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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
A inserção brasileira nos blocos comerciais internacionais
Américas, Brasil, BRICS, Organizações Internacionais

A inserção brasileira nos blocos comerciais internacionais

Principais parceiros comerciais para cada estado do Brasil A integração global dos processos produtivos é uma realidade já confirmada, mas ainda não bem aproveitada pelo Brasil. Para se ter um exemplo atual da relevância da integração dos países em blocos produtivos basta olhar o caso da Inglaterra. Com sua saída (que sequer está completa) da União Europeia o que se vê é o caos produtivo e de oferta de produtos. Faltam trabalhadores, matéria-prima e produtos para serem consumidos no país, que acreditou ter uma economia autossuficiente. Por mais que não percebamos, cada produto que consumimos depende de ações realizadas nos mais diversos lugares do mundo. A integração desse processo produtivo é chamada de Cadeia Global de Valor, tendo diversas etapas produtivas até o produto final: ex...
A fraca participação brasileira nos BRICS
BRICS, Organizações Internacionais

A fraca participação brasileira nos BRICS

Líderes dos BRICS na 13ª Cúpula (foto Alamy) O início de setembro marcou o aniversário de 15 anos dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o que foi registrado na 13ª Cúpula dos BRICS. O evento passou desapercebido pela maior parte da imprensa brasileira, o que demonstra a pouca relevância que o bloco tem recebido por parte do governo brasileiro. Esse baixo interesse leva a uma grande perda de potencial para a política externa brasileira. Alguns números para ilustrar a relevância dos BRICS para o mundo: os países que formam o bloco representam mais de 40% da população mundial e quase 25% do PIB global . Além destes números, também chama a atenção a diversidade geográfica dos países-membros, com presença em todos os continentes. O bloco tem uma agenda importante, c...
Contra quem as sanções internacionais são aplicadas?
Américas, Venezuela

Contra quem as sanções internacionais são aplicadas?

Foto de Reuters/Carlos Garcia Rawlins As sanções comerciais são um instrumento de política externa usado por alguns países e que tem impactos severos. Quando lemos as notícias que falam sobre isso geralmente falam das sanções comerciais contra a Venezuela, ou contra o Irã ou qualquer outro país que atualmente está sob esse tipo de ação. A questão é que o impacto é sobre o país, com especial foco em seu governo, mas na verdade é sobre a população. A ideia é que a população sofra os impactos do asfixiamento da economia do país e comece a questionar seu governo, o que deveria levar à escolha de outro presidente (em países democráticos) ou a uma ruptura institucional para a instauração de outro governo (em países ditatoriais). Uma das questões por trás disto é o custo humanitário e socia...
Guerras cibernéticas: quem é o culpado?
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Rússia

Guerras cibernéticas: quem é o culpado?

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, declarou em 27/7/2021, durante uma visita ao diretor da Inteligência Nacional que “se acabarmos em uma guerra, uma verdadeira guerra de tiro com outra potência, será como consequência de uma violação cibernética”. Essa afirmação foi realizada após os Estados Unidos serem atacados ciberneticamente, que teve como uma de suas consequências a paralisação do oleoduto Colonial, o que resultou na interrupção de fornecimento de combustível em parte do país. Nesta ocasião a ameaça foi aberta, mas em outros momentos o governo Biden acusou diretamente dois países como os responsáveis por esse tipo de movimento: China e Rússia. Ainda que hoje os EUA sejam o país atacado, a verdade é que as ações cibernéticas são mais antigas e têm servido a diferentes propó...
O custo humanitário das sanções internacionais: o caso venezuelano
Américas, Estados Unidos, Venezuela

O custo humanitário das sanções internacionais: o caso venezuelano

Manifestantes venezuelanos contra o governo dos EUA. Foto REUTERS/Alexandre Meneghini As recentes manifestações em Cuba reabrem uma discussão importante nas relações internacionais: o uso de sanções comerciais como uma forma de política externa. O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou seu apoio ao povo cubano, mas não deu indicações de alteração da atual política de embargos. Em que pese a história e o simbolismo de Cuba no contexto da Guerra Fria, devemos nos lembrar que essa é uma política mais comum, como pode ser visto no caso da Venezuela. A duração das sanções e embargos aplicados sobre Cuba e Venezuela são mostras claras de seu fracasso como uma ação que busca alterar o comportamento de outro governo. Assim, além de não ter um resultado político efetivo, implica em um custo ...
Os BRICS e a vacina da Covid-19, mais uma chance perdida
Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Europa, Índia, Organizações Internacionais, Rússia

