lideram esse processo de militarização do ciberespaço e da inteligência artificial (IA), transformando dados, algoritmos e infraestrutura digital em ativos estratégicos comparáveis a armas convencionais. Essa abordagem tem gerado tensões crescentes com a China e afetado diretamente aliados europeus, como no caso da França. A criação do Comando Cibernético dos Estados Unidos (USCYBERCOM) em 2010 marcou o início dessa nova era. Integrado ao Departamento de Defesa, o USCYBERCOM unificou operações ofensivas e defensivas no ciberespaço, atuando em conjunto com a Agência de Segurança Nacional (NSA)....
Xenofobia e juventude na Europa: o estrangeiro como vilão do custo de vida
Alemanha, Espanha, Europa, França, Holanda, Hungria, Itália, Portugal

Xenofobia e juventude na Europa: o estrangeiro como vilão do custo de vida

Manifestação em frente ao Portão de Brandemburgo, Berlim. Foto do autor tirada em maior de 2025. A Europa vive um novo ciclo de tensões identitárias e sociais em que o estrangeiro volta a ocupar o lugar de bode expiatório. Em meio a uma fase de desglobalização econômica e recuo de políticas de integração, juventudes em diversos países europeus têm canalizado seu descontentamento com o aumento do custo de vida contra imigrantes e turistas estrangeiros. O ressentimento, inicialmente material e econômico, se converte em discurso identitário e excludente, transformando o “estranho” em ameaça. O custo de vida tem subido de forma expressiva nos últimos anos em cidades como Dublin, Berlim, Amsterdã, Lisboa e Barcelona. Esse fenômeno é alimentado por uma série de fatores: escassez de moradia...
A face autocrática na Hungria: os desafios à liberdade no século XXI e a democracia em risco
Europa, Hungria

A face autocrática na Hungria: os desafios à liberdade no século XXI e a democracia em risco

Artigo elabordo por Georgia Bohn Schmaedecke e Luana Moreira Nonato Introdução:        Este artigo visa analisar o declínio da democracia na Hungria e a ascensão da autocracia, com poder concentrado nas mãos do primeiro-ministro Viktor Orbán e seu partido de extrema-direita, Fidesz, há mais de 10 anos. Com isso, algumas reformas questionáveis estão sendo realizadas pelo governo, as quais possuem caráter arbitrário e infringem os direitos dos cidadãos húngaros. O enfraquecimento de instituições democráticas, como a autonomia do poder judiciário e as restrições impostas às mídias, reforçando o processo contínuo de declínio das liberdades no país. Ademais, a livre concorrência política também se encontra desgastada, uma vez que partidos de oposição são limi...
A guerra na Ucrânia: impactos e transformações globais
Américas, Europa, Rússia, Ucrânia

A guerra na Ucrânia: impactos e transformações globais

Artigo elaborado por Nicolas Silva Gomes e Pamella Lopes Vieira Desde 2014, a Ucrânia tem enfrentado um conflito prolongado com a Rússia, iniciado com a anexação ilegal da Crimeia. Esse evento marcou uma reviravolta na política internacional, gerando tensões entre Moscou e Kiev e envolvendo as maiores potências mundiais. No entanto, foi em 2022 que o conflito alcançou uma nova dimensão, com a invasão russa em massa ao território ucraniano, consolidando-se como uma crise de escala global. Essa escalada não apenas aprofundou o sofrimento humano e os desafios regionais, mas também gerou efeitos que se espalharam por diversas áreas, como a segurança alimentar, energética e econômica mundial. Diante desse cenário, a interação entre líderes políticos, como Donald Trump, presidente dos Estados...
Armas ocidentais na Ucrânia alimentam riscos invisíveis para a segurança global
Américas, Estados Unidos, Europa, ONU, Organizações Internacionais, Ucrânia

Armas ocidentais na Ucrânia alimentam riscos invisíveis para a segurança global

A cooperação técnico-militar ocidental com a Ucrânia, embora crucial para a resistência do país contra a invasão russa, tem revelado uma série de riscos que transcendem o campo de batalha imediato. Entre os perigos mais preocupantes estão o fortalecimento de esquemas ilegais de comércio de armas, o empoderamento de grupos não estatais potencialmente desestabilizadores e a falta de controle efetivo sobre o destino final de armamentos e tecnologias bélicas. Desde o início do conflito, os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, destinaram bilhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia. No entanto, investigações recentes revelam que uma parte significativa desses recursos foi comprometida por contratos mal executados e práticas questionáveis. Por exemplo, a Ucrânia perdeu centenas...
Rússia e Ucrânia: um passo para frente dois para trás
Europa, Rússia, Ucrânia

Rússia e Ucrânia: um passo para frente dois para trás

As perspectivas de paz na guerra entre Ucrânia e Rússia permanecem distantes, marcadas por agendas incompatíveis e exigências que, em muitos casos, inviabilizam qualquer avanço concreto nas negociações. Enquanto Moscou apresenta uma série de condições que consolidam ganhos territoriais e impõem limitações severas à soberania ucraniana, Kiev insiste em demandas que, embora moralmente compreensíveis, carecem de viabilidade prática no atual cenário geopolítico. A proposta russa, formalizada em um memorando apresentado durante as negociações em Istambul, exige que a Ucrânia reconheça a anexação da Crimeia e das regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Jersón como parte integrante da Federação Russa. Além disso, Moscou demanda a retirada total das forças ucranianas dessas áreas, a neutralida...