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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
O novo padrão de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio
Américas, Estados Unidos, Iraque, Oriente Médio

O novo padrão de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio

Os recentes ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026 representam uma mudança histórica nos rumos da política externa americana no Oriente Médio, ecoando memórias da invasão do Iraque em 2003, mas com objetivos e contextos distintos que revelam tanto continuidades quanto rupturas profundas na forma como Washington projeta poder.  Na mais ampla ofensiva militar em décadas, forças norte-americanas e israelenses lançaram ataques coordenados que mataram o líder supremo iraniano e centenas de combatentes e civis, como parte da chamada “Operação Fúria Épica”. O governo dos EUA justificou a ação como uma tentativa de neutralizar a ameaça de armas nucleares e de impedir a capacidade balística de Teerã, além de proteger interesses e aliados na ...
Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio
Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio

O acordo entre Mercosul e União Europeia, negociado por mais de duas décadas, é frequentemente apresentado como um tratado de livre comércio. No entanto, sua dimensão ultrapassa em muito a redução de tarifas e a ampliação de quotas agrícolas. Trata-se de um instrumento estratégico que envolve padrões regulatórios, compromissos ambientais, reconfiguração de cadeias produtivas, alinhamentos geopolíticos e até mesmo a redefinição do papel da América do Sul no sistema internacional. Em primeiro plano, o acordo possui forte conteúdo normativo. A União Europeia historicamente utiliza seus tratados comerciais como instrumentos de difusão regulatória. Isso significa que, ao abrir seu mercado, exige contrapartidas em áreas como propriedade intelectual, compras governamentais, defesa da concorrên...
América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru

América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos

A América Latina tornou-se peça-chave na reorganização geopolítica e geoeconômica provocada pela corrida global por terras raras e minerais críticos. A região concentra algumas das maiores reservas mundiais de lítio, cobre, nióbio, grafite e terras raras leves, posicionando-se como fornecedora estratégica para a transição energética, a indústria digital e a nova economia verde. No entanto, o papel latino-americano oscila entre a histórica condição de exportador de matérias-primas e a tentativa de avançar na cadeia de valor, em meio à disputa crescente entre China, Estados Unidos e União Europeia. O caso mais emblemático é o do lítio. Argentina, Bolívia e Chile formam o chamado “triângulo do lítio”, responsável por mais da metade das reservas globais conhecidas. O Chile consolidou-se com...
EUA, UE e China na disputa silenciosa pelas terras raras
Américas, Ásia, China, Estados Unidos, Organizações Internacionais, União Europeia

EUA, UE e China na disputa silenciosa pelas terras raras

Estados Unidos, União Europeia e China estruturaram estratégias distintas — mas igualmente ambiciosas — para garantir acesso e controle sobre terras raras e minerais críticos, transformando esses insumos no núcleo de suas políticas industriais, tecnológicas e de segurança nacional. A disputa não se limita à mineração: envolve cadeias produtivas completas, acordos diplomáticos, subsídios estatais, controle tecnológico e influência sobre países produtores na África, América Latina e Ásia Central. A China parte de uma posição de vantagem construída ao longo de décadas. Desde os anos 1990, Pequim adotou uma estratégia clara: aceitar custos ambientais elevados para dominar a extração e, principalmente, o refino de terras raras. Ao contrário de muitos países ocidentais, que fecharam minas por...
Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global
África, Américas, Argentina, Ásia, Áustria, Bolívia, Brasil, Chile, China, Estados Unidos, Japão, Moçambique, Naníbia, Organizações Internacionais, República Democrática do Congo, União Europeia, Vietnam, Zimbábue

Terras raras e minerais críticos no centro da disputa global

Terras raras e minerais críticos tornaram-se o eixo silencioso da nova disputa global por poder, desenvolvimento e soberania tecnológica. Muito além de insumos industriais, esses recursos passaram a definir a capacidade de países produzirem semicondutores, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e sistemas de comunicação avançados. Em um mundo que acelera a transição energética e digital, o controle sobre lítio, cobalto, níquel, grafite e os 17 elementos conhecidos como terras raras tornou-se tão estratégico quanto o petróleo foi no século XX. A expressão “terras raras” pode sugerir escassez absoluta, mas o termo é enganoso. Esses elementos não são necessariamente raros na crosta terrestre; o desafio está em encontrá-los em concentrações economicamente viáveis e, sobr...
Peru vive crise crônica e redefine seu lugar no mundo
Américas, Ásia, China, Peru