Os BRICS e a vacina da Covid-19, mais uma chance perdida

REUTERS FILE PHOTO A vacinação para o Covid-19 está avançando e o mundo começa a respirar aliviado, mas ele esconde uma realidade muito mais dura e desigual no mundo em que vivemos. O acesso às vacinas, bem como sua produção, é resultado de relações de poder que só reforçam a desigualdade que existe entre os países. Assim que ficou claro o tamanho do problema com o Covid-19, os países mais ricos iniciaram seus esforços para produção de vacinas e para a compra ou bloqueio antecipado das vacinas a serem produzidas. Para se ter uma ideia, até o final de 2020 esses países já haviam garantido 3,8 bilhões de doses. A quantidade comprada por países como Estados Unidos e países europeus superavam largamente a sua população. Só os EUA, por exemplo, compraram vacinas que superavam 5 doses por ...
A volta de Trump à presidência em 2024
Américas, Estados Unidos

A volta de Trump à presidência em 2024

Presidente Donald Trump em agosto de 2019; Manchester, New Hampshire. (Staff Photo By Matt Stone/MediaNews Group/Boston Herald) O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, está de volta ao jogo político. Tudo indica que veio para ficar e possivelmente recuperar a presidência dos EUA em 2024. A distância até as próximas eleições presidenciais é grande, mas já é possível antever que Trump deverá sair vitorioso naquelas eleições. Trump acaba de lançar novamente sua loja online, na plataforma do Partido Republicando, WinRed. São vendidos produtos cotidianos, como bonés, camisetas e canecas. Além da tradicional mensagem “Make America Great Again” (Torne os Estados Unidos grandes de novo), um novo slogan mostra a estratégia que será seguida: “Don’t Blame Me I Voted for Trump” (não me culpe, e...
A arrogância do Ocidente e a ascensão da China
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Europa, Organizações Internacionais, União Europeia

A arrogância do Ocidente e a ascensão da China

Do latim progressus, vem a palavra progresso indica avanço, mudança de algo para melhor em relação ao passado. Ainda que a ideia seja antiga, os contornos que apresenta hoje foram forjados no Iluminismo, alcançando sua “automaticidade” com a Revolução Industrial. Assim, hoje nos acostumamos com a ideia de que hoje estamos numa condição melhor do que ontem e que continuaremos a avançar. Em si a proposta não é descabida, mas carrega o risco de nos tornarmos arrogantes, acreditando que hoje vivemos o que há de melhor (para uma leitura mais filosófica dessa perspectiva indico a leitura de A Rebelião das Massas, de Jose de Ortega Y Gasset).  Especialmente em função das tecnologias, temos provas concretas de que estamos no momento de maior avanço na história da Humanidade. Hoje temos celu...
O fim de um governo que não começou
Américas, Brasil

O fim de um governo que não começou

Presidente Jair Bolsonaro A memória na política é curta, até porque a política é a arte da paixão, e as paixões são efêmeras. Dada a complexidade das sociedades contemporâneas, os cidadãos não têm tempo, competência ou mesmo desejo para se engajar em todas as discussões que passam pela política, e o resultado disso é que queremos encontrar políticos que nos apresente uma visão de mundo que compreendemos e gostamos, simplificando toda a complexidade e nos fazendo acreditar que o mundo é simples.  Em 2018, o então candidato Jair Bolsonaro conseguiu apaixonar 57,8 milhões de eleitores brasileiros. Uma pequena parcela desses eleitores conhecia as propostas difusas de Bolsonaro, uma grande maioria via no capitão reformado uma chance de não ter mais o PT no governo. Por mais que tenha...
O que é o America First?
Américas, Estados Unidos, Europa, França, Reino Unido

O que é o America First?

Ilustração de Eleanor Shakespeare paraTIME Ao longo da história dos Estados Unidos é possível perceber um movimento pendular em torno do eixo Isolacionismo-Intervencionismo. Recentemente há uma tendência de buscar analisar de forma antecipada a política externa dos presidentes dos EUA em função do partido político e sua pretensa ligação com um dos extremos deste eixo (Republicanos com o isolacionismo e Democratas com o intervencionismo). Proponho uma análise que entende esses movimentos de forma mais alongada, baseado em eras. Para entender essa leitura, a primeira pergunta que devemos nos colocar é: o que significa a expressão America First e de onde ela vem? A expressão America First (“Primeiro os Estados Unidos”, numa tradução livre) remonta ao presidente Thomas Jefferson (terc...