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Autor: Rodrigo Cintra

Pós-Doutor em Competitividade Territorial e Indústrias Criativas, pelo Dinâmia – Centro de Estudos da Mudança Socioeconómica, do Instituto Superior de Ciencias do Trabalho e da Empresa (ISCTE, Lisboa, Portugal). Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2007). É Diretor Executivo do Mapa Mundi. ORCID https://orcid.org/0000-0003-1484-395X
O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana
África, Américas, Ásia, Brasil, BRICS, China, Egito, Etiópia, Europa, Índia, Irã, Nigéria, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia

O eixo emergente do Sul Global contra a hegemonia americana

A aproximação entre China, Rússia, Irã e um conjunto crescente de países da Ásia, África e América Latina não é apenas uma soma de acordos bilaterais dispersos. Ela revela a tentativa de construção de um eixo político e econômico alternativo à ordem internacional liderada pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda que esse movimento não se apresente como uma aliança formal nos moldes da Guerra Fria, seus contornos indicam a formação de um campo de cooperação estratégica que desafia, direta ou indiretamente, a hegemonia americana. O símbolo mais visível dessa articulação é a expansão do grupo dos BRICS. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco passou a incorporar novos membros do Oriente Médio e da África, ampliando seu peso e...
Os ODS entre a promessa de progresso e o risco de controle global
ONU, Organizações Internacionais

Os ODS entre a promessa de progresso e o risco de controle global

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas em 2015, representam uma das mais ambiciosas agendas globais já criadas para orientar o desenvolvimento econômico, social e ambiental do planeta. Estruturados em 17 objetivos e dezenas de metas específicas, eles procuram enfrentar problemas históricos como pobreza, desigualdade, degradação ambiental e acesso desigual a serviços básicos. Ao mesmo tempo, porém, os ODS também levantam um debate importante sobre poder, governança global e autonomia nacional. Para alguns analistas, a agenda representa uma tentativa legítima de coordenar esforços globais em torno de desafios comuns. Para outros, ela pode funcionar como um mecanismo indireto de padronização e controle das estratégias de desenvolvim...
A transição energética que pode desestabilizar o mundo
Alemanha, Américas, Arábia Saudita, Argentina, Ásia, Bolívia, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Europa, Índia, Irã, Japão, Organizações Internacionais, Oriente Médio, Rússia, União Europeia, Venezuela

A transição energética que pode desestabilizar o mundo

A transição energética promovida pelas potências ocidentais é apresentada como uma necessidade histórica para enfrentar a mudança climática, mas também carrega riscos que vão muito além do debate ambiental. Ao redesenhar cadeias produtivas globais, alterar fluxos de poder econômico e redefinir o valor estratégico de recursos naturais, essas políticas podem gerar novas formas de instabilidade internacional. A substituição dos combustíveis fósseis por tecnologias renováveis promete reduzir emissões, mas ao mesmo tempo pode abrir novas disputas geopolíticas, pressionar economias dependentes de petróleo e gás e criar dependências industriais que ainda estão longe de serem resolvidas. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas passaram a investir massivamente em políticas de incentivo à transiç...
O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0
Américas, Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Estados Unidos, Nicarágua

O retorno da Doutrina Monroe em versão 2.0

A política dos Estados Unidos para a Venezuela e para a América Latina nos últimos anos revela mais do que uma disputa ideológica com governos específicos. Ela indica a atualização de um princípio histórico da diplomacia americana: a ideia de que o hemisfério ocidental constitui uma zona de interesse estratégico prioritário, onde a presença de potências extra-regionais é vista como ameaça direta à segurança nacional dos EUA. Em pleno século XXI, a lógica que remete à Doutrina Monroe ressurge com novos contornos, novas ferramentas e novos protagonistas. Proclamada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer intervenção europeia nas Américas seria interpretada como ato hostil contra os Estados Unidos. Ao longo do século XX, esse princípio foi reinterpretado diversas vezes, servind...
Confrontos distintos, os mesmos interesses
Américas, Estados Unidos, Irã, Oriente Médio, Venezuela

Confrontos distintos, os mesmos interesses

Como o Irã e a Venezuela se transformaram em casos-símbolo da política externa dos Estados Unidos e de sua visão de segurança nacional e interesses estratégicos? Embora muito diferentes em geografia, cultura e poder militar, os dois países passaram a ser atores centrais na retórica e ações de Washington por motivos que, em última análise, guardam semelhanças profundas — sobretudo no que diz respeito à percepção de ameaça e à preservação de posições estratégicas dos EUA no mundo. O Irã foi historicamente visto pelos Estados Unidos como um adversário geopolítico no Oriente Médio, uma rival cujo alinhamento com grupos considerados hostis e cujas ambições nucleares são percebidas por Washington como perigosas para a segurança dos EUA e de seus aliados regionais. Nos últimos meses de 2026, o...
O Irã e a revolução que mudou o equilíbrio do oriente médio
Américas, Estados Unidos, Irã, Oriente Médio