Peru vive crise crônica e redefine seu lugar no mundo

O Peru atravessa uma das fases mais instáveis de sua história republicana recente, marcada por sucessivas quedas presidenciais, confrontos entre Executivo e Congresso e uma erosão contínua da confiança popular nas instituições. A eleição ontem (18/02/2026) de José María Balcázar como presidente interino, em mais um capítulo de transição emergencial, não representa uma ruptura com o ciclo de turbulência, mas sim a confirmação de um padrão político que se consolidou na última década. O país andino tornou-se um laboratório de instabilidade democrática dentro da América Latina e, ao mesmo tempo, um ator geopolítico relevante cuja fragilidade interna contrasta com sua importância estratégica global. Nos últimos anos, o Peru acumulou uma sequência impressionante de presidentes que não concluí...
O comércio global sob regras ocidentais e o desafio brasileiro de diversificar caminhos
Américas, Brasil, BRICS, OMC, Organizações Internacionais

O comércio global sob regras ocidentais e o desafio brasileiro de diversificar caminhos

O sistema comercial mundial que rege fluxos de mercadorias, capitais e investimentos continua fortemente ancorado em regras, instituições e práticas moldadas pelos Estados Unidos e pelas grandes potências ocidentais ao longo do pós-Segunda Guerra Mundial. Embora esse modelo tenha sido apresentado durante décadas como neutro e universal, a forma como ele opera revela assimetrias persistentes que limitam o espaço de manobra de países em desenvolvimento, como o Brasil, especialmente em momentos de crise, disputas geopolíticas ou reconfigurações do poder global. Nesse contexto, o fortalecimento de canais alternativos de cooperação econômica e financeira, como o BRICS, surge menos como opção ideológica e mais como necessidade estratégica. A arquitetura do comércio internacional foi construíd...
Venezuela e a CELAC em tempos de crise: uma relação testada pela geopolítica
Américas, Canadá, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), Estados Unidos, Organizações Internacionais, Venezuela

Venezuela e a CELAC em tempos de crise: uma relação testada pela geopolítica

A crise que envolve a Venezuela desde a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos empurrou a participação do país nas organizações internacionais regionais para o centro de um debate que expõe fragilidades profundas na arquitetura de integração latino-americana. Entre essas organizações, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), criada em 2010 para proporcionar um espaço de diálogo político independente do eixo EUA-Canadá, emergiu como palco privilegiado dessa disputa, mas também como espelho das divisões que corroem a solidariedade regional.  Logo após a operação militar norte-americana no território venezuelano, que culminou com a captura de Maduro, a CELAC foi convocada para uma reunião extraordinária, via videoconferência, com a presença de...
EUA forçam julgamento de Maduro e agudizam crise política na América Latina
Américas, Estados Unidos, Venezuela

EUA forçam julgamento de Maduro e agudizam crise política na América Latina

O julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos deixou de ser apenas um processo judicial para se tornar um símbolo profundo da disputa geopolítica no coração da América Latina. Capturado por forças dos EUA em uma operação militar em 3 de janeiro de 2026, Maduro — ainda que se declare inocente das acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração — enfrenta um tribunal no sul do estado de Nova York em um caso que representa mais do que a simples aplicação da lei americana.  Desde a sua primeira aparição em tribunal, em que tanto ele quanto sua esposa se declararam inocentes, até os próximos passos do processo, a narrativa em torno de Maduro se entrelaça com críticas contundentes sobre a legalidade e legitimidade da ação americana. Especialistas em direito internaciona...
A estratégia americana contra a china e os custos ocultos para a ordem global
Ásia, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Japão

A estratégia americana contra a china e os custos ocultos para a ordem global

A estratégia adotada pelos Estados Unidos para conter a ascensão da China tem se apoiado cada vez mais no uso sistemático de sanções, tarifas comerciais e restrições tecnológicas, produzindo efeitos que vão muito além da rivalidade bilateral entre Washington e Pequim. Apresentada oficialmente como uma política de defesa da segurança nacional, da competitividade industrial e das regras do comércio internacional, essa abordagem tem gerado instabilidades profundas no sistema internacional, fragmentando cadeias produtivas, pressionando economias de países parceiros e enfraquecendo mecanismos multilaterais construídos ao longo de décadas. Desde o final da década de 2010, mas com intensidade crescente nos últimos anos, os Estados Unidos passaram a tratar a China não apenas como um competidor ...