O Irã e a revolução que mudou o equilíbrio do oriente médio

Para entender a atual guerra entre Estados Unidos e Irã é necessário voltar algumas décadas na história e compreender como esse país se transformou em um dos principais polos de oposição ao poder ocidental no Oriente Médio. O Irã não nasceu como um inimigo do Ocidente. Pelo contrário, durante boa parte do século XX foi um dos aliados estratégicos mais importantes dos Estados Unidos na região. A mudança ocorreu após uma revolução que redefiniu completamente o sistema político iraniano e criou um projeto ideológico que até hoje influencia a política internacional. Localizado em uma região estratégica entre o Golfo Pérsico, o Cáucaso e a Ásia Central, o Irã possui uma das civilizações mais antigas do mundo. Durante séculos foi conhecido como Pérsia, nome associado a grandes impérios que do...
O ataque ao Irã e o temor de mudança de regime no Oriente Médio
África, Américas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Líbia, Organizações Internacionais, Oriente Médio, OTAN, Turquia

O ataque ao Irã e o temor de mudança de regime no Oriente Médio

A história mostra que revoluções e guerras nem sempre produzem apenas confrontos diretos. Muitas vezes produzem algo mais silencioso: medo político. No final do século XVIII, quando a Revolução Francesa derrubou a monarquia e inaugurou um novo tipo de poder baseado na mobilização popular, os reis da Europa perceberam que o perigo não estava apenas em Paris. O verdadeiro risco era que o exemplo francês se espalhasse. Mais de duzentos anos depois, a recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã e a tentativa explícita de enfraquecer ou derrubar o regime de Teerã pode produzir um fenômeno semelhante no Oriente Médio: governantes observando o que aconteceu e temendo ser os próximos. No final de fevereiro (de 2026), uma operação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel ati...
O novo padrão de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio
Américas, Estados Unidos, Iraque, Oriente Médio

O novo padrão de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio

Os recentes ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026 representam uma mudança histórica nos rumos da política externa americana no Oriente Médio, ecoando memórias da invasão do Iraque em 2003, mas com objetivos e contextos distintos que revelam tanto continuidades quanto rupturas profundas na forma como Washington projeta poder.  Na mais ampla ofensiva militar em décadas, forças norte-americanas e israelenses lançaram ataques coordenados que mataram o líder supremo iraniano e centenas de combatentes e civis, como parte da chamada “Operação Fúria Épica”. O governo dos EUA justificou a ação como uma tentativa de neutralizar a ameaça de armas nucleares e de impedir a capacidade balística de Teerã, além de proteger interesses e aliados na ...
Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio
Mercosul, Organizações Internacionais, União Europeia

Mercosul e União Europeia muito além do livre comércio

O acordo entre Mercosul e União Europeia, negociado por mais de duas décadas, é frequentemente apresentado como um tratado de livre comércio. No entanto, sua dimensão ultrapassa em muito a redução de tarifas e a ampliação de quotas agrícolas. Trata-se de um instrumento estratégico que envolve padrões regulatórios, compromissos ambientais, reconfiguração de cadeias produtivas, alinhamentos geopolíticos e até mesmo a redefinição do papel da América do Sul no sistema internacional. Em primeiro plano, o acordo possui forte conteúdo normativo. A União Europeia historicamente utiliza seus tratados comerciais como instrumentos de difusão regulatória. Isso significa que, ao abrir seu mercado, exige contrapartidas em áreas como propriedade intelectual, compras governamentais, defesa da concorrên...
América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos
Américas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru

América Latina no epicentro da nova corrida global por minerais críticos

A América Latina tornou-se peça-chave na reorganização geopolítica e geoeconômica provocada pela corrida global por terras raras e minerais críticos. A região concentra algumas das maiores reservas mundiais de lítio, cobre, nióbio, grafite e terras raras leves, posicionando-se como fornecedora estratégica para a transição energética, a indústria digital e a nova economia verde. No entanto, o papel latino-americano oscila entre a histórica condição de exportador de matérias-primas e a tentativa de avançar na cadeia de valor, em meio à disputa crescente entre China, Estados Unidos e União Europeia. O caso mais emblemático é o do lítio. Argentina, Bolívia e Chile formam o chamado “triângulo do lítio”, responsável por mais da metade das reservas globais conhecidas. O Chile consolidou-se com